quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Almeida Garrett e a Terceira (1799-1854)

João Baptista da Silva Leitão de Almeida, mais tarde visconde de Almeida Garrett, nasceu no Porto, no dia 4 de Fevereiro de 1799, e faleceu em Lisboa em 1854. Seu pai, António da Silva Bernardo, selador da Alfândega do Porto e natural da ilha do Faial, refugiou-se com a família na ilha Terceira para evitar o flagelo da invasão francesa de 1810.

João Baptista é, então, um adolescente sensível e precoce. Em Angra faz as suas humanidades sob a tutela do tio D. Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Angra. Ainda por influência deste, o jovem toma ordens menores, mas, na referida cidade, apaixona-se por Elisabeth Hewsson, uma inglesinha de família ligada ao comércio da laranja e já há alguns anos estabelecida na Terceira.

Os pais e o bispo, sabendo do namoro, resolvem afastar da jovem inglesa o futuro eclesiástico, mandando-o, em 1814, passar uns tempos na Graciosa em casa do tio João Carlos Leitão (irmão da mãe de Garrett), juiz de fora naquela ilha.

E é na Graciosa que João Baptista escreve os primeiros versos, já reveladores do seu talento de homem de letras. Segundo a tradição oral, o futuro escritor apaixonou-se por uma donzela graciosense, de nome Lília, a quem escreveu várias odes, mais tarde publicadas no livro Os primeiros versos de Garrett (Porto, Livraria Magalhães e Moniz, 1902), de Mendo Bem, a partir do manuscrito original que Garrett oferecera ao graciosense Francisco Homem Ribeiro, intitulado Odes Anacreonticas compostas e offerecidas ao senhor Francisco Homem Ribeiro por J.B.S.L. seu menor criado - Graciosa.

Durante a permanência do jovem poeta na ilha branca, ocorreu um episódio semiescandaloso, relatado por Francisco Gomes de Amorim, biógrafo de Garrett, e que ainda hoje faz parte do imaginário graciosense.
Um dia, o futuro Garrett ouve dizer que a pequena distância da vila de Santa Cruz se prepara uma festa religiosa a que concorre muita gente. Como não lhe falta a coragem, planeia aproveitar a ocasião para ensaiar os seus dotes oratórios. Em segredo vai oferecer-se ao mordomo da festa para dizer o sermão. O mordomo, vendo-o tão criança, não aceita a proposta, mas o jovem insiste:

- Olhem que eu sou sobrinho do bispo da diocese, e quem é sobrinho de bispo pode pregar.
- Mas o menino sabe latim?
- Mais do que muitos frades. Em Angra já eu tenho pregado muitos sermões.
O mordomo acredita ou deixa-se convencer e, chegado o dia da festa, João Baptista sobe ao púlpito com toda a segurança. Pasma o povo que enche a ermida de ver um garoto naquele lugar. Na sua voz infantil, afirma com rasgo teatral:
- Não ajuízem do sermão pela figura de quem o profere nem pela voz do pregador. Meditem bem nas minhas palavras porque nelas acharão só a verdade. A verdade, meus irmãos, tanto pode ser dita pelos velhos como pelas crianças.


Entusiasma-se o orador, e os ouvintes deixam-se dominar, esquecendo a idade de quem lhes fala. Depois de descrever a vida do orago, João Baptista entra no epílogo, condenando os vícios e exortando os fiéis à prática das virtudes cristãs, ele que ainda não sabe o que é o Mundo. Ao descer do púlpito, é saudado, à passagem, pelas exclamações do povo. O jovem sente a satisfação do triunfo e vai passear pelo arraial, sendo festejado por muita gente, incluindo pessoas da vila que foram ver a festa. Chega, por elas, a notícia aos ouvidos do tio que se zanga, não vá o bispo ofender-se. Mas D. Frei Alexandre, ao saber da ousadia do sobrinho, em vez de levar a mal, vê no facto uma prova da vocação do garoto para a vida eclesiástica.


