quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

O Castelo de São Sebastião


O CASTELO DE SÃO SEBASTIÃO
 DE ANGRA DO HEROÍSMO


Castelo de São Sebastião
(Castelinho)
A pirataria aparece nos mares dos Açores logo nas primeiras décadas do século XVI, mas só pelos anos cinquenta surgiu fundado receio de que as acções de pilhagem pudessem atingir o próprio porto de Angra, na Ilha Terceira, então escala obrigatória nas viagens de retorno das Índias.

1881 - Planta do Castelinho (Damião Pego)
Simultaneamente com o artilhamento do Castelo de São Cristóvão (Memória), manifestamente inócuo na perspectiva defensiva da baía, Tomasso Benadetto, de Pesaro, traça, em 1567, o plano defensivo da ilha Terceira, nomeadamente da nóvel cidade de Angra. Peça fundamental desse plano, foi o Castelo de São Sebastião, vulgo Castelinho, cuja construção se terá iniciado em 1572, mas cujas obras já estariam suficientemente adiantadas em 1576 para ser-lhe atribuída alcaidaria.


Séc. XIX - Castelinho

Torna-se o Castelo de São Sebastião, a partir dessa data, não apenas num reforço substancial do sistema defensivo anterior, mas no garante efectivo da segurança do porto oceânico de escala obrigatória das rotas marítimas intercontinentais. Graças a ele, a cidade pôde desenvolver-se e prosperar. Defesa tão eficaz que afasta a esquadra de D. Pedro de Valdez, em 1581, levando-o ao malogrado desembarque na Salga. Em 1582, chegado vencedor da batalha naval de Vila Franca do Campo contra a esquadra francesa enviada aos Açores em apoio da causa do Prior do Crato, o Marquês de Santa Cruz, ao serviço de Filipe II de Espanha, Filipe I de Portugal, não se atreve a acometer a cidade (nem a Ilha); e, no ano seguinte, é na baía das Mós que desembarca vitorioso, entrando em Angra pelo portão de São Bento, vedado que lhe fora o acesso por mar, pelo poder de fogo do Castelo de São Sebastião -agora já secundado pelo forte de Santo António que Ciprião de Figueiredo mandara construir na ponta sudeste do Monte Brasil -.E no Castelo de São Sebastião receberá a rendição formal das tropas francesas.
Séc. XX - Castelinho

Já sob o governo de espanhol João de Horbina, em 1589, o corsário inglês Francis Drake -ascendido a sir pelas suas vitórias contra o império de Filipe II, nomeadamente, sobre a Armada Invencível -vê frustrada a sua tentativa de saquear os navios carregados de importantes drogas, vindas das possessões ultramarinas surtos no porto de Angra, face à ameaça que o Castelo de São Sebastião representava. Em 1597, idêntico episódio acontece com o conde de Essex que sulca as nossas águas com cerca de 140 velas, e que impusera pesado saque à ilha do Faial.

O estabelecimento em Angra de uma guarnição espanhola se, como se vê, concitou maiores perigos para a cidade, reforçou, também, o valor estratégico da sua fortaleza. Logo nesse mesmo ano de 1583 se iniciam obras de melhoramento na Castelo de São Sebastião, com especial destaque para algumas instalações para homens e materiais, e para o reforço da frente voltada a terra onde a muralha era baixa e desprovida de qualquer sistema protector. Com efeito, a construção do Castelo de São Filipe do Monte Brasil nasce, essencialmente, da incapacidade fisica do Castelinho, desde o início vocacionado para a defesa marítima, de albergar e proteger os homens e os armamentos que o rei de Espanha queria colocar estrategicamente a meio caminho entre a Europa e as Américas. Mas a defesa específica do porto de Angra, essa continua confiada ao Castelo de São Sebastião, tal como reconhece um século depois o Padre Maldonado: este castelo é de notável importância, e tanto que dele depende a segurança da cidade enquanto ao mar. E como confirmam os acontecimentos ocorridos e 1641 e 1642. Perante os fundados receios de que, da parte dos terceirenses, pudesse vir um movimento restaurador com o consequente ataque ao Castelo de São Filipe, o governador espanhol diligenciou para que o Castelo de São Sebastião fosse demolido. Por temer que daí fosse atacado o Castelo de São Filipe? A questão estava - foi - no controlo do porto de Angra. Primeiro, o curioso episódio da conquista do Castelinho pela companhia e pelas mulheres da Ribeirinha, com a ajudinha traiçoeira do artilheiro português ao serviço dos espanhóis, Caldeirão. Depois, as tentativas frustradas do governador estrangeiro, D. Álvaro de Viveiros, para enviar ao seu rei pedido de auxílio a partir do porto de Angra, e o desembarque aqui negado a reforços espanhóis, vindos em apoio dos citiados no Castelo de São Filipe. Com o Castelo de São Sebastião no centro de tudo isso!

