quarta-feira, 18 de março de 2026

Duque da Terceira (1792-1860)




 *** DUQUE DA TERCEIRA ***

~ António José Severim de Noronha ~

A 18 de março de 1792, nascia o 1º Duque da Terceira, símbolo da luta liberal contra o Absolutismo e comandante dos liberais. Foi o grande responsável pela preparação das tropas na Terceira e pelo desembarque no continente português. Foi nomeado Capitão-General dos Açores por carta régia em abril de 1829, por D. Maria II, ainda exilada, para defender o único baluarte liberal no país. Não sendo terceirense, acabou por abraçar o povo local, que se rendeu aos seus ideais e apoiou-o na luta pela Liberdade.
D. António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha nasceu em Lisboa e com apenas dois anos de idade perdeu o pai, sucedendo-lhe, então, como Conde de Vila Flor. A Europa absolutista caía e os ideais franceses de Liberdade, Igualdade e Fraternidade ecoavam por todo o lado. Assim, o futuro Duque da Terceira cresceu em plena difusão dos ideais liberais e participou nas Guerras napoleónicas, tendo sido agraciado pelo seu empenho e bravura.



Durante os anos seguintes, desempenhou vários cargos, sendo nomeado Par do Reino, aquando da promulgação da Carta Constitucional de 1826 e depois Governador das Armas da Província do Alentejo, tendo logo de reprimir algumas insurreições militares que se levantaram a favor do Absolutismo. Começava a sua luta pelo Liberalismo. No Alentejo, Vila Flor comandou o exército, repelindo os absolutistas em várias zonas do país. As vitórias valeram-lhe o título de Marquês de Vila Flor e a nomeação para governador das armas do Porto. Com a chegada de D. Miguel a Portugal, o Absolutismo ganhou força e Vila Flor foi demitido, saindo de Portugal. Era a época do seu exílio em Inglaterra. Portugal sucumbia ao Miguelismo.


A Ilha Terceira que se tinha tornado o último baluarte do Liberalismo, passou a atrair Vila Flor, que pretendia continuar a sua luta. O Duque de Saldanha, próximo de Vila Flor, partiu para a Ilha e este depois juntou-se a Saldanha. O Duque de Palmela, outro liberal, nomeou-o Capitão-General dos Açores. Vila Flor conseguiu escapar aos britânicos e instalar-se na Terceira. A sua primeira ação foi terminar com as discórdias e divisões locais, aproximando-os para a defesa da causa liberal. A seguir, organizou-se a resistência aos ataques de D. Miguel. Mouzinho da Silveira era nomeado secretário militar, assim como o barão de Monte Pedral, chefe do estado-maior. Eram homens capazes.


Na atual Rua Direita, junto à Praça Velha, foi fixada a residência de Vila Flor. Este começou a reorganizar as tropas.



A 11 de agosto de 1829, na famosa Batalha da Praia, os Miguelistas tentaram invadir a Ilha, Vila Flor conseguiu organizar uma boa defesa, restaurando a linha de fortes da Terceira. Começava um novo ciclo de vitórias, que fariam de Vila Flor um comandante de prestígio. Os meses seguintes foram de criação constitucional, tentando definir-se a política para o futuro.



Foi criada a Regência de Angra, que orientou os destinos dos liberais até à chegada de D. Pedro à Terceira. Angra era a capital da Monarquia Constitucional.




A Regência emitiu várias proclamações e 65 decretos, sobretudo pelas mãos de Mouzinho da Silveira, que depois de 1834, tornar-se-iam nacionais.


Em abril de 1831, a Regência avançou para as restantes ilhas. Era preciso difundir o Liberalismo e trazer o restante arquipélago para a causa liberal, antes de se passar para o continente. Vila Flor esteve ao comando das conquistas, pondo fim às resistências. Com o apoio de D. Pedro IV, que depois de abdicar do trono português e posteriormente do brasileiro, tornou-se Duque de Bragança, chegando à Terceira a 3 de março de 1832. Vila Flor ultimou o desembarque no continente, tendo comandado os “Bravos do Mindelo”. O Liberalismo começava a afirmar-se.



