quarta-feira, 28 de outubro de 2020

A Atlântida Açoriana

 


Circa 1600, An illustration from an old book published in Germany entitled,
 ‘Land Sila and Air’ showing a map of the island of Atlantis.
 (Photo by Fox Photos/Getty Images)


O mito da Atlântida




Platão (427-347 a.C.) foi um filósofo grego da antiguidade, considerado um dos principais pensadores da história da filosofia. Era discípulo do filósofo Sócrates.

A sua filosofia é baseada na teoria de que o mundo que percebemos com os nossos sentidos é um mundo ilusório, confuso. O mundo espiritual é mais elevado, eterno, onde o que existe verdadeiramente são as ideias, que só a razão pode conhecer.

Segundo o filósofo Platão, quando os deuses dividiram entre si o mundo, Atena recebeu Atenas, e Posídon a Atlântida, uma enorme ilha do Atlântico, localizada em frente das Colunas de Hércules (habitualmente identificadas com o estreito de Gibraltar).



Busto de Platão

Cópia em mármore do busto de Platão feito por Silanião, ca. 370


O deus viveu aí com uma jovem mortal, Clito, de quem teve dez filhos. O mais velho, de seu nome Atlas, dividiu a ilha em dez Estados, que distribuiu por si e pelos irmãos. Com o correr dos tempos, os Atlantes, descendentes dessa primitiva geração divina, foram alargando o seu poder às mais distantes paragens e explorando os recursos naturais da ilha, em cobre, ferro, ouro, e ainda em oricalco, liga metálica de belos reflexos cor de fogo.



As Colunas de Hércules


Com uma terra fértil, uma fauna abundante e um comércio bem desenvolvido, os Atlantes acumularam grandes riquezas e a ilha distinguia-se pelo requinte das suas obras de arte e dos seus monumentos, pela elegância e luxo dos seus palácios, pelas muralhas defensivas de grande porte. Mas, um dia, essa grandiosidade teve o seu fim, imposto pelos deuses como punição pelos vícios a que os habitantes da ilha entretanto se tinham entregado e pelo orgulho desmedido de que davam provas, convencidos da sua invencível superioridade.



As Colunas de Hércules


Por isso, querendo conquistar ainda mais regiões, na África e na Ásia, foram vencidos pelos Atenienses e, pouco depois, na sequência de um violento tremor de terra seguido de maremoto, a ilha foi engolida pelas águas, no espaço de um dia e uma noite, e todas as riquezas pereceram no fundo do mar Atlântico.






A lenda da Atlântida desaparecida tem sido, ao longo dos tempos, uma das que mais curiosidade tem despertado. Os que acreditam que esta história fabulosa tem de corresponder a uma realidade histórica procuram saber qual seria a exata localização dessa ilha fantástica e qual a razão de ela ter desaparecido.


Entre as várias hipóteses de localização contam-se as ilhas dos Açores.






Posidão convocou um concílio dos deuses para travar os atlantes. Nele foi decidido aplicar-lhes um castigo exemplar. Como consequência das decisões divinas começaram grandes movimentos tectónicos, acompanhados de enormes tremores de terra. As terras da Atlântida tremeram violentamente, o céu escureceu como se fosse noite, apareceu o fogo que queimou florestas e campos de cultivo. O mar galgou a terra com ondas gigantes e engoliu aldeias e cidades.

Em pouco tempo Atlântida tinha desaparecido para sempre na imensidão do mar. No entanto, como fora possuidora de grandes montanhas, estas não teriam afundado completamente. Os altos cumes teriam ficado acima da superfície das águas e originado as nove ilhas dos Açores






A Colunária (Patacão)
8 Reales = 960 réis

As Colunas de Hércules aparecem nas moedas de prata espanholas. 
Esta puncionada no Brasil, reinado do PR D. João em 1809.


Quanto às causas do desaparecimento, uma das versões mais correntes é a que associa uma terrível erupção do vulcão da ilha de Tera (hoje Santorini), em finais da Idade do Bronze, de que resultou a perda de uma parte significativa do território da ilha, a esta lenda da Atlântida para sempre submersa. Mas não foi, até à data, possível apurar o que há de fundo histórico (se é que há algum) no mito da Atlântida.

Fonte: Olimpus.net




Colunas de Hércules era o nome dado aos promontórios que existem no estreito de Gibraltar, um em África (conforme as versões, o monte Hacho ou o monte Musa) e outro na Europa (o rochedo de Gibraltar).







O nome provém da mitologia grega, em que se conta que Hércules, para realizar um de seus doze trabalhos, teria necessidade de transpor um estreito marítimo. Dispondo de pouco tempo, resolveu abrir o caminho com seus ombros ligando assim o mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico.


1732 - Filipe V de Espanha
(Medalha com as Colunas de Hércules)




De um lado, ficou um grande rochedo, mais tarde chamado Gibraltar (monte Calpe) e do outro lado o monte Hacho ou o monte Musa (Abília ou Ábila), o primeiro situado em Ceuta e o segundo a alguns quilómetros para oeste.