Século XIX - Planta do Castelinho
A partir daí o Castelinho entra em declínio? Seguramente, não! (Ou tão só na medida em que o porto de Angra perde importância estratégica.) No reinado de D. Pedro II, em 1698, importantes obras são efectuadas na Castelo de São Sebastião. Tão importantes que na lápide evocativa dessas obras, colocada sobre o portão, é usado o termo reedificaram.


Em 1767, João Júdice, na revista que fez a todos os fortes da ilha, regista alguma ruína na fortaleza, não mais do que no Castelo de São João Baptista. É o reflexo do abandono a que a defesa militar dos Açores fora votada há muitas décadas. Como naquela data regista João Júdice, a artilharia que então por cá existia era exactamente a mesma e apenas a que os espanhóis haviam deixado em 1641. A guarnição do Castelo de São Sebastião era, então, dada pelo Castelo de São João Baptista, sob o comando de um capitão. Isto é, continuava a ter guarnição permanente. E o cargo de Capitão do Castelo era disputado, movendo influências na corte. Por este tempo o Castelo de São Sebastião terá sido objecto dos necessários melhoramentos, tal como parte da restante fortificação da ilha.

 Séc. XX - Castelinho (Tourada no Porto de Pipas)
No final do século, a partir de 1797, é grande o temor de que os Açores possam ser atacados pelas tropas francesas. Numa situação de penúria extrema de armas e munições, o armamento do Castelo de São Sebastião sempre esteve nas preocupações dos responsáveis pela defesa da ilha. Ele continuava imprescindível para a defesa da cidade. Como imprescindível se mantinha em 1822, a crer na planta do sistema defensivo da baía de Angra, desenhada por José Carlos de Figueiredo.

Castelinho (Vista aérea)
Extraordinária relevância foi dada pelos liberais no sistema defensivo mantido para contrariar qualquer tentativa de desembarque das forças absolutistas (1828-1832).

Foram executadas importantes obras na frente voltada ao mar com a construção da bateria da heroicidade; o Castelo teve governador próprio.

Com a saída das tropas liberais, ter-se-á dado início a um processo de degradação da fortaleza. Pelos anos cinquenta são propostas obras de restauro, mas uma relação de 1862 já o dá em bom estado de conservação, o que significa que ainda valia como posição estratégica a contar na defesa do porto de Angra. E um relatório do Corpo de Engenharia, datado de 1868, informa que ele estava guarnecido, tal como o Castelo de São João Baptista, de que dependeria.

Castelinho (ao fundo)
lnsubstituível na defesa da baía de Angra durante três séculos, agente do desenvolvimento da cidade cosmopolita, o Castelinho foi, entretanto, testemunha e espaço de muitos episódios da vida social e política local e regional, servindo, nomeadamente de prisão a perseguidos pela justiça ou pelos poderes públicos, e de depósito de recrutas vindos das diversas ilhas do Arquipélago nas frequentes levas, nomeadamente, do século XVIII, enquanto aguardavam embarque para o Reino, para o Brasil ou para outras paragens lusas.