Engana-se o bispo. Regressado à Terceira, o enamorado sobrinho, futuro diletante, dândi e janota que há-de ser príncipe dos salões mundanos, amoroso impenitente e homem de paixões, faz saber aos pais que já não quer ser padre. E, pouco tempo depois, parte para Lisboa com o objectivo de estudar leis em Coimbra. O futuro autor de Frei Luís de Sousa (1843) e Viagens na Minha Terra (1846) deixa, nas ilhas Terceira e Graciosa, idílios dos primeiros versos e dos primeiros amores...

Fonte: Victor Rui Dores

Almeida Garrett (1799-1854), embora tivesse nascido no Porto, era filho de um açoriano e viveu na Terceira, na sua juventude. Liberal convicto, aderiu à Revolução de 1820, mas foi obrigado, como muitos outros, a exilar-se após o controlo do poder pelos miguelistas. A reviravolta que os liberais terceirenses imprimiram a todo este processo, em 1828, permitiu que os exilados fossem regressando do estrangeiro e estabelecessem na ilha o seu quartel-general. 

Placa na fachada da casa na Rua de São João, Angra do Heroísmo,
onde viveu Almeida Garrett.

Durante a sua permanência em Angra, Garrett exerceu funções governativas, junto de Mouzinho da Silveira e, em 1832, acompanhou D. Pedro na conhecida expedição dos Bravos do Mindelo

Consolidado o regime liberal exerceu vários cargos na governação e foi eleito deputado por Angra.



 É da sua autoria a redacção do decreto de 1837 que atribuiu a Angra o sobrenome de Heroísmo e o título de Sempre Constante e à Praia o sobrenome de Vitória e o título de Muito Notável.


Por todas estas razões ficou ligado à ilha Terceira. Por altura da comemoração do centenário da sua morte, a Comissão Central escolheu as cidades a que mais havia estado ligado, para promover as comemorações, onde se incluiu Angra do Heroísmo.


O programa das comemorações, organizado pelo grupo Amigos da Terceira e pela Câmara Municipal, iniciado em Novembro de 1954, contou com a presença do Professor Catedrático, António de Almeida Garrett, representante da Comissão Central e familiar do homenageado. Desse programa, destaco dois momentos.

O primeiro ocorreu com a inauguração da "glorieta" em sua homenagem no jardim de Angra. A efígie é da autoria do escultor Xavier da Costa e ficou enquadrada num projecto do arquitecto Fernando de Sousa.


Das várias inscrições que nela constam saliento a seguinte: "Não tive a fortuna de nascer naquele torrão, mas a minha pátria, mas a de meus pais, mas o meu património, mas tudo quanto constitui a pátria dum homem, é a minha saudosa ilha Terceira, um dos mais nobres padrões da glória portuguesa".
Homenagem a Garrett na Cidade da Praia da Vitória


Na Praia da Vitória, foi também descerrada uma placa, em cerimónia oficiosa, junto à Avenida Beira-mar. No texto, concebido por Vitorino Nemésio, pode ler-se: "A Garrett, que em menino andou por esta praia e em 1829 a cantou no seu exílio de Londres: E a Praia é só/Apenas se ouve a bulha compassada/Da ressaca, gemendo e murmurando".



Placa na Praia


Foram colocadas ainda outras placas: uma na Rua de São João, na casa onde viveu, e outra numa quinta da família, no Caminho do Meio, em São Pedro.

A homenagem (Angra, Jardim Duque da Terceira) a Garrett em 1954


Dado que o Estado Novo tudo fez para que fosse esquecido o percurso histórico liberal, nestas comemorações foi essencialmente privilegiada a faceta do escritor romântico e do poeta. O único terceirense que, nesta ocasião, teve a ousadia de evocar Garrett como homem de pensamento liberal foi Luís da Silva Ribeiro.
 

