sexta-feira, 17 de maio de 2019

Centenário da 1.ª Travessia Aérea do Atlântico Norte (1919/2019)






O porto da Horta foi a escala do primeiro voo transatlântico por etapas, numa viagem do hidroavião NC-4, cuja tripulação era constituída pelo comandante tenente Albert Cushing Read, pelos pilotos tenentes Elmer Stone e Walter Hinton, pelos engenheiros James Breese e Eugene S. Rhodes, e o rádio operador Herbert C. Rodd.





O NC-4 (Navy Curtiss) fazia parte de uma esquadrilha de três hidroaviões composta pelo NC1 e o NC3, que pertenciam à U.S.Navy, e para segurança da travessia atlântica foram colocados 21 navios balizadores - destroyers - a partir de Cape Race (Terra Nova, Canadá), a intervalos de 50 kms.




A rota do NC- 4 teve início na base naval de Rockaway Beach (Nova Iorque), de onde descolou no dia 8 de maio de 1919, mas por avaria de dois motores prosseguiu a viagem à superfície até à Naval Air Station de Chatham (Massachusetts), chegando só a 14 de maio a Halifax (Nova Escócia, Canadá), ao contrário dos outros dois hidroaviões. No dia seguinte, rumou a Trepassey Bay (Terra Nova e Lavrador, Canadá), e a 16 de maio descolou para prosseguir a rota do Atlântico, chegando a amarar na baía da Horta às 13.23h do dia 17 de maio, contornando a costa norte da ilha do Faial.




Concluída esta primeira etapa, o NC- 4 continuou a sua aventura épica no dia 20 de maio, amarando em Ponta Delgada, seguindo-se Lisboa a 27 de maio (Tejo), depois Figueira da Foz (Rio Mondego) e Ferrol (noroeste da Galiza), concluindo a travessia aérea em Plymouth (sudoeste da Inglaterra) a 31 de maio de 1919.

Os comandantes do NC1 e do NC3, tendo verificado a visibilidade reduzida a zero e o combustível a chegar ao fim, optaram por uma amaragem de emergência em pleno oceano, a 17 de maio.



O NC1 ao fazer a amaragem a nordeste da ilha do Corvo, foi destruído por vagas alterosas e afundou-se, sendo a sua tripulação resgatada pelo cargueiro grego “IONIA” e posteriormente recolhida pelo destroyer Columbia que se dirigiu à Horta, e o NC3 no limite da sua capacidade, depois de amarar a sudoeste do Faial, voltou a descolar e amarar a cerca de 200 milhas de Ponta Delgada, e ao fim de 53 horas de navegação marítima auxiliado por dois motores, alcançou o seu porto, muito danificado e incapaz de voar.





Foi o NC-4, o único avião da esquadrilha a terminar a viagem transatlântica, que pelas avarias que teve no início da viagem o tinham apelidado de “Lame Duck” (Pato Coxo), colocando doravante o porto da Horta na rota das carreiras comerciais da hidroaviação internacional, com início em finais dos anos 30 do séc. XX. Ponto de escala e reabastecimento a cidade da Horta serviu de base às novas e pioneiras companhias de hidroaviação como a PanAm (1939-1945), Air France (1939), British Overseas Airways (1941-1945) e a Lufthansa (com os célebres navios catapulta, 1936-1938).

In: Cultura Açores
Ilustrações: Coleção particular

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