Em nome de todo o seu empenho para a causa liberal, Vila Flor foi elevado, a 8 de novembro de 1832, a Duque da Terceira, ligando-se o seu futuro ao da Ilha que bem o acolhera e que tivera ao seu lado. O 1º Duque da Terceira participou nos principais momentos da Guerra Civil, liderando as tropas que libertaram Lisboa em 24 de julho de 1833, estando também ao lado de D. Pedro aquando da abdicação do trono por D. Miguel. D. Maria II era novamente rainha e o Liberalismo triunfara.



O papel de Vila Flor, depois de 1834, passou pela política, liderando vários governos, além de ter sido agraciado com inúmeras distinções honoríficas e condecorações. Morreu em 1860, sem descendência, mas com uma vida recheada de feitos. E, em nome de todo o seu empenho, foi inaugurada uma estátua em sua homenagem, junto a uma praça que recebeu seu nome, a 24 de julho de 1877, exatos 44 anos depois da libertação de Lisboa do jugo absolutista.



O Duque da Terceira foi um importante comandante e homem do Liberalismo, sendo uma das mais importantes figuras daquele tempo. É um dos heróis das Lutas Liberais e manteve sempre uma forte ligação com a Terceira, onde desenvolveu boas relações e soube manter o apoio em torno da sua figura.


O Duque da Terceira foi um importante comandante e homem do Liberalismo, sendo uma das mais importantes figuras daquele tempo. É um dos heróis das Lutas Liberais e manteve sempre uma forte ligação com a Terceira, onde desenvolveu boas relações e soube manter o apoio em torno da sua figura.



A imagem do Duque da Terceira perdeu-se. Poucos são os terceirenses que conhecem as façanhas deste grande português, que desempenhou um papel relevante na Ilha e na manutenção e difusão dos ideais liberais. Devia haver uma maior homenagem ao 1º Duque da Terceira.

Devemos incentivar a imagem de homens que lutaram pelos seus ideais e que, mesmo em momentos de crise, não se deixaram abater e que fizeram muito pela história da Terceira e de Portugal.

Fonte: Francisco Miguel Nogueira



*** MEMÓRIA INCENTIVA ***

Comandante das tropas de Lisboa em 1827.

Apoia a revolta contra D. Miguel e participa na belfastada em 1828.

Parte do Havre em 5 de Junho de 1829 e chega à ilha da Terceira no dia 22 de Junho.

Faz parte da regência coletiva estabelecida em Angra por D. Pedro em 15 de Junho de 1829.

A 11 de Agosto de 1829 lidera a Batalha da Praia na ilha Terceira.

A partir de 1832, agraciado com o título de duque da Terceira.

Comanda as tropas pedristas que ocupam Lisboa em 24 de Julho de 1833.

Ministro da guerra no governo de Palmela entre 24 de Setembro de 1834 e 20 de Março de 1835, onde é substituído pelo conde de Vila Real.

Presidente do governo e ministro da guerra de 19 de Abril a 10 de Setembro de 1836.

Membro da Associação Eleitoral do Centro que concorreu às eleições de 1838.

Presidente do conselho de 9 de Fevereiro de 1842 a 20 de Maio de 1846, acumulando sempre a pasta da guerra.

Ministro da guerra e da marinha no governo de Palmela, entre 20 e 26 de Maio de 1846.

Presidente do conselho de 26 de Abril a 1 de Maio de 1851.

Presidente do conselho de 16 de Março de 1859 a 26 de Abril de 1860.

Faleceu em 26 de Abril de 1860.


A 8 de abril de 1864 era lançada à água a corveta mista "Duque de Terceira".