Homenagem a Garrett no Jardim "Duque da Terceira"

Considerado o primeiro autor romântico em Portugal, João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu no Porto a 4 de Fevereiro de 1799. Passou a sua infância nas propriedades do pai, ao sul do Porto.
Em 1809 foi obrigado a abandonar esta cidade, como consequência da invasão francesa de Soult. Mudou-se para Lisboa com a família e mais tarde para a ilha Terceira (Açores).
Em Angra do Heroísmo, sob a direcção de um tio, o bispo D. Frei Alexandre da Sagrada Família, recebeu a educação clássica que marca os seus primeiros versos.
Aos 17 anos está de novo no continente e estuda Direito em Coimbra, conclui o curso em 1821. É desta época de Coimbra que datam as primeiras tentativas de teatro. Garrett toma como modelos Voltaire, de Maffei e de Alfieri.
Um ano depois, uma reacção miguelista leva-o ao exílio, primeiro em Inglaterra e depois em França. Nos meios literários desses países contacta com o movimento romântico e vai ser o seu introdutor em Portugal.
Garrett envolveu-se directamente nas rupturas político-ideológicas que assinalam a transição do Antigo Regime para o Portugal moderno que é o do Liberalismo. Ao mesmo tempo viveu a tensão que se instalou entre o legado neoclássico e o advento do romantismo.
Entre 1826 e 1828 regressa a Portugal, mas as alternativas de luta entre miguelistas e liberais obrigam o autor a um novo exílio.
Em 1836 encontra-se na ilha Terceira, onde colabora com Mouzinho da Silveira nas reformas que iriam transformar por completo a estrutura do país.
Mais tarde, no cerco do Porto, como soldado, defende o seu ideal político (liberalismo). Depois da vitória toma o cargo de Cônsul-geral em Bruxelas. Frequenta durante dois anos a alta roda e estuda a literatura alemã.
De novo em Lisboa, promoveu a fundação do Conservatório de Arte Dramática e a criação do Teatro Nacional e da Inspecção-geral dos teatros.
A sua personalidade é psicológicamente polifacetada, divide-se entre a vida política, a criação literária e as vivências amorosas. As directrizes do seu comportamento são a instabilidade e a relatividade (de valores, de experiências, de estéticas). Desde a infância foi marcado pelo estigma do exílio. A sua formação e o amadurecimento estético-cultural estão associados a factores de natureza política e ideológica.
Garrett foi uma das mais influentes figuras políticas do país. Como deputado, a partir de 1837, revelou excepcionais dotes de orador. Em 1852 foi ministro do gabinete presidido por Saldanha. Dois anos mais tarde morre, em Lisboa, a 9 de Dezembro.

 


1957-07-27 - Primeiro sobrescrito editado pelo Núcleo Filatélico de
Angra do Heroísmo, onde foi escolhida a estampilha postal de Garrett,
obliterada com o carimbo comemorativo da visita presidencial.

 

Cronologia de Almeida Garrett         

          
          1799 – Almeida Garrett nasce no Porto.


1809 – Parte para a ilha Terceira por causa das invasões francesas. Aí recebe de um tio, bispo de Angra do Heroísmo, uma educação religiosa e clássica.
1816 – Matricula-se no curso de Direito em Coimbra. Adere às ideias liberais e começa a escrever algumas peças de teatro.
1820 – Escreve a tragédia Catão, representada em Lisboa no ano seguinte.
1821 – Já formado, casa com Luísa Midosi e publica o Retrato de Vénus, que lhe valeu um processo judicial e um julgamento de que foi absolvido.
1823 – Com a Vila-Francada, exila-se em Inglaterra, onde contacta com a literatura romântica (Byron e Walter Scott).
1824 – Parte para o Havre, em França, como correspondente.
1825 – Publica em Paris Camões.
1826 – Publica ainda em Paris D. Branca. Regressa a Portugal após a outorga da Carta Constitucional, dedicando-se ao jornalismo político.
1828 – Exila-se de novo em Inglaterra devido à aclamação de D. Miguel.
1830 – Inicia a compilação do Romanceiro.
1832 – Integra-se no exército liberal de D. Pedro IV, desembarca no Mindelo e participa no cerco do Porto, escrevendo aí a primeira pare do Arco de Santana.
1834 – Após a guerra civil, Almeida Garrett é nomeado cônsul geral em Bruxelas. Estuda a língua e a literatura alemãs (Herder, Schiller e Goethe).
1836 – Regressa a Portugal e separa-se de Luísa Midosi, que em Bruxelas o teria traído. Passos Manuel encarrega-o de reorganizar o teatro nacional, nomeando-o inspector dos teatros.
1837 – Perde o cargo de inspector dos teatros por demissão de Passos Manuel. Apaixona-se por Adelaide Deville, que morrerá em 1841 e de quem terá uma filha, Maria Adelaide.
1838 – Publica Um Auto de Gil Vicente.
1841 – Publica O Alfageme de Santarém.
1842 – Costa Cabral instaura um governo de ditadura, contra o qual Garrett luta na oposição parlamentar.
1843 – Escreve o drama Frei Luís de Sousa que será publicado no ano seguinte. Começa também a escrever o romance Viagens na Minha Terra, que publica em folhetins na Revista Universal Lisbonense.
1845 – Publica o romance Arco de Santana e a colectânea de poemas Flores sem Fruto. Inicia-se a paixão por Rosa Montufar, a Viscondessa da Luz.
1846 – É publicado em dois volumes o romance Viagens na Minha Terra.
1850 – É representado no Teatro Nacional o drama Frei Luís de Sousa.
1851 – É nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros e recebe o título de Visconde e Par do reino. Conclui a compilação do Romanceiro.
1853 – Publica Folhas Caídas, colectânea poética que causou escândalo na época.
1854 – Almeida Garrett morre a 9 de Dezembro em Lisboa.


