** LARGO 22 DE JUNHO ***
~ Palácio dos Capitães Generais ~
Na noite de 21 de Junho de 1828, reagindo à aclamação de D. Miguel, o Batalhão de Caçadores n.º 5, que estava a guarnecer a Fortaleza de São João Baptista, em Angra, tornou-se um pilar fundamental para a instauração do liberalismo.
No dia 22 Junho de 1828 - o Capitão General Tovar (o 9º capitão General) vinha tomando medidas de repressão dos liberais na Terceira, deportando, vigiando e perseguindo alguns, possivelmente uma das razões pelas quais se deu a revolta de 22 de Junho de 1828, pois ao saberem que estavam previstas novas deportações, um grupo de liberais comandou um conjunto de operações que, na noite de 21 de Junho, prende o governador no castelo de S. João Baptista, e o Capitão General Tovar, no Palácio.
A 22 de Junho de 1828 aclama-se D. Pedro como rei legítimo de Portugal, bem como sua filha, D. Maria, de acordo com a Carta Constitucional – o Largo que se encontra na fachada Oeste do Palácio recebe como nome essa data.
O edifício foi inicialmente concebido como o Colégio da Companhia de Jesus de Angra, fundado em 1570 por alvará do rei D. Sebastião de Portugal.
No entanto, a sua construção só teve início entre 1608 e 1609, sendo a ocupação definitiva registada apenas por volta de 1620.
O conjunto arquitetónico, que combina influências do Maneirismo e do Barroco, apresenta uma planta retangular regular, com dois andares organizados em torno de um pátio central. A igreja, de uma só nave e dedicada a Santo Inácio de Loyola, está situada na extremidade sudeste do edifício.
O edifício conta também com um jardim, situado na antiga cerca, que se destaca pelos amplos passeios, flora variada e árvores imponentes. Um chafariz elegante, que verte água para um grande tanque, confere serenidade ao espaço.
Este colégio foi um importante centro de educação nos Açores, promovendo o ensino de latim, filosofia, teologia e escolástica.
Em 1760, com a expulsão dos jesuítas, o edifício foi confiscado pela Fazenda Real. Mais tarde, em 1766, durante as reformas do Marquês de Pombal, seria adaptado para sede da recém-criada Capitania Geral, função que desempenhou até à sua extinção em 1830.
Durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), o palácio acolheu a Junta Provisória e, posteriormente, abrigou o governo da Regência do Reino de Portugal, em nome da rainha D. Maria II. Serviu também como Paço Real em dois momentos significativos: em 1832, durante a estadia de três meses de D. Pedro IV, e em 1901, ao receber D. Carlos I e D. Amélia de Portugal na Visita Régia à Madeira e aos Açores.
No final da monarquia e já sob o regime republicano, o palácio serviu de assento a vários serviços públicos, nomeadamente ao Governo Militar, à Junta Geral do Distrito Autónomo e ao Governo Civil. Foi também o local onde jantaram, em 1971, Georges Pompidou, presidente da França, e Richard Nixon, presidente dos Estados Unidos, a convite de Marcelo Caetano, chefe do governo português, por ocasião da Cimeira Atlântica.
Após a criação da Região Autónoma dos Açores em 1976, o palácio passou a integrar os bens regionais, abrigando diversos departamentos governamentais e, no andar nobre, a residência oficial do Presidente do Governo Regional na ilha Terceira.
Desenho do artista terceirense, caríssimo amigo Emanuel Félix, a quem muito agradeço, fazendo parte, a partir de hoje, do meu espólio.
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