1816 - Casamento de Fernando VII de Espanha com Isabel de Portugal*
(medalha comemorativa com as Colunas de Hércules)

* Isabel de Portugal era filha de D. João VI, irmã de D. Pedro IV


Os dois montes depois de separados passaram a ser denominados "Colunas de Hércules", ou "Pilares de Hércules".






Este marco foi ultrapassado pelos fenícios e por suas rotas marítimas, quando buscavam matéria-prima para a manufatura de tecidos, vidros e outros produtos para comerciar no Mediterrâneo em geral e no Egito em particular.










Origem atlântida dos índios

Depois das viagens de Colombo, ao comprovar-se que ele não havia descoberto as Índias, mas sim um novo continente, surgiram diferentes hipóteses para explicar a origem de seus habitantes, impropriamente chamados índios. Vários autores europeus afirmaram que eles tinham vindo da Atlântida, antes de submersa. Entretanto, já no século XVI houve quem ridicularizasse semelhante origem, como o cronista jesuíta José de Acosta em sua Historia natural y moral de las Indias (1580).





Embora com pouca aceitação nos meios científicos, continuam a aparecer teorias sobre a origem atlântida do homem americano. Os geólogos, em geral, rejeitam a existência da Atlântida como continente, na época do aparecimento do homem na Terra. Para explicar certas correspondências do relevo, da fauna e da flora entre a África e a América do Sul, preferem outras hipóteses, como a teria de Wegener, da deriva dos continentes.




A Atlântida, apesar disso, permanece como tema de doutrinas esotéricas que descrevem em minúcias a história de seus supostos habitantes. A renovação do interesse pela Atlântida a partir do descobrimento da América motivou a publicação de muitos livros e artigos.






Em Paris foi criada a Société d'Études Atlantéennes (Sociedade de Estudos Atlantianos), que em 1927 deu início à publicação da revista especializada Atlantis.











Lenda das Sete Cidades, Terra de Atlantes


Conta a lenda que na ilha das Sete Cidades vivia uma princesa muito bonita de nome Eufémia, filha do rei Atlas e neta do deus Júpiter. A princesa tinha uma alma bela e pura, como o seu corpo. Adorava a liberdade, e por isso recusou o casamento preparado por seu pai com um dos filhos de Neptuno, monarca de outros tantos reinos na Atlântida.


Neptuno ficou muito ofendido com a recusa da princesa Eufémia e mandou destruir o reino do seu pai, tendo nessa contenda morrido a princesa. No outro mundo a princesa ter-se-á convertido à fé cristã e desejado voltar à Terra para espalhar o bem. O seu desejo foi satisfeito.


Quando voltou à terra para cumprir os seus novos desígnios, foi posta numa ilha a que alguém num passado muito antigo tinha dado o nome de Sete Cidades. Era então um local muito pobre, onde se vivia em grande miséria e dor. Com a chegada da princesa, rapidamente as coisas começaram a mudar e a vida melhorou nas Sete Cidades, levando ao desaparecimento da dor e da miséria.


Actualmente, na ilha de São Miguel ainda há quem acredite que a bela princesa Eufémia habita a ilha. Vive na caldeira do grande vulcão que fez nascer o Vale das Sete Cidades, encarnada numa bela solanácea de frutos de frutos cor de laranja e muito sumarentos, e cujas folhas têm excelente aplicação medicinal. Diz a lenda que "Aquele que beber deste mágico filtro espiritual fica curado das suas mágoas, defendido dos seus infortúnios".



**** CURIOSIDADE ***





1893 - Carta circulada em Chicago


A data 1809, 12 de Fevereiro, refere-se ao nascimento de Abraham Lincoln, 16.º presidente dos Estados Unidos da América, assassinado a 15 de Abril de 1865.

A inscrição superior e inferior do carimbo, são dois versos do poema do poeta Americano Joaquin Miller. Trata-se do poema intitulado Colombo, cuja primeira estrofe é:


"BEHIND him lay the gray Azores, Behind the Gates of Hercules"


"Atrás dele estava os Açores cinzentos, atrás das Colunas de Hércules;

Diante dele não o fantasma das costas, antes dele apenas mares sem costa.

 O bom companheiro disse: 

"Agora devemos orar, por ele! as próprias estrelas se foram. Bravo Almirante, falar, o que devo dizer?

"Por que, dizer, 'Velejar! Navegar!".



*** Bibliografias ***

 Serão mitos ou verdades açorianas ?




 "O Passado Desconhecido das ilhas dos Açores".






 "O Passado Desconhecido das ilhas dos Açores".

Investigações do Dr. Félix Rodrigues

Poderão descarregar os imensos trabalhos de investigação da autoria do Dr. Félix Rodrigues sobre, sobretudo, a presença de outros povos no arquipélago dos Açores.

Para os lerem é só acederem a essas publicações, que se encontram em formato PDF, através do seguinte link:


ACADEMIDA.EDU



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