Nota de 20$00 de 1915

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Dionísio de Sousa


Dionísio de Sousa

Dionísio Mendes de Sousa   nasceu na Vila de São Sebastião, ilha Terceira, a 9 de Outubro de 1940.
Professor, escritor português e um profundo investigador da obra e vida de Francisco Ferreira Drummond.


Terminada a instrução primária com o exame do 2.º grau aprovado com distinção na escola de ensino primário da Vila de São Sebastião, frequentou o Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo de Outubro de 1952 a Junho de 1954. Neste curso obteve as mais altas classificações e aproveitamento com a atribuição, em todos os anos lectivos, de um diploma reservado aos alunos que obtinham classificações elevadas (mínimo de 16 numa escala de 20) em mais de metade das disciplinas.





Entre 1965 e 1968, prestou serviço militar obrigatório em vários estabelecimentos militares, entre os quais o Estado-Maior do Exército, em Lisboa. Igualmente entre 1965 e 1968, frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na licenciatura de Filosofia, tendo obtido o grau de licenciado. No ano lectivo de 1969/70, exerceu as funções de professor do ensino secundário no Liceu Padre António Vieira (História), em Lisboa, e no Externato Séneca (Português).


Em 1971, frequentou o curso de Ciências Pedagógicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. De 1971 a 1974, matricula-se e frequenta, em regime nocturno e como estudante-trabalhador, o curso de Ciências do Trabalho, no Instituto Superior de Economia (ISEF). De 1971 a 1975, exerceu as funções de director do Serviço de Pessoal na “Transul – Empresa de Transportes” da zona Sul do Tejo.





Em 1976/77, é professor do ensino secundário no Liceu de Almada, nas disciplinas de Filosofia e Psicologia. Em 1977-1978, realiza o Estágio para professor efectivo no Liceu Antero de Quental, em Ponta Delgada, com a classificação de 17 valores. Em 1978/79, efectiva-se como professor do quadro do Liceu de Angra do Heroísmo. Em 1979/80, exerce as funções de presidente do Conselho Directivo do Liceu de Angra.




Entre 1980 e 2004, exerce o mandato de deputado regional durante 6 legislaturas. De 1996 a 1998, foi presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores. Em 3 de Setembro de 2001, foi agraciado com o grau da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. De 2002 a 2004, foi presidente da Direcção do Rádio Clube de Angra e, em 2004, aposentou-se com a pensão de professor do ensino secundário.
Por decisão unânime do plenário da Assembleia Regional dos Açores, tomada em 11 de maio de 2006, foi agraciado com a Insígnia Autonómica de Valor.









Actividade como escritor





Desde 1980 que tem colaboração dispersa por vários órgãos da comunicação social açoriana (A União, Diário Insular, Açores Expresso, Correio dos Açores).






Em 2013, selecciona, prefacia e edita a obra “Testamento Poético“ de Coelho de Sousa.