A SUA CONSTRUÇÃO FOI ORDENADA, EM PRINCÍPIOS DE 1863, PELO MINISTRO DA MARINHA, JOSÉ DA SILVA MENDES LEAL, JUNTAMENTE COM A DA CORVETA DUQUE DE PALMELA (1864-1913). CONSTRUÍDA EM MADEIRA, TECA E CARVALHO COM FORRO DE COBRE, NO ARSENAL DA MARINHA, EM LISBOA, FOI LANÇADA À ÁGUA EM 8 DE ABRIL DE 1864. ERA SEMELHANTE ÀS CORVETAS SÁ DA BANDEIRA (1862-1884) E INFANTE D. JOÃO (1863-1878), QUE TINHAM SIDO ANTERIORMENTE LANÇADAS À ÁGUA E TAMBÉM CONSTRUÍDAS NO ARSENAL DO ALFEITE.

Entre 1866 e 1867 partiu para Inglaterra a fim de receber algumas alterações. Em 1872 largou para a Estação Naval de Angola, e em 1879 seguiu em socorro da Guiné. Visitou a América do Sul e tomou parte na campanha dos namarrais em 1897 e na Gaza, em Moçambique. Regressou a Lisboa no ano seguinte, e a partir daí apenas efetuou viagens de instrução.

Em 29 de Março de 1906 passou ao estado de desarmamento e em maio ainda foi mandada servir de depósito de praças do Corpo de Marinheiros. Foi vendida em 16 de maio de 1911, em Lisboa, por ser considerada inútil. 


Fonte: CCM - Comissão Cultural da Marinha



terça-feira, 10 de março de 2026

D. Afonso V (1438-1481)


 


D. AFONSO V

O Africano (1438-1481)


D. Afonso V de Portugal, nascido em Sintra a 15 de Janeiro de 1432, foi o décimo segundo monarca português e ganhou o cognome de “O Africano” devido às conquistas feitas no norte deste continente.


*** CARTA DE D. AFONSO V ***

A 10 de Março de 1449, por carta de D. Afonso V, então com 17 anos de idade, é confirmada da
concessão da licença a seu tio, Infante D. Henrique para povoar as sete ilhas dos Açores.





Esta carta de 1449 combina com outra datada de 1439, A redação de ambas não difere na substância, diferindo apenas nas datas, nos lugares onde foram passadas e nos encerramentos. Esta segunda, ainda que não o declare, é evidentemente de confirmação da anterior, que foi passada ainda na menoridade do rei. A carta de 1449 é já dada pelo rei na sua maioridade e quando assumia todo exercício independente da autoridade real.
Excerto da Carta:






«Dom Afonso [...] a quantos esta carta virem fazemos saber que o infante D. Henrique meu muito prezado e amado tio nos enviou dizer que ele mandara lançar ovelhas nas sete ilhas dos Açores, e que se nos aprouvesse que as mandaria povoar. E porém mandamos aos nossos vedores da fazenda, corregedores, juízes, justiças e a outras quaisquer que isto virem que as deixem povoar e lhe não ponham sobre ele embargo [...]. Dada em Santarém 10 dias de março […] 1449»

In Ernesto do Canto, Archivo dos Açores, vol. I, pp. 7 e 8, Ponta Delgada, Typ. do Archivo dos Açores, 1878.


História de D. Afonso V

Do seu reinado podemos identificar claramente 3 grandes períodos. O primeiro que vai desde a sua coroação até à batalha de Alfarrobeira, em que D. Afonso V elimina o seu tio D. Pedro, Duque de Coimbra; o segundo, em que o monarca se dedica às empresas militares no norte de África; e o terceiro em que o regente decide voltar a sua atenção para a questão peninsular e tenta controlar o reino de Castela.



D. Afonso, filho de D. Duarte I, viria a tornar-se rei com apenas 6 anos de idade. No entanto, por ordem paterna ( no seu testamento), o poder ficaria nas mãos de sua mãe, D. Leonor, que acabaria por entregá-lo ao seu tio, D. Pedro, Duque de Coimbra.