Castelinho - Portão de Armas
Quando em 1885 grassou em Espanha uma epidemia de cho/era morbus e se receou, com justos motivos, que ela invadisse Portugal e pudesse chegar aos Açores, o Governo Civil do Distrito de Angra do Heroísmo pediu ao Ministério do Reino que obtivesse do Ministério da Guerra autorização para construir, no Castelo de São Sebastião, um lazareto, a fim de ali serem tratados, vigiados e saneados todos os indivíduos que chegassem à Ilha, vindos de portos suspeitos de tal epidemia. Não havendo razões que contrariassem esta pretensão, face ao clima de segurança militar que então se vivia no Arquipélago, foi ela satisfeita, e instalado o lazareto no terrapleno baixo -Bateria da Heroicidade -, com trânsito directo para o Porto das Pipas por uma pequena porta aberta na muralha.

Um relatório de 1887 regista o mau estado de conservação da fortaleza, propondo e seu encascamento e a reposição de pedras em falta nas raízes das muralhas.

1942 - Carta censurada e perfurada  (para ser desinfectada)
 expedida de Londres para Angra
Nos primeiros anos do passado século, a Junta Geral do Distrito de Angra do Heroísmo satisfazendo a uma necessidade há muito reclamada pelos povos deste distrito encomendou um projecto (1902) e deu início à construção (1904) de um Posto de Desinfecção Terrestre e Marítimo no Castelo de São Sebastião.





A localização deste posto no Castelinho foi bem escolhida. Destinado à desinfecção de pessoas, roupas, bagagens e mercadorias que por mar chegassem, ficava mesmo ali à mão, à saída do cais do Porto das Pipas; mas concebido, também, para responder ao frequente aparecimento e desenvolvimento na Terceira de doenças de carácter classificado de epidémico, tais como febre tifóide, meningite cérebro-espinal, difterias, varíola, tuberculose, escarlatina, carbúnculo, sarampo, situava-se à distância de isolamento necessária, relativamente ao aglomerado urbano de então.

Castelinho - Brasão de Armas
Não foram, porém, pacíficas estas obras. Do projecto constava o rasgamento da muralha a Oeste, para acesso ao interior do forte, o que levou o Exército a pedir o embargo das obras. Reconhecendo que o Posto de Desinfecção era indispensável para a cidade e que o forte era o local adequado para a sua instalação enquanto razões de ordem defensiva não se sobrepusessem, o Exército opôs-se a alterações na estrutura arquitectónica, pelo seu grande valor como monumento histórico, valor este proveniente da sua antiguidade e dos feitos heroicos que a ele estão ligados.

De forma diversa se pronunciou o Presidente da Junta Geral de Angra do Heroísmo para quem o Castelo de São Sebastião [...] Como monumento histórico ou de arte é também de pouco valor, pois não possue obras de arquitectura que o recomendem, nem a ele se acham ligados factos da nossa história militar ou política que lho avolumem. E para acabar com as disputas, propunha a cedência definitiva da propriedade à Junta Geral.

Castelinho - Ponte sobre o fosso (Acesso)
A postura esclarecida e o prestígio do Exército venceram, e, por auto de cedência precária, de 10 de Julho de 1905, o Castelinho foi entregue à Junta Geral para conclusão das infraestruturas do Posto de Desinfecção, obras a todo o tempo removíveis, com reserva absoluta de intervenção nas muralhas ou outras obras defensivas sem prévia autorização do Exército.

Só em 1935 o castelo de São Sebastião voltou à posse do Exército.


Castelinho - Vigia
Por entretanto o Posto de Desinfecção ter sido transferido para outro local da cidade? Por necessidade de instalações do Exército na previsão de novo conflito armado? O estado lamentável em que se encontravam as instalações do Posto de Desinfecção, paralelamente com a construção de novas instalações algures na cidade sugere que, se tratou da dispensa do Castelo para esse fim, por falta de condições. Não só, aliás, as instalações do Posto de Desinfecção estavam degradadas, mas toda a estrutura defensiva se encontrava profundamente arruinada, passado que fora mais de meio século sem que obras de manutenção fossem feitas.

Castelinho - Vista sobre os ilhéus
Veio o Castelo de São Sebastião a acolher, sucessivamente, a Bateria de Artilharia de Defesa Móvel de Costa n.O 2, Depósito de Presos da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, Quartel das Forças Britânicas, 3.0 BE do GACA n.o 1 da Base Aérea n.o 4, Serviço de Obras de Engenharia do Comando Militar da Terceira, e Capitania do Porto de Angra do Heroísmo, ocupante até há pouco.

