quarta-feira, 27 de julho de 2022

NFAH - 70 Anos (1952/2022)

 



Tributo aos nossos Fundadores


O Núcleo Filatélico de Angra do Heroísmo, Associação Cultural de Filatelistas, foi fundado a 10 de Junho de 1952. 

Os seus Estatutos foram aprovados por Alvará (nº23) de 8 de Julho de 1952.

Até 31 de Dezembro de 1979 esteve sempre em atividade reunindo e expondo na

então sede dos Montanheiros em Angra do Heroísmo.

Com o sismo de 1 de Janeiro de 1980 viu a sua vida cultural suspensa por 30 anos.



*** TRIBUTO AOS NOSSOS FUNDADORES ***
Esta foi uma singela homenagem aos nossos Fundadores, que muito honramos, e aos nossos sócios falecidos.
Dos 17 Fundadores do NFAH recebemos uma mensagem, que divulgamos, do único vivo. Tem 92 anos e vive em Oeiras.
Caros confrades do NFAH, parece que estamos todos de parabéns...!
Com grande mágoa minha, não poderei estar presente pois a idade já não me permite grandes deslocações e muito menos viagens de avião, mas sinto-me recompensado por poder dirigir-vos algumas palavras.
Se é certo que há setenta anos eu e alguns amigos, empenhados pelo coleccionismo de selos, fundamos este núcleo, nunca pensei que volvidos tantos anos, com a inestimável ajuda de todos vós e dos que já desapareceram, se mantivesse vivo, e pronto para comemorar tantos anos de vida.
Que venham outros, certamente já não comigo, mas convosco que comigo partilham o gosto, imaginação, prazer e a voluntariedade pela pesquisa e estudo filatélico. As dificuldades surgirão, mas sempre, estou convicto, as mesmas serão pacientemente ultrapassadas.
Saudações Filatélicas.
Hélder José François Sarmento (sócio fundador)















A 13 de Novembro de 2009, aquando da realização da exposição

“Pérolas do Atlântico”, no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo,

um grupo de filatelistas de Angra do Heroísmo foi desafiado a fazer renascer o NFAH.






Aceite o desafio, a 18 de Setembro de 2010, realizou-se uma