Em 1448, com 16 anos de idade, D. Afonso V acaba por receber o poder e assumir a governação e, num ímpeto provocado por uma série de informações que mais tarde viriam a revelar-se falsas, declara D. Pedro, seu tio, inimigo do reino. Anula todos os editais aprovados durante a sua regência e acaba por derrotá-lo na Batalha de Alfarrobeira em 1449, com a colaboração do seu outro tio D. Afonso.

Após esta primeira fase de instabilidade interna, D. Afonso V concentra-se na expansão do império. Durante anos faz várias incursões por África, atacando e conquistando uma série de importantes cidade e praças-fortes árabes. Sob a posse de Portugal ficam Alcácer Ceguer, Tanger, Arzila e Larache, feitos e conquistas que lhe valeram o cognome de O Africano e com os quais Afonso V passou a designar-se a si próprio Rei de Portugal, dos Algarves e de aquém e de além-mar em África.



Passado o afã conquistador em África, D. Afonso, aproveitando o facto do trono de Castela ter ficado vago devido à morte de Henrique IV, decide reclamar a coroa para a sua sobrinha D. Joana, a Beltraneja, com quem celebra esponsais e que, segundo ele, teria direitos sobre os Reis Católicos.

No entanto, a derrota na batalha de Toro obriga-o a mudar de estratégia e viaja até França com a expectativa de conseguir o apoio do rei Luís XI para a causa. O monarca francês, no entanto, recusa porque na altura estava ele próprio em guerra com o duque de Borgonha. Quando regressa a Portugal D. Afonso abdica do trono e planeia uma viagem a Jerusalém, mas acaba por reconsiderar e voltar atrás.

As suas pretensões de controlar Castela acabam quando o rei Luís XI assina um tratado de amizade com os Reis Católicos. Afonso V vê-se então na contingência de também ele lhe reconhecer o direito ao trono através da assinatura do tratado de Alcáçovas.

No que restou do seu reinado D. Afonso V diminuiu significativamente as suas incursões por África e o desejo de novas descobertas. O seu último marco neste aspecto foi a chegada ao Cabo de Santa Catarina.

Por outro lado, as relações com França começam a ser cada vez mais ténues e dá-se início a uma relação bastante forte com a Bretanha.


Afonso V retira-se da vida política em 1481, passando o trono ao seu filho, D. João II de Portugal.

Fonte: História de Portugal

sábado, 7 de março de 2026

Nicolau Anastácio Bettencourt (1810/1874)

 




*** NICOLAU ANASTÁCIO DE BETTENCOURT ***


A 7 de Março de 1874 morria em Angra do Heroísmo Nicolau Anastácio de Bettencourt que nascera no Funchal a 14 de Fevereiro de 1810.

Em Coimbra, como estudante, incorporou o batalhão de voluntários académicos, trocando a capa de estudante pela farda de militar; e assim entrou nas ações da Cruz de Morouços e Ponte do Vouga; emigra, com a divisão, para a Galiza, dali para Inglaterra e depois para a Terceira, com 19 anos apenas, acompanhando a tipografia dos revolucionários; acompanha as tropas na batalha de 11 de agosto, segue-as a render as outras ilhas e acompanha D. Pedro IV às praias do Mindelo com 7 500 bravos, combatendo em todas as ações. Implantado o Constitucionalismo, foi nomeado governador civil de Ponta Delgada, de Aveiro e depois de Angra do Heroísmo.






Funda a Caixa Económica de Angra, em 28 de dezembro de 1844, impulsionou a instrução e concorreu para a fundação do Liceu, o Paço da Justiça, as cadeias, o cais da Alfândega, o Asilo da Infância Desvalida. Em Aveiro funda uma outra Caixa Económica.



A sua biografia se resume nesta frase: passou fazendo bem. Nicolau Anastácio Bettencourt era poeta e prosador de invulgar talento. Foi fidalgo cavaleiro da Casa Real, carta do conselho de S. M., comendador das ordens de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e de Cristo e cavaleiro de outras ordens.







Faleceu repentinamente na noite de 6 para 7 de março de 1874.