Em 2014, publica as obras "Achegas sobre a Autonomia" e "Livro de Bagatelas", ambos em sistema de auto publicação. Em 14 de Janeiro de 2014, inicia a publicação do jornal trimestral "Boa Nova", primeiro jornal editado na Vila de São Sebastião.


É autor dos blogues, O "Ventilhador" e "Álamo Esguio".



É um apaixonado pela vida e obra do grande historiador terceirense FRANCISCO FERREIRA DRUMMOND sobre o qual já escreveu diversos livros e artigos.








“Conversas ao Telefone & Conversas ao Microfone”,
Da autoria do Pe. Manuel Coelho de Sousa, que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a 30 de Janeiro de 2026.

A obra, coordenada por Dionísio de Sousa e editada pelo Município de Angra do Heroísmo, contou com apresentação de Francisco Sousa e Paulo Barcelos.
Figura marcante da cultura açoriana e da Igreja Católica no século XX, Manuel Coelho de Sousa destacou-se como sacerdote, jornalista, poeta, dramaturgo e animador cultural.
Neste livro, Dionísio de Sousa resgata e transcreve as crónicas radiofónicas «Conversas ao Telefone» e «Conversas ao Microfone», transmitidas pelo Rádio Clube de Angra entre 1970 e 1973. Com um olhar perspicaz, crítica subtil e profunda sensibilidade humana, o autor traça um retrato íntimo e reflexivo da sociedade da época, constituindo um testemunho raro e valioso da vida quotidiana nos Açores.



O Município editou igualmente a obra “Peças de Teatro”, que será apresentada no próximo dia 27 de fevereiro, na Vila de São Sebastião.
Neste volume, Dionísio de Sousa reúne e apresenta as peças de teatro escritas e levadas a palco por Manuel Coelho de Sousa, revelando uma faceta menos conhecida, mas profundamente expressiva do autor. Com linguagem viva, sentido de humor, crítica social e um olhar profundamente humano, estas peças transportam o leitor para o universo açoriano da época, entre a tradição e a mudança, constituindo um legado artístico e espiritual que enriquece o património cultural dos Açores e reafirma a atualidade da sua visão.
Estas obras passam a integrar o conjunto de publicações editadas pelo Município de Angra do Heroísmo, reforçando o compromisso autárquico com a promoção da cultura literária, engrandecendo e dando a conhecer o trabalho dos nossos autores.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Cónego Francisco Dolores


Cónego Francisco Dolores Monteiro Borges de Medeiros
Natural de Santo Espírito, Vila do Porto, Santa Maria,
onde nasceu a 9 de Julho de 1949.


Frequentou o Seminário Menor de Ponta Delgada nos anos lectivos de 1962/63 e 1963/64;


e o Seminário Episcopal de Angra de 1964 a 1974, nos cursos filosófico e teológico.

Ordenou-se em 19 de Abril de 1974, na Matriz de Nossa Senhora da Assunção de Vila do Porto.

Vigário Cooperador das Lajes – Terceira, de Julho de 1974 a Outubro de 1979. Delegado Diocesano da Juventude para o Concelho da Praia da Vitória de 1974 a 1979, nessa qualidade promoveu a Marcha da Juventude "Páscoa 1979", com 1200 Jovens, a pé de S. Sebastião até à Sé Catedral, no Sábado de Ramos desse ano.

Professor de História, Português e Religião e Moral na Escola Preparatória da Praia da Vitória de 1974 a 1979.

Pároco de Santa Bárbara das Nove Ribeiras, de Outubro de 1979 a Outubro de 1989 e de Abril de 1984 a Outubro de 1979, também pároco de São Jorge das Doze Ribeiras.

Em Maio e Junho de 1980 deslocou-se aos E. U. A (Costa Leste e Califórnia) e Canadá, onde criou , com o apoio da "Voz dos Açores" e outras entidades, Comissões de Apoio à Reconstrução para as Paróquias de Santa Bárbara, Doze Ribeiras, Cinco Ribeiras, e Ilha de São Jorge.


Fundou e dirigiu o mensário "FAMÍLIA" da Zona Oeste da Terceira de 1981 a 1989, com uma tiragem média de 1200 exemplares.

