sexta-feira, 7 de maio de 2021

Moeda "MALUCO"




"MALUCO"

Moeda obsidional, fundida (*), para circular nos Açores. Esta moeda ficou conhecida por Maluco ou Badalada, dois nomes sugestivos que lembram a sua origem. Badaladas porque foram feitas dos sinos das igrejas (badalos) e daí deriva também o nome de Maluco, pois o povo ao ver arrear das igrejas e ermidas os seus sinos, só poderia, no mínimo, considerar uma medida não muito ajuizada, pois os sinos marcavam a vida das populações, desde regular o trabalho, como servir de meio de comunicação e até como devoção.

A 12 de Setembro de 1829 Teotónio de Ornelas
entrega sete arrobas de sinetes na Casa da Moeda,
no Castelo de São João Batista, para fundição da moeda.


A necessidade de afirmar D. Maria II, como a legítima rainha de Portugal, e a falta de moeda na época, levaram a Junta Governativa, instalada em Angra, a 12 de Abril de 1829, mandar recolher o que houvesse de prata velha, sinos pequenos, sinetas e outras peças de cobre e bronze, para obter moeda.


Selo postal
Fortaleza de São João Batista
em Angra do Heroísmo


Esta foi fundida (*) por Ordem de 7 de Maio de 1829, em dependência do Castelo de São João Batista, seguindo de perto o modelo da peça em ouro, cunhada no Rio de Janeiro, na regência do príncipe D. João.




Corria pelo valor de 80 réis, passando pouco tempo depois a circular por 100 réis, sendo hoje mais conhecida pela designação de «Maluco».

A RÉPLICA


A réplica da moeda "MALUCO"











Carimbo comemorativo



Bilhete-postal comemorativo.




        MOSTRA DA MOEDA "MALUCO"







FOTO-REPORTAGEM
DO EVENTO





António Couto, Presidente da Direção do NFAH
Dr. Francisco Maduro-Dias, Orador convidado
Dr. Álamo de Meneses, Presidente da CMAH
Sr. Rui Castro, Representante dos CTT


RTP AÇORES

LINK: --> *** VÍDEO ***




*** BOM GOSTO ***

O arquiteto José Castro Parreira foi o responsável pelo novo hotel em Angra do Heroísmo, na Rua de Jesus. Aquando as obras foi encontrada uma moeda "MALUCO".
O arquiteto teve uma inspiração divina, reproduzir, numa das paredes interiores, esta simbólica moeda que carrega em si uma das mais belas páginas da história portuguesa.
Com estes gestos de BOM GOSTO divulgam-se episódios relevantes da nossa história terceirense.





(*)

*** MOEDAS FUNDIDAS EM PORTUGAL ***

 

Em Portugal foram poucas as moedas obtidas por fundição:


A primeira foi o “Engenhoso” de D. Sebastião, em ouro, no ano de 1562. Foi um processo experimental destinado a impedir o cerceio do bordo da moeda.


No reinado de D. Pedro II como Regente do Reino, foram emitidas as séries em cobre (real e meio, 3, 5 e 10 reais) desde 1673 a 1677.


Na ilha Terceira, no reinado de D. Maria II, temos os “Malucos“ em bronze, fundidos no ano de 1829.

As moedas fundidas têm a superfície com aspeto poroso, o contorno dos desenhos e letras mais redondo e menos vincado que as obtidas por cunhagem a martelo ou por máquina.


Para este processo, dois moldes à base de areia, um com o anverso e outro com o reverso, são encostados frente a frente e o metal líquido é vazado por um orifício. Depois de arrefecer os moldes são separados e a moeda é limada no bordo para retirar os vestígios da entrada do metal.

As moedas geralmente apresentam pequenas bolhas como resultado da libertação de gases do metal a ferver, como se pode verificar junto ao 80 e por cima dos ramos.


Os desenhos feitos no molde em areia não são tão perfeitos como os dos cunhos da cunhagem manual ou mecânica.