Para além do Castelo de São Sebastião ter sido uma presença constante e interveniente em mais de quatro séculos de vida de Angra do Heroísmo, importante é, também, no plano arquitectónico, pela sua tipologia.

Castelinho - Bateria baixa
De que há conhecimento, a primeira fortificação erguida em Angra (e nos Açores), data da segunda metade do século XV: o Castelo dos Moinhos ou de São Cristóvão. 

Necessariamente ainda de concepção medieval, pouco conhecemos da sua arquitectura, por falta de representações iconográficas credíveis. Dos pequenos fortes que se lhe seguiram no perímetro da baía de Angra, também pouco sabemos, embora, aqui, estejamos em crer que as construções já seriam muito mais adequadas às necessidades defensivas contra o poder de fogo da artilharia dos navios hostis. Mas é com a construção do Castelo de São Sebastião que Angra é dotada de uma moderna fortificação, à altura das necessidades defensivas de uma cidade que passara a estar na confluência das grandes rotas marítimas intercontinentais. Para o projectar, veio a Angra, como se disse, Tomaso Benedetto, engenheiro italiano, da pátria de Leonardo da Vinci e dos mestres construtores de fortificações no século XVI, nomeadamente Tiburcio Spanochi, o projectista do Castelo de São João Baptista do Monte Brasil.


1941 - Cartografia da Baía de Angra
As muralhas perdem a altura do castelo medieval e ganham a robustez necessária para contrariar o poder destrutivo da artilharia; as torres dão lugar a dois baluartes virados a terra, desenvolvendo-se duas ordens de baterias para o lado do mar. O interior é espaçoso, nele se erguendo até inícios do século passado, praticamente apenas a casa do Governador e a cisterna; ficando os alojamentos para o ajudante e a guarnição adossados aos baluartes; os próprios paios abriam-se sob o terrapleno dos baluartes.


1870 - Cartografia de Angra
Com objectivos exclusivamente estratégicos, quanto menos edificios comportasse, menor seria, logicamente, a destruição, em caso de ataque. Para além de ter sido concebido para ser guarnecido por ordenanças, gente do povo, com suas casas e família na cidade, que apenas ali permanecia o tempo necessário para prestar serviço. Um exemplar de excepção, pela tipologia e pelas ressonâncias históricas e sociais, do primeiro abaluartado nacional e da fortificação defensiva destas Ilhas.






Obras empreendidas pelos Monumentos Nacionais em meados dos anos noventa últimos, vieram reabilitar a antigo casa do governador e, parcialmente, o quartel do ajudante e caserna das praças. Por outras palavras, foram criadas as condições que permitiam o alojamento da Marinha nos edificios tradicionais do forte, e a remoção das construções recentes, sem qualidade estética, e perturbadores da harmonia arquitectónica e funcional do sistema defensivo. O Castelinho podia assumir plenamente a sua natural função cultural e pedagógica. Só que, pela mão do Governo da Região Autónoma dos Açores e da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, no interior é construída uma Pousada de Portugal, ficando do sistema defensivo do mais antigo edifício da cidade património mundial, referência monumental estruturante no processo da sua inclusão na lista de classificação da UNESCO, apenas as muralhas e os modestos alojamentos castrenses, transformados em mais valia ornamental do empreendimento turístico.

Texto de : Manuel Faria 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Dia de Reis (6 de Janeiro)




6 de Janeiro a Igreja celebra a adoração dos Reis Magos, conhecida como Epifania. Popularmente a ocasião é aproveitada para cantar os Reis, por ranchos que vão de porta em porta, desejar um bom ano. A tradição resiste na ilha Terceira.

A tradição do cantar os Reis ou Janeiras, perde-se no escuro dos tempos. Nos Açores há referências escritas e seguras a esta tradição popular para o séc. XVIII, no caso da ilha Terceira.