Administrador da União Gráfica Angrense de 1983/90 e de 1992 a 1997.

Pároco de Nossa Senhora de Belém desde Outubro de 1989; Pároco de Posto Santo de Janeiro de 1991 a Novembro de 1993 de São Bartolomeu de Regatos de novembro de 1993 a Julho de 1995 e de Julho de 1999 até 6 de Setembro de 2002.




Pároco e Reitor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Angra do Heroísmo, desde 21 de Setembro de 2002.

Ouvidor de Angra do Heroísmo de Novembro de 1989 a Dezembro de 1992.




Vigário Judicial da Diocese de Angra de Março de 1992 a 1996. Notário do mesmo Tribunal no presente. Frequentou, em Fátima o Curso de Processo de Nulidade do Matrimonio, ministrado pela Universidade de Navarra e em 2001, o Curso sobre Transtornos psíquicos e nulidade do matrimonio, ministrado pela Pontifícia Universidade de Salamanca.




Diretor do Secretariado das Migrações de Novembro de 1990 a 1993.

Diretor do Secretariado da Pastoral Juvenil de 1985 a 1992.

Redator desde 1981 de "A União" e Chefe de Redacção do mesmo de 1995 até Setembro de 2001.

Pároco da Terra-Chã, de 1 de Outubro de 1989 a 7 de Setembro de 2002.

Responsável pelo Secretariado Diocesano da Comunicação Social de 1992- 95.

Chefe do Projecto In-Forma de Prevenção Primária da Toxicodependência (1991-1993).

Actualmente Assistente da Cáritas da Ilha Terceira e do Conselho Central Das Conferências Vicentinas da Ilha Terceira.

Fundador dos Escuteiros da Sé, em 1972-73. Medalha de Bronze do CNE.


1996 - Francisco Dolores
com prefácio do Pe. Caetano Tomás


Publicou "Na Brecha" em 1996. Duas Menções Honrosas em Conto.

Pregou dois Retiros internacionais em Lurdes.

Colaborou inicialmente na Enciclopédia Açoriana (Medicina Botânica).


2015 - Francisco Dolores
com prefácio de Aurélio Franco da Fonseca


2014-04-19 - Sobrescrito editado pelo NFAH


Foi elevado à dignidade de Cónego a 11 de fevereiro de 2015, passando desde essa data a integrar o Cabido da Sé de Angra e a fazer parte do Colégio de Consultores do Bispo Diocesano.

In: Santuário de Nossa Senhora da Conceição (Angra do Heroísmo)
        
Medalha comemorativa
2014 - Homenagem de um grupo de amigos

Cónego Francisco Dolores distinguido como capelão da
Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

“Entendo esta distinção como uma forma de reconhecer a minha história pessoal de vida, com a forma como vivo a minha piedade pessoal e, sobretudo com a minha devoção e entrega a Nossa Senhora” disse emocionado o Cónego Francisco Dolores em declarações ao Sítio Igreja Açores.


“Ainda por cima, no ano em que se comemora o centenário das Aparições é para mim uma honra receber este reconhecimento”, precisou.

“Historicamente sempre me mantive fiel aos princípios de Portugal e a minha devoção a Nossa Senhora da Conceição acompanhou-me ao longo da vida, desde tenra idade. Lembro-me da minha avó nunca falhar uma festa da imaculada Conceição na ilha de Santa Maria e de nos levar com ela. Há uma devoção muito especial a Nossa Senhora na minha família”, prosseguiu o sacerdote que não esconde, por outro lado, que esta “honra não vem acrescentar nada à minha fé, nem diminuir, mas sinto- me  gratificado na minha devoção para com a mãe do Céu e rainha de Portugal que me protege num momento em que estou a restaurar as minhas forças para continuar a trabalhar e a servir o povo e a igreja”.




A Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi criada no Rio de Janeiro, em 1818, por D. João VI de Portugal, “representando solene testemunho de reconhecimento pela libertação do nosso país de um gravíssimo risco e constituindo, nas palavras de sua majestade fidelíssima D. João VI, memória da devoção a Nossa Senhora da Conceição, invocada por "Padroeira do Reino” refere o documento que cria esta ordem.