In Gervásio Lima, Breviário Açoreano, p. 91, Angra do Heroísmo, Tip. Editora Andrade, 193

sexta-feira, 6 de março de 2026

GLORIETA A JOSÉ DIAS












Glorieta à Rendição do Castelo



A construção deste monumento partiu de uma iniciativa do Coronel João Miguel Rocha de Abreu, antigo comandante do então BI17, sendo uma oferta que o Ministro da Defesa Nacional fez ao batalhão angrense. Invoca a memória do terceirense José Dias, combatente e herói da Restauração, que preferiu morrer de pé a viver de rastos. José Dias foi soldado no cerco que se fez ao Castelo de são João Batista, onde estavam sitiados os espanhóis. Numa das investidas feitas pelo inimigo às trincheiras do cerco, foi capturado pelos castelhanos e enquanto era levado para a fortaleza foi forçado por estes a dar vivas ao El-Rei Filipe III de Castela. Como resposta, aclamou de todas as vezes D. João IV como rei de Portugal e seu rei. Caiu morto na ladeira que sobe para a entrada principal do castelo. A indicar o suposto local onde José Dias tombou foi erigido este monumento, numa homenagem a este e a quantos perderam a vida para libertar o último reduto inimigo.





Este monumento encontra-se erguido na ladeira que dá acesso à entrada principal da Castelo de São João Batista. Foi inaugurado em ato festivo a 21 de Julho de 1957, estando presentes as mais altas autoridades militares, civis e eclesiásticas da ilha. A cerimónia de inauguração iniciou-se aqui com o Juramento de Bandeira dos novos soldados do BI17. Após o discurso improvisado do comandante do BI17 major Teixeira Pinto, o Governador do Distrito José Luís Abecassis descerrou a lápide comemorativa encastrada na pedra que contém o escudo e coroa real, coberta pela bandeira nacional. O efetivo militar no local apresentou armas, e a fanfarra do BI17 executou a marcha de continência.




O monumento foi edificado em alvenaria, com soco, cunhais e cimo em cantaria de basalto, com uma cruz também em basalto no ponto mais elevado e diversos apontamentos tudo em cantaria de basalto. O centro é um pano de parede rebocado e pintado de branco que começou por ostentar apenas, na metade superior, uma peça esculpida também a cantaria onde consta a coroa real, o escudo com as armas portuguesas e abaixo uma placa metálica, ao jeito de cartela, com os dizeres: 

“ANTES MORRER LIVRES / QUE EM PAZ SUJEITOS / AO VALOR E PATRIOTISMO DOS / TERCEIRENSES / SIMBOLIZADO EM JOSÉ DIAS / QUE AQUI MORREU POR / PORTUGAL / 1.8.1641”. 

Afastado cerca de 1 metro do monumento foram colocadas duas pequenas colunas em pedra que suportam correntes metálicas, a delimitar e proteger o espaço mais próximo do monumento.




Em 2017 por ocasião da comemoração do 375º aniversário da Rendição foram inauguradas algumas beneficiações introduzidas pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo: na metade inferior foi afixada uma coroa de louro, em metal, que encerra no seu centro uma placa também em metal com a data: “6 DE MARÇO DE 1642”, data que marca a saída dos soldados castelhanos do castelo, comandados por D. Álvaro Viveiros.



Haviam-se rendido já dois dias antes, depois de 11 meses de cerco. Por baixo foi colocada outra placa, de grande dimensão, que contém o seguinte trecho do “Sermão das Exéquias do Augustíssimo Rei D. João IV” de 1657: “Apontou para todas as ilhas, vieram as Ilhas todas. Só restava o fortíssimo e inexpugnável Castelo da Terceira governado e presidiado de Castelhanos, e quatro vezes socorrido de Castela; aplicou Deus a mão, e rendeu-se o Castelo, não a sítio de Capitães, e soldados pagos, senão ao que por mar, e por terra lhe fizeram os moradores, e lavradores com assombro do Mundo; no princípio dos sítios não tinham mais que um barco, e no cabo dele defendiam as entradas do mar com nove navios de guerra, tomados todos aos castelhanos.” Das beneficiações consta ainda o remate do topo das colunas com esferas metálica e a colocação no pavimento do espaço delimitado pelas correntes de 3 lajes de granito, cada qual gravada com um excerto de textos históricos alusivo à rendição dos Castelhanos, das obras de referência dos autores Francisco Ferreira Drummond, Pe. António Cordeiro e Pe. Manuel Luís Maldonado.