Como muitas tradições semelhantes, esta quase se perdeu com os ventos do 25 de Abril de 1974, mas aos poucos foi sendo recuperada. E hoje, na Terceira, depois de alguns grupos de danças e cantares tradicionais terem feito pesquisa, é possível ouvir as modas que compunham a actuação dos ranchos de Reis. Esse trabalho resultou numa reprodução quase fiel das toadas que se ouviam na primeira metade do séc. XX.

José da Lata (José Martins Pereira) proeminente cantador e tocador popular da primeira metade do séc. XX. A ele se deve o incremento das danças e cantares tradicionais da Terceira.

José da Lata (na foto) e Manuel Valentim, acompanhados com alguns músicos da Terra Chã, faziam cumprir esta tradição, visitando famílias amigas por todas as freguesias. Outros ranchos se faziam também ouvir ao redor da ilha.

Rancho de "Reises" do grupo de folclore MODAS DA NOSSA TERRA, da ilha Terceira. Uma das raras representações dos ranchos de antigamente, obedecendo em tudo à tradição, desde as vestes até às modas que eram interpretadas.

Hoje, a tradição só não é o que era, como descambou, misturando em desfiles organizados por câmaras municipais, os verdadeiros (poucos) ranchos de Reis, com grupos de igreja que vêm à rua, no mesmo dia, entoar cânticos de louvor à virgem e ao Menino Jesus, fora do contexto dos ranchos tradicionais. 




Por muito boa que fosse a intenção das Câmaras Municipais na promoção da tradição (e a da Praia da Vitória, por exemplo, a um tempo, foi louvável), a verdade é que os desfiles de ranchos transmitem uma imagem errada da mesma. Estes ranchos (os verdadeiros) cantam à porta da moradia e não são objecto de desfile. Talvez que as câmaras pudessem virar a página promovendo a recuperação da tradição genuína e incentivar os grupos a actuarem em cenário natural, de porta em porta. Seria uma valorização assinalável desta bonita manifestação.



Os ranchos de Reis eram compostos só por homens, trajando roupa costumeira e cobertos do frio com um xaile negro e chapéu. Na mão, levavam um bordão. Uns cantavam e outros tocavam. Um deles levava a candeia que alumiava nas ruas e canádas escuras, por onde o rancho passava. Em muitos casos, um cão precedia o grupo e dava o primeiro sinal de chegada. As modas eram sempre as mesmas e saudavam os donos da moradia, desejando um bom ano, pedindo licença para entrar, dançando no meio da casa e despedindo-se com a promessa de voltar no ano seguinte.


As velhas e características toadas eram magistralmente interpretadas a três vozes, sendo uma delas muita aguda, exigindo uma potente garganta. A esta o povo chamava a” voz de tripa”. No meio da casa havia iguarias e bebidas também tradicionais, para retemperar as forças e encorajar o rancho a partir para outra visita. Para o povo era uma honra receber os Reis.



Finalmente, uma referência para a preservação da tradição no sul do Brasil, para onde foi replicada pela grande vaga de emigração dos Açores para Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Hoje persistem naquelas paragens os “terno de Reis”, com a mesma composição, versos e toadas levadas há 250 anos! Por aqui se vê a antiguidade de uma das mais genuínas tradições populares da Terceira e dos Açores.

Texto de Victor Alves in FB









A HISTÓRIA DOS REIS MAGOS










Quem foram os Reis Magos?

A história dos reis magos é narrada na Bíblia, no Evangelho de S.Mateus. A descrição presente na Bíblia não apresenta detalhes sobre eles, refere a sua origem como sendo o Oriente. Não é possível confirmar que tenham existido.

Os reis viram uma estrela, a estrela de Belém e foram guiados até ao local onde se encontrava Jesus. Ao encontrarem Jesus ofereceram-lhe três presentes: ouro, mirra e incenso.
Mas estamos mesmo a falar de reis?

A Bíblia não os designa como reis . Utilizam-se os termos “magos”, “sábios”, “homens que estudavam estrelas". O termo “magos” poderia ser uma referência a homens estudiosos, a astrónomos.
Na tradição cristã designam-se os magos como reis. Os historiadores não sabem explicar como tal aconteceu e nem o momento específico, mas acredita-se que a utilização de “reis” para referir-se aos magos terá acontecido entre o final da Antiguidade Clássica e o início da Idade Média.