Esta sexta-feira, pelas 20h30, a Lar Doce Livro – livraria, café & posta-restante recebe e estimula a homenagem de amigos e admiradores ao Pe. Francisco Dolores, por ocasião dos seus 50 anos de ordenação (19 de Abril de 1974).

Porque a literatura é das suas personagens e as personagens das pessoas que as compõem. O que é ainda mais evidente num padre popular, com experiência de endireita, laivos de druida, imagem de filantropo e um sentido de humor pelo menos subversivo.



O lançamento do livro “NA BRECHA II”, da autoria do Pe. Francisco Dolores Medeiros, que teve lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho.




A obra, editada pela Turiscon Editora, foi apresentada pelo Pe. José Júlio Rocha e reúne 100 pequenos textos, em formato fac-similado, originalmente publicados no jornal “A União” nos anos de 1981 e 1982, abordando temas do quotidiano e das vivências humanas.
Segundo o autor, “há sempre uma brecha, ou uma abertura, por onde podemos vislumbrar novas perspectivas de vida, mesmo quando parece ter caído tudo à nossa volta e não existir uma saída”. O sismo de 1 de janeiro de 1980, que marcou profundamente os Açores, representou “o fim de um mundo” para milhares de pessoas, exigindo a reconstrução quase total das suas vidas e realidades.
“NA BRECHA II” surge, assim, como o reinício de uma crónica quase diária de um estado de espírito, refletindo a experiência de quem viveu esse período de descoberta e reconstrução, convidando o leitor a novas perspectivas de leitura e de vida, para além das ilhas, dos continentes e dos oceanos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Dia de Amigos nos Açores

 


O Dia de Amigos nos Açores:

 A Celebração da Amizade




O Dia de Amigos, celebrado numa quinta-feira, é uma das tradições mais emblemáticas dos Açores. Este dia, exclusivamente dedicado aos homens, marca o início das festividades carnavalescas e reflete o espírito comunitário e descontraído que caracteriza a cultura açoriana.

Uma Tradição de Convívio e Alegria

O Dia de Amigos é uma oportunidade para reforçar os laços de amizade masculina. Grupos de amigos, colegas de trabalho e familiares masculinos juntam-se para momentos de confraternização que podem variar entre almoços, jantares ou simples encontros em cafés e tascas locais.




Além do convívio à mesa, o humor e as brincadeiras são elementos indispensáveis. Não é raro que os grupos organizem pequenas partidas ou trocas de presentes humorísticos, refletindo o carácter descontraído e alegre deste dia.

Testamentos Humorísticos e Sátira Social

Uma das tradições mais interessantes do Dia de Amigos nos Açores é a leitura de “testamentos” humorísticos. Estes textos, escritos de forma satírica, são uma forma de brincar com as características ou histórias pessoais dos participantes, sempre num tom leve e divertido. Os testamentos têm como objetivo provocar risadas e criar um ambiente de camaradagem, reforçando os laços entre amigos.

O Contexto Cultural Açoriano




Nos Açores, onde o Carnaval é vivido de forma intensa e cheia de simbolismo, o Dia de Amigos ganha um destaque especial. Em ilhas como a Terceira, onde os bailinhos e danças de Carnaval têm um peso significativo, este dia funciona também como um aquecimento para as festividades que se aproximam.

As celebrações estão profundamente enraizadas na cultura local e são transmitidas de geração em geração, preservando a identidade açoriana. O Dia de Amigos é, portanto, mais do que um momento de convívio: é uma expressão de pertença e de valorização das relações interpessoais, um reflexo do espírito acolhedor e solidário das gentes das ilhas.


Um Convite à Celebração

Para quem visita os Açores durante o Carnaval, participar no Dia de Amigos é uma oportunidade única de vivenciar esta tradição de perto. Entre boa comida, risadas e a calorosa hospitalidade açoriana, este dia é uma janela para a autenticidade e para o profundo valor dado às amizades na cultura local.



Assim, o Dia de Amigos não é apenas um marco no calendário festivo açoriano, mas também um testemunho da alegria de viver que define a essência do arquipélago.

In: Publicado no Jornal dos Açores 9 (06-02-2025)