Fonte: Fórum de Numismática




quinta-feira, 6 de maio de 2021

Augusto Gomes (1921-2003)



Augusto Gomes


Nascido em Angra do Heroísmo, a 6 de Maio de 1921, tendo falecido em Novembro de 2003, Augusto Gomes foi Escritor, Investigador, Contista, Jornalista e Autor consagrado de muitas publicações especializadas na área da Culinária, da História e da Etnografia das Ilhas dos Açores. 

Tendo frequentado a antiga Escola Madeira Pinto (Angra do Heroísmo), completaria os seus estudos com o Curso Comercial da antiga Escola António Augusto de Aguiar, no Funchal, em 1940.

Várias vezes premiado em Concursos Literários, de Contos e em Jogos Florais, Augusto Gomes foi assíduo colaborador da Imprensa, da Rádio e Televisão Açorianas. 

Homem de Teatro, escreveu, ensaiou e interpretou as Revistas Alagado pingando, Em mangas de camisa, Talvez te enganes e Faz-me cócegas, tendo também ensaiado e desempenhado o papel principal (“Ti Cândido”) na Opereta Glória ao Divino (1959) de Frederico Lopes, e interpretado a figura de Frei João da Ribeira no Auto Ao mar... (1960) de Coelho de Sousa. Escreveu ainda e ensaiou a Opereta Regional Amor Campestre, levada à cena pelo Grupo Teatral do Posto Santo. 

Entre outras, Augusto Gomes foi também autor das seguintes obras, muitas delas esgotadas ou com edições sucessivas: 

- Cozinha Tradicional de S. Miguel, Prefácio de Silveira Paiva, Angra do Heroísmo, 1988; Cozinha Tradicional de Santa Maria, Prefácio de Maria da Conceição Bettencourt Medeiros, Angra do Heroísmo, 1998; O Peixe na Cozinha Açoriana e Outras Coisas Mais, Prefácio de João Vieira Gomes, Angra do Heroísmo, 2001; Perdoe pelo Amor de Deus, Prefácio de Manuel Coelho de Sousa, Angra do Heroísmo, 1981; Alma da nossa Gente, Prefácio de Jorge Forjaz, Angra do Heroísmo, 1993; Teatro Angrense, Elementos para a sua História, Prefácio de Joaquim Ponte, Angra do Heroísmo, 1993; Filósofos da Rua, Introdução de Sérgio Ávila, Prefácio de Luísa Brasil, Angra do Heroísmo, 1999, e Danças de Entrudo nos Açores, Prefácio de Eduardo Ferraz da Rosa, Angra do Heroísmo, 1999. 

No seu Estudo Introdutório a um dos últimos livros de Augusto Gomes, o Dr. Eduardo Ferraz da Rosa escreveu assim: 

- “Se em Filósofos da Rua bem diversificada e exemplarmente revelou Augusto Gomes o seu pendor evocativo de Contista e Cronista [...], já em A Alma da nossa Gente os usos, costumes, festas, ritos, utensílios, artefactos, devoções, hábitos, crenças, valores, etc., do Povo da Ilha Terceira [...], reaparecem à evidência possível de e para uma visão maravilhada das nossas tradições mais ancestrais. 

“ Naquilo que traduzem, assumidamente entre modelos realistas e ficcionados, das tessituras humanas, socio-históricas e de muitas das topografias referenciais, concretas e imaginárias da Ilha Terceira e da Cidade de Angra do Heroísmo, os livros e os registos coloquiais directos de Augusto Gomes preservam com dignidade um estilo de discurso e de memória locais, marcando e reflectindo uma época, uma linguagem geracional, uma gramática social e uma paisagem poética internamente coerentes. 