Fonte: Paulo Barcelos – CMAH



segunda-feira, 2 de março de 2026

1.ª Autonomia dos Açores (1895)

 






*** 1.ª AUTONOMIA DOS AÇORES ***

2 de Março de 1895 uma data que não pode ser esquecida.

O Sentimento é muito mais antigo, mas pode-se dizer que a história da Autonomia que hoje os Açores vivem começou quando há 126 anos a 2 de Março de 1895 foi publicado o DECRETO AUTONÓMICO.
Curiosamente e numa altura em que voltam a surgir problemas de relacionamento entre os poderes central e regional a data, passou despercebida à maioria das pessoas e não merece qualquer referência nos jornais Açorianos de hoje.



O Decreto de 2 de Março de 1895, publicado no Diário do Governo, n.º 50, de 4 de Março de 1895, também conhecido por «Decreto Autonómico», foi o diploma legal que estabeleceu a possibilidade de os distritos do arquipélago dos Açores, e posteriormente a 1901 do arquipélago da Madeira, requererem, por maioria de dois terços dos cidadãos elegíveis para os cargos administrativos, a aplicação de um regime de autonomia administrativa.




Aprovado na sequência de uma intensa campanha autonómica e independentista, centrada na ilha de São Miguel, a ( Primeira Campanha Autonómica ) , foi inspirado por Aristides Moreira da Mota e Gil Mont'Alverne de Sequeira, considerados os fundadores da primeira autonomia açoriana. Aprovado em ditadura, foi ratificado pelas Cortes pela Carta de Lei de 14 de Fevereiro de 1896.



A primeira alteração ao diploma foi feita pela Carta de Lei de 12 de Junho de 1901, que alargou o regime ao arquipélago da Madeira. Contudo, longe de alargar a autonomia do órgão, acentuou a tutela do Estado, através do governador civil, que passou a poder anular as deliberações da Junta Geral. Também a representatividade da Junta Geral foi reduzida, passando de 25 para 15 procuradores, mas recebendo uma estrutura administrativa própria, com a criação do lugar de tesoureiro e de chefe de secretaria.



Com esta organização, a autonomia administrativa dos distritos insulares sobreviveu durante a Primeira República Portuguesa através da Lei n.º 88, de 7 de agosto de 1913, que acolheu quase integralmente o Decreto de 1895. Apesar da alteração introduzida efemeramente pelo Decreto n.º 15 035, de 16 de Fevereiro de 1928, e depois pelo Decreto n.º 15805, de 1 de agosto de 1928, esteve em vigor até 1940, quando se publicou o Estatuto dos Distritos Autónomos das Ilhas.

Fonte: Texto parcial copiado da página no FB de Carlos A. César.








domingo, 22 de fevereiro de 2026

João Afonso (1923-2014)


Foto de 26 de Agosto de 2013, véspera de completar 90 anos.



João Dias Afonso (Angra do Heroísmo, 27 de Agosto de 1923 — Angra do Heroísmo, 22 de Fevereiro de 2014) foi um escritor, jornalista e investigador da etnografia e da baleação açorianas.

Nasceu na freguesia da Sé, no imóvel da Rua de Jesus que actualmente ostenta uma placa em sua homenagem, filho de Joaquim Luís Afonso, comerciante, e da professora do ensino primário, Maria da Glória Zulmira Dias Afonso.

Depois de concluir o ensino secundário no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, aos 18 anos de idade matriculou-se na  Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, curso que não chegou a concluir.

Regressado à sua cidade natal, cumpriu o serviço militar obrigatório como oficial miliciano de administração militar, sendo desmobilizado como tenente no Batalhão Independente de Infantaria nº 17, então aquartelado no Castelo de São João Batista.