Qual a origem dos magos?

A Bíblia refere que os magos vinham do Oriente, um documento escrito por um Doutor da Igreja de meados do século VII, São Beda, o Venerável, menciona os locais de origem dos magos. Estes locais são: Ur, na terra dos Caldeus, para o caso de Melchior (também conhecido como Belchior); regiões próximas do Mar Cáspio para Gaspar, e proximidades do Golfo Pérsico para Baltasar. Segundo esse relato, os magos são originários da Babilónia, Pérsia e Arábia, mas, certezas não existem. Para São Beda, assim como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles, os magos representavam três raças humanas, em idades diferentes.


Os magos eram mesmo três?

Também não se sabe. Foram oferecidos três presentes a Jesus e a tal facto associou-se a ideia de 3 magos. Existem estudos realizados em documentos antigos que sugerem a existência de outros magos, no entanto tal não pode ser confirmado. Existem relatos que referiam que os magos eram doze, assim como os apóstolos, outros sugerem que eles eram quatro.


Os restos mortais dos reis magos estão em Colónia?

Quem visita a catedral de Colónia, na Alemanha,é informado de que ali repousam os restos dos reis magos. De acordo com uma lenda medieval, teria ocorrido um reencontro dos magos mais de 50 anos depois do primeiro Natal, na Turquia, onde viriam a falecer. Posteriormente os seus corpos foram levados para Milão, onde permaneceram até o século XII, quando o imperador germânico Frederico Barba - Roxa levou os restos mortais para Colónia.



E qual o significado dos presentes oferecidos?

A Bíblia refere que os magos levaram ouro, incenso e mirra quando visitaram Jesus Cristo. Todos estes presentes têm um simbolismo: o primeiro, evidentemente, corresponde a um rei; o incenso é usado no sacrifício a Deus; a mirra, embalsama os corpos dos mortos. Ao oferecer ouro a Jesus, os magos estavam a mostrar que o consideravam “rei dos judeus”. O incenso simboliza a seiva da vida e os aromas com que os crentes costumavam orar. Quanto à,mirra é uma erva, produzida por uma árvore com espinhos africana. Era usada para curar feridas e também na prática do embalsamamento no Egito. Quando Jesus foi crucificado, a mirra terá sido usada para embalsamar o seu corpo.



Fonte: Blogue Estórias da História




sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Sismo d'oitenta (41 anos)





Sismo dos Açores de 1980

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sismo dos Açores de 1980, ou sismo d'oitenta, foi um sismo que ocorreu às 15H42 (hora local) do dia 1 de Janeiro de 1980, no qual entre seis a sete dezenas de pessoas faleceram e mais de 400 ficaram feridas, causando sérios danos na Ilha Terceira e afectando Graciosa e São Jorge. Com uma magnitude de 7.2 na escala de Richter, também se fez sentir nas ilhas do Pico e Faial, resultando numa fractura de deslize, algo típico no historial de sismos do Arquipélago dos Açores.



Depois do sismo, o então Presidente da República Portuguesa António Ramalho Eanes anunciou três dias de luto nacional, enquanto os esforços de ajuda humanitária, iniciados pela Força Aérea Portuguesa foram rapidamente enviados ao local por agências governamentais.


Geologia



Três décadas antes, outro grande sismo havia atingido a região do arquipélago, e este era o maior sismo desde então. De origem vulcânica, os Açores situam-se numa área tectonicamente complexa de ambos os lados da cordilheira mesoatlântica, entre os limites das placas euro-asiática e africana, formando a sua própria microplaca. O sismo de 1980 foi o resultado de um movimento ao longo de uma falha tectónica.


Quando as réplicas do sismo cessaram, deu-se início ao estudo do acontecimento, uma deformação que deu origem ao evento. O movimento da crosta foi semelhante aos sismos anteriores que haviam atingido o arquipélago. Para estes sismos, os cientistas determinadas que o plano nodal era o responsável, tendo em consideração o corte no lado direito.