“E depois, por todo o conjunto desse articulado e complementar labor de criação, investigação e conteúdo de arquivo patrimonial antropológico, as obras deste terceirense [...] deixam palpitar e entretecer, exactamente pelos tempos e espaços acima e abaixo das múltiplas e respectivas gerações da nossa terra insular, muito do mais decisivo perfil signitivo da alma da Pátria Açoriana”.















domingo, 2 de maio de 2021

Dia da Mãe




A minha mãe foi (e é) a mulher mais bela que jamais conheci. Todo o que sou, lho devo à minha mãe. Atribuo todos os meus sucessos nesta vida ao ensino moral, intelectual e físico que recebi dela. (George Washington)





MÃE...

São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais...
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena
Confessam mesmo os ateus
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!

(Mário Quintana)




O Dia das Mães também designado de Dia da Mãe é uma data comemorativa em que se homenageia a mãe e a maternidade. Em alguns países é comemorado no segundo domingo do mês de maio (como no Brasil). Em Portugal é comemorado no primeiro domingo do mês de maio em homenagem à Virgem Maria e a Nossa Senhora de Fátima, mas pelas pessoas mais antigas é ainda celebrado a 8 de Dezembro.

Nos Estados Unidos, as primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães foi dada pela ativista Ann Maria Reeves Jarvis que organizou em 1865 os Mother's Friendship Days (dias de amizade para as mães) para melhorar as condições dos feridos na Guerra de Secessão que assolou os Estados Unidos no período. Mais cedo, em 1858, Jarvis fundou os Mothers Days Works Clubs com o objetivo de diminuir a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores. Em 1870 a escritora Julia Ward Howe (autora de O Hino da Batalha da República) publicou o manifesto Mother's Day Proclamation pedindo paz e desarmamento depois da Guerra de Secessão.



Mas reconhecida como idealizadora do Dia das Mães na sua forma atual é a metodista Anna Jarvis, filha de Ann Maria Reeves Jarvis, que em 12 de Maio de 1907, dois anos após a morte de sua mãe, criou um memorial à sua mãe e iniciou um campanha para que o Dia das Mães fosse um feriado reconhecido. Ela obteve sucesso ao torná-lo reconhecido nos Estados Unidos em 8 de Maio de 1914 quando a resolução Joint Resolution Designating the Second Sunday in May as Mother's Day foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos instalando o segundo domingo do mês de maio como Dia das Mães. No âmbito desta resolução o Presdiente dos Estados Unidos Thomas Woodrow Wilson proclamou no dia seguinte que no Dia das Mães os edifícios públicos devem ser decorados com bandeiras. Assim, o Dia das Mães foi celebrado pela primeira vez em 9 de maio de 1914.

Com a crescente difusão e comercialização do Dia das Mães Anna Jarvis afastou-se do movimento, lamentou a criação e lutou para a abolição do feriado.



9 de Maio de 1914
Proclamação do Dia da Mãe






DIA DAS MÃES - HOMENAGEM ESPECIAL


Ela tem a capacidade de ouvir o silêncio.
Adivinhar sentimentos.
Encontrar a palavra certa nos momentos incertos.
Nos fortalecer quando tudo ao nosso redor parece ruir.
Sabedoria emprestada dos deuses para nos proteger e amparar.



Sua existência é em si um ato de amor.
Gerar, cuidar, nutrir.
Amar, amar, amar...
Amar com um amor incondicional que nada espera em troca.
Afecto desmedido e incontido, Mãe é um ser infinito.

(Anderson Cavalcante)









sábado, 1 de maio de 2021

Dia do Trabalhador

1.º de Maio




1.º de Maio - Dia do Trabalhador
(Breve história da sua origem)

Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos.

Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA.


No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket..
Três anos mais tarde, no dia 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.





Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países.
Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias.





 Dia do Trabalhador em Portugal



Em Portugal, só a partir de Maio de1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia.

O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado por todo o país, sobretudo com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidas pela central sindical CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical) nas principais cidades de Lisboa e Porto, assim como pela central sindical UGT (União Geral dos Trabalhadores).

No Algarve, assim como na Madeira e Açores é costume a população fazer piqueniques e são organizadas algumas festas nas regiões.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Ruy Telles Palhinha (1871-1957)


 




O Professor Doutor Ruy Telles Palhinha nasceu em Angra do Heroísmo, Açores, a 4 de Janeiro de 1871, e faleceu em Lisboa a 13 de Novembro de 1957.

Selo da série filatélica

Foi professor em liceus de Santarém, onde também foi presidente da Câmara Municipal (1899-1900),e Lisboa, e professor e diretor da Escola Normal Superior de Lisboa, onde ensinou Metodologia Especial das Ciências Histórico-Naturais.



Bilhete-postal


Na Universidade de Lisboa, foi professor e diretor da Faculdade de Farmácia e professor da Escola Politécnica, a atual Faculdade de Ciências, onde foi secretário e dirigiu a Biblioteca e o Jardim Botânico.


Bilhete-postal máximo


Álbum fotográfico.

Clicar em --> Álbum


Foi o primeiro Reitor do Liceu de Camões, em Lisboa, de 1902 a 1911.




 Jardim Duque da Terceira
Passeio Rui Teles Palhinha
Inaugurado a 21 de junho de 2019



A reportagem --> Telles Palhinha






Era sócio da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Real Academia de Córdova, da Sociedade Broteriana, da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, da Société Botanique de France, da Société Botanique de Genève, da Société Linnéenne de Lyon, etc.




Muitos dos escritos do Professor Palhinha - resultantes, sobretudo, das excursões botânicas aos Açores realizadas em 1934, 1937 e 1938 sob a sua direção - incidiram sobre as plantas do arquipélago.

Texto de Inês Duque (Blogue Origens)


domingo, 25 de abril de 2021

Teotónio de Ornelas (1807/1870)




Teotónio de Ornelas


Teotónio de Ornelas Brum Paim da Câmara de Ávila e Noronha Ponce de Leão Bruges de Sousa e Saavedra, 1º visconde de Bruges e 1º conde da Praia da Vitória.


Nasceu em Angra do Heroísmo a 25.04.1807.

Faleceu em Angra do Heroísmo a 25.10.1870.



Herdou, por sua mãe, uma das mais opulentas casas vinculadas da ilha Terceira. Fidalgo cavaleiro da Casa Real por alvará de 30.7.1822.




Desde cedo começou a participar na vida política, aderindo ao movimento liberal, cujos ideais teria bebido em Lisboa, onde viveu na juventude. Regressado à Terceira, foi colaborador do capitão-general Manuel Tovar de Albuquerque, agente do conde de Subserra, enviado aos Açores para serenar os ânimos depois dos acontecimentos do vintismo, sendo nomeado seu ajudante-de-ordens (4.11.1826), mas já desde 1823 que era oficial do Regimento de Milícias da sua cidade.






Desentendeu-se com o capitão-general quando este apoiou o infante D. Miguel e assumiu, então, a responsabilidade de apoiar e promover a revolta de Caçadores 5 a favor da causa liberal, da Carta e da rainha D. Maria II, contra a realeza de D. Miguel, a 22.6.1828.





Era, nessa época, capitão. Foi membro do governo interino formado na sequência desse golpe, e passando a coronel agregado assumiu o comando do batalhão de Caçadores Milicianos. Estabelecida a Junta Provisória, em Outubro de 1828, em nome da rainha, foi encarregado da pasta dos Negócios da Guerra.





Quando a Regência assumiu o governo da Terceira participou, como ajudante-de-ordens do conde de Vila Flor, na conquista das ilhas de Oeste, distinguindo-se no ataque da Ribeira do Nabo, em S. Jorge (9.5.1831), o que o levaria, em 1836, a solicitar a ordem de Torre e Espada, que lhe foi negada.





Foi nomeado inspector-geral das Ordenanças, membro da Junta Consultiva que supriu o Conselho de Estado, e enviado em comissão a Londres e Paris a cumprimentar a rainha e o imperador pela chegada destes à Europa. Apoiante de D. Pedro durante a estada nos Açores, recebeu-o no seu palácio de Santa Luzia (a 5.3.1832) e foi nomeado pelo imperador coronel-comandante dos voluntários nacionais nas ilhas Terceira, S. Jorge e Graciosa, recebendo deste uma exortação de apoio à causa da rainha. Em 9.6.1832, quando D. Pedro deixou  os Açores, foi nomeado provedor do Concelho de Angra, o primeiro da nova orgânica, cargo que exerceu até 1834. Ainda em 1832, foi nomeado comandante-general dos corpos nacionais e chefe da Legião Nacional de Angra, cargo da maior confiança política. Durante o cerco do Porto, a 8.12.1832, D. Pedro concedeu-lhe o título de visconde de Bruges.



Em 1834 pediu a graça de ser nomeado, sem vencimento mas com a graduação de brigadeiro, governador do castelo de S. João Baptista, em Angra, que não lhe foi concedida.





Com o estabelecimento do regime liberal foi eleito deputado às primeiras Cortes, em 1834, mas logo no ano seguinte, a 1.10.1835, foi nomeado Par do Reino com direito a sucessão. Foi governador civil do distrito de Angra de 26 de Março a 4 de Maio de 1836. Aderiu à revolta de Setembro, mas não se sabe desde quando se havia convertido à esquerda do liberalismo. Não apoiou, por isso, os Pares no protesto àquela revolta.





Em 8.10.1836, à frente do Batalhão dos Voluntários da Rainha, aclamou a Constituição de 1820 na Terceira e foi despachado administrador geral do distrito, cargo que exerceu de 18.11.1836 a 27.9.1839. São notáveis os seus relatórios sobre a situação económica e social das ilhas sob o seu governo.





Em 1837 foi condecorado com a comenda da Ordem de Cristo. Continuou a sua carreira de militar de 2ª linha e em 25.10.1839, na nova organização, foi nomeado coronel-comandante do Batalhão de Voluntários da Rainha.





Em 1843 presidiu à comissão encarregada de erigir

o monumento em Angra à memória de D. Pedro IV.


A Memória foi o primeiro monumento erguido em Portugal para homenagear D. Pedro IV, o monarca que se deslocou aos Açores, em 1832, para liderar as tropas que lutavam pela implantação do regime liberal.


A ideia de erguer-lhe um monumento foi decidida em 1835, mas contratempos vários foram adiando o projecto. 




Uma cerimónia de grande pompa que movimentou todas as autoridades da ilha. Um cortejo saído da Câmara Municipal subiu a Rua da Sé, passando pela Rua do Rego em direcção à Miragaia para terminar no largo do antigo Castelo dos Moinhos.

Com os donativos que foram sendo recolhidos, a pirâmide ficou concluída em 1856. Após uma pausa nas obras, os trabalhos de ordenamento do espaço circundante iniciaram-se em 1862, desconhecendo-se a data em que foram concluídos. O lado do quadrado da base da pirâmide tem 6,82 m e a altura atinge os 21,76 m.

De evidente simbologia maçónica, teve a sua pedra fundamental lançada a 3 de Março de 1845, estando concluído em 1856. Essa primeira pedra foi recolhida no cais da cidade, sendo uma das que o imperador havia pisado quando de seu desembarque naquele local, em 1832. As pedras do antigo castelo foram reaproveitadas para a construção do obelisco.

Este monumento foi praticamente destruído pelo grande terramoto de 1980, que provocou enormes estragos nas ilhas do Grupo Central do arquipélago.

Foi reconstruído e reinaugurado pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo em 25 de Abril de 1985.







Durante a guerra civil contra os Cabrais presidiu em Angra à junta governativa em nome do governo supremo do Reino, a 22.4.1847, e comandou o batalhão nacional criado por essa mesma junta. Com o acordo político que deu início à Regeneração, tendo apoiado a revolta de Saldanha, chefiou a partir de 1851 o Partido Histórico, como anteriormente chefiara os reformistas e os setembristas, no distrito de Angra do Heroísmo, entrando assim no novo cenário constitucional cartista. Desempenhou por várias vezes, desde 1831, o cargo de presidente da Câmara Municipal da sua cidade natal e nessa qualidade aclamou os reis D. Pedro V e D. Luís.





Em 1863 foi-lhe concedida a medalha de D. Pedro e D. Maria Nº 9, e a 28 de Julho do mesmo ano foi elevado a conde da Praia da Vitória.





É uma das personagens mais interessantes da história política e social do período do liberalismo nos Açores e tornou-se o paradigma do herói romântico e símbolo de uma época, sendo sucessivamente invocado na memória colectiva, em especial da Terceira. Porém, não existe uma biografia isenta e científica desta personalidade. J. G. Reis Leite (Jul.2000)



Brasão de Armas do 1.º Conde da Praia



Salão Nobre da CMAH em 1903


Salão Nobre da CMAH em 2011


No salão nobre dos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo existe um retrato a óleo de Teotónio de Ornelas Bruges, visconde de Bruges, executado pelo pintor italiano Giorgio Marini. O retrato foi descerrado em cerimónia realizada a 1 de Janeiro de 1874, recordando aquele que, logo após a instauração do regime constitucional, foi o primeiro Presidente de Câmara eleito em Portugal.


Casa da Câmara Municipal em 1857

Bibl. Maia, F. A. M. F. (1988), Capitães-generais (1766-1831). 2ª ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural: 251 e segs. Silva, F. J. (1953), A fidelidade da ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira: 48-50. Soares, E. C. C. A. (1944), Nobiliário da Ilha Terceira. Título de Pereiras. 2ª ed., Porto, Liv. Fernando Machado, II: 228. Valadão, F. L. (1964), Evocando figuras terceirenses. Angra do Heroísmo, E. Tip. Angrense. Id. (1944), O último capitão-general do regime absolutista na ilha Terceira. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, II: 21-165.


Fonte: DRC Açores










 MUSEU EM EXPOSIÇÃO|
'Histórias de Vulto'
Teotónio de Ornelas [ 25 abril,1807 - 25 outubro,1870 ]
Unidade de Gestão de Belas-Artes

Galardoado com o título de Visconde de Bruges e, mais tarde, de Conde da Praia da Vitória, Teotónio de Ornelas foi uma figura fulcral para o triunfo da causa liberal, delapidando toda a sua fortuna, quer no vencimento dos oficiais e alimentação das tropas, quer na submissão das ilhas ocidentais à Constituição. Tal empenho valeu-lhe o ser considerado por todos "como a alma, o braço e o esteio da revolução".

Texto 'in' Roteiro Liberal, 1995









Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e o Grémio Atlântico – Associação Cívica, Cultural e Solidária levam a efeito no dia 31 de outubro próximo, pelas 11 horas, a inauguração de um Memorial de Teotónio de Ornelas Bruges, da autoria de Dimas Simas Lopes, junto à entrada do Observatório Meteorológico José Agostinho, em Santa Luzia, Angra do Heroísmo.





Recorda-se que neste local existiu o Palácio de Santa Luzia (demolido nos inícios do século XX e agora reproduzido num painel azulejar a partir de desenho de Emanuel Félix Filho), onde viveu Teotónio de Ornelas Bruges, Visconde de Bruges e 1º Conde da Praia, .

Personagem da maior relevância na sociedade terceirense novecentista, Teotónio de Ornelas, foi o primeiro presidente de câmara eleito em Portugal. Temido e respeitado pelos seus adversários políticos, foi um acérrimo defensor das ideias liberais e um destacado chefe da Maçonaria local.

Esta homenagem da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e do Grémio Atlântico, ocorre por ocasião dos 150 anos do seu falecimento em 25 de outubro de 1870.