Foi então contratado como bibliotecário da então Biblioteca Municipal de Angra do Heroísmo, iniciando aí uma carreira que o levaria a técnico superior principal de bibliotecas e arquivos e a director daquela instituição.

Quando a Biblioteca Municipal foi integrada na Biblioteca Pública de Angra do Heroísmo, passou a funcionário superior da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Angra do Heroísmo, funções que exerceu até se aposentar.

Foi director interino da instituição por diversas vezes, como aconteceu no impedimento de Manuel Coelho Baptista de Lima, enquanto este foi presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

Na instituição em que trabalhava, e noutros arquivos nacionais e estrangeiros, realizou investigação no âmbito da história dos Açores, da etnografia e em particular sobre a história da baleação nos Açores, campo em que foi um dos grandes especialistas e pioneiro no estudo daquela actividade no arquipélago açoriano.

Nos estudos sobre a caça à baleia realizou investigação nos Estados Unidos (Nova Inglaterra e Califórnia) e no Reino Unido, tendo sido principal mentor da organização etno-histórica do Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico.


No campo da etnografia histórica açoriana publicou numerosos artigos sobre os trajes tradicionais açoriano. Também se dedicou à bibliografia, tendo realizado um inventário exaustivo da bibliografia açoriana, que tem vindo a ser publicado em numerosos volumes pela departamento da cultura do Governo dos Açores.

Como jornalista esteve ligado à fundação do Diário Insular, periódico em que publicou muitas centenas de artigos, e foi colaborador assíduo de A União, jornais de Angra do Heroísmo.

No Diário Insular coordenou uma notável página de Artes e Letras durante 30 anos, de 1946 a 1978, apenas interrompendo entre 1959 e 1961, período em que foi redator da Agência Noticiosa de Informação, em Lisboa.


 Foi o primeiro delegado da RTP nos Açores, nomeado por Ramiro Valadão em 1969.

Como poeta fez parte da corrente do modernismo insular de meados do século XX com uma poesia que Vitorino Nemésio considerou como permitindo «conseguir às vezes admiráveis efeitos de simplicidade e pureza».

Alguns dos poemas que publicou na imprensa periódica foram assinados com o pseudónimo Álvaro Orey.












Ganhou em 1960 o Prémio Nacional de Poesia do Secretariado Nacional de Informação,
com o livro Pássaro Pedinte e Ruas Dispersas, prefaciado por Vitorino Nemésio.


Geminação da Cidade de Angra do Heroísmo

 com Tulare (USA), a 10 de Março de 1966



João Afonso foi o impulsionador do movimento das cidades-irmãs Angra do Heroísmo-Tulare.

Tulare foi a primeira cidade com a qual Angra do Heroísmo se geminou. E, graças ao carácter visionário de João Afonso, o percursor do estabelecimento deste laço, esta foi também uma das três primeiras geminações de autarquias portuguesas e a primeira geminação de uma autarquia açoriana. Mas isto não ocorreu por acaso. Tulare, à época, em 1966, era maioritariamente habitada por cidadãos terceirenses. E a verdade é que hoje, mesmo depois do enorme crescimento que a cidade verificou, esta é, entre as médias cidades californianas, a que maior percentagem tem de população portuguesa e, particularmente, população descendente da ilha Terceira.”






Em 1989 foi condecorado com o grau de comendador da
 Ordem do Infante Dom Henrique.


Cidadão Honorário de Angra do Heroísmo

João Dias Afonso

Reunião de Câmara de 16-10-2003

Sessão da Assembleia de 19-12-2003



Foi sócio fundador da Real Associação da Ilha Terceira e sócio efectivo das seguintes instituições:

- Academia Portuguesa da História
- Sociedade de Geografia de Lisboa
- Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (Brasil)
- Instituto Histórico da Ilha Terceira
- Instituto Açoriano de Cultura
- Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves
- Núcleo Cultural da Horta

Colaborador de várias enciclopédias e revistas culturais portuguesas.








Entre muitas obras dispersas pelos periódicos em que colaborou, é autor das seguintes monografias:
  • Enotesco (poesia), Angra do Heroísmo, s.d. [1955];
  • Pássaro Pedinte e Ruas Dispersas (poesia, com prefácio de Vitorino Nemésio, Lisboa, 1960;
  • Cantigas do Terramoto para Ler e Passar (poesia), Angra do Heroísmo, 1980;
  • Garrett e a Ilha Terceira, edição da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1954;
  • Antero de Quental e o Pensamento da Revolução Nacional, Lisboa, 1967;
  • Açores de Outrora na Ilha Terceira Daqueles Tempos, edição do Instituto Açoriano de Cultura, 1978;
  • O Traje nos Açores, edição do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1978, 2.ª ed. 1987;
  • Açores em Novos Papéis Velhos, edição do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1980;
  • Memoração Ribeiriana (sobre Luís da Silva Ribeiro), edição do IHIT, 1982;
  • Notabilidade de Dacosta (sobre António Dacosta), Angra do Heroísmo, 1983;
  • O Galeão de Malaca no Porto de Angra em 1659: Um Processo Judicial - Linschoten, edição do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1984;
  • Baleias e Baleeiros - Açorianos nos Sete Mares e Ancorados nas Suas Ilhas, Angra do Heroísmo, 1988.
  • Bibliografia Geral dos Açores, DRAC/SREC, 3 volumes (1985-1997, ainda com 8 volumes em publicação.

Para além das monografias de que é autor, organizou, anotou e prefaciou:

  • Luís Ribeiro, Subsídios para Um Ensaio sobre a Açorianidade, Angra do Heroísmo, colecção «Ínsula», 1964;

  • Luís Ribeiro, Obras (3 volumes), edição do Instituto Histórico da Ilha Terceira e da Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1982-1983

In: Wikipédia (parcial)


João Afonso - Monograma



1954 - João Afonso discursando no descerramento da placa existente na casa onde viveu
 Almeida Garrett
 na Rua de São João em Angra.









𝐀𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 | 𝐓𝐨𝐦𝐨𝐬 𝐈𝐕 𝐞 𝐕 𝐝𝐚 𝐁𝐢𝐛𝐥𝐢𝐨𝐠𝐫𝐚𝐟𝐢𝐚 𝐆𝐞𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐨𝐬 𝐀𝐜̧𝐨𝐫𝐞𝐬
A Direção Regional dos Assuntos Culturais promoveu no dia 7 de março de 2024, pelas 18h00, no auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro o lançamento dos tomos IV e V da Bibliografia Geral dos Açores: sequência açoriana do Dicionário Bibliográfico Português. A apresentação estará a cargo do Doutor José Guilherme Reis Leite.
A Bibliografia Geral dos Açores, foi um projeto coordenado por João Afonso, com início em 1978. Os tomos 1 e 2 editaram-se em 1985 e, dois anos mais tarde, deu à estampa o 3.º tomo, conseguindo-se um total de 17 524 entradas de documentação que se encontrava dispersa em bibliotecas regionais, nacionais e internacionais. A Secretaria Regional da Educação e dos Assuntos Culturais, através da Direção Regional dos Assuntos Culturais promove a continuidade das publicações da obra Bibliografia Geral dos Açores através dos tomos 4 e 5.
Como foi referido na nota introdutória do 1.º tomo, pelo antigo Secretário Regional da Educação e Cultura, Doutor José Guilherme Reis Leite, esta bibliografia especializada é uma obra de imenso valor cultural para os Açores e uma “interminável viagem do diálogo sempre renovado com os livros”. A Bibliografia Geral dos Açores, segundo Duarte Nuno Chaves, Diretor Regional dos Assuntos Culturais “é uma importante fonte auxiliar de pesquisa para o entendimento e conhecimento geral sobre o Arquipélago dos Açores”.

Fonte: Cultura Açores