Todas as falhas nesta área são orientadas para o deslizamento numa grande escala. Devido a esta pesquisa, a informação recolhida aponta agora para que o vulcanismo dos Açores seja controlado pelo movimento dos sismos.


Na Ilha Terceira, a mais afectada pelo sismo, os sismos mais destruidores ocorreram desde o século XVI, destacando-se os sismos de 1547, 1614, 1841 e este de 1980.

Danos e baixas

O sismo ocorreu às 15h42 (hora local) do dia 1 de Janeiro de 1980, foi de magnitude 7.2 na escala de Richter e deu-se a cerca de 35 quilómetros a su-sudoeste de Angra do Heroísmo. Isso causou danos consideráveis em três ilhas: Terceira, São Jorge e Graciosa, destruindo vários edifícios. De acordo com os relatórios locais, cerca de 70% das casas da Ilha Terceira foram demolidas, incluindo o centro histórico da cidade de Angra do Heroísmo. 


Em termos gerais, os edifícios públicos como as sedes governamentais permaneceram intactos, as igrejas, embora, na maioria dos casos, tenham permanecido de pé sofreram danos muito significativos, enquanto outros edifícios cederam. Serviços essenciais, como a electricidade e a água, ficaram cortadas em várias áreas.



Inicialmente, o numero de mortes foi fixado em 52, mas posteriormente contabilizou-se 61 e, mais tarde ainda, 73. Além disso, foram contabilizadas cerca de 300 pessoas feridas, embora posteriormente o número tenha ultrapassado as 400.



Pelo menos vinte mil pessoas ficaram desalojadas, e danos menores foram registados nas ilhas do Pico e do Faial. Na Base Aérea das Lajes, onde se encontra colocada a Força Aérea Portuguesa, um destacamento da Força Aérea dos Estados Unidos e, na época, um destacamento da Marinha dos Estados Unidos, não houve nenhuma baixa e os danos foram mínimos.



Esforços de socorro

A Força Aérea Portuguesa, a Marinha dos Estados Unidos e a Força Aérea dos Estados Unidos, estacionados na base das Lajes, trabalharam em ajuda às populações locais, abrigando mais de 150 famílias; a Força Aérea Portuguesa levaram mantimentos e bens essenciais às vítimas do sismo, enquanto a corveta João Coutinho da Marinha Portuguesa levou médicos para o local. O Presidente da República, Ramalho Eanes, voou num avião até ao local, acompanhado por pessoal médico e suprimentos.


Os funcionários locais, incluindo a PSP, Guarda Fiscal, Bombeiros e o RIAH (Regimento de Infantaria de Angra do Heroísmo) abriram caminhos e limparam vias de circulação para a passagem de meios de transporte com suprimentos e pessoal médico. Em resposta ao sismo, estes funcionários públicos também estiveram envolvidos na busca de sobreviventes nos escombros. Imediatamente após o desastre, foram instaladas tendas para substituir temporariamente as casas destruídas para aproximadamente 200 famílias. Casas portáteis também foram construídas pelo projecto People and Prople International, o que resultou em mais 100 abrigos.


Três dias de luto nacional foram declarados por Ramalho Eanes. Depois dos esforços de socorro às populações, dezanove estações sismográficas foram instaladas pela região para monitorizas as actividades sísmicas. Onze destas instalações foram usadas para monitorizar a actividade sísmica, enquanto as outras oito também serviam para a recolha de informações sobre as áreas geotérmicas.
O sismo ajudou a que centenas de pessoas das ilhas decidissem emigrar para os Estados Unidos.
In: Wikipédia

O Pe. Francisco Dolores, então Pároco de Santa Bárbara,
divulgada, através desta carta, os cuidados a ter após-sismo.

O jornalista João Manuel Aranda e Silva, na edição de Junho/Agosto de 1980, no Jornal do Exército (Regimento de Infantaria de Angra do Heroísmo), escrevia, detalhadamente, a sua vivência do terramoto e  o seu conhecimento histórico sobre a fortaleza de São João Batista.










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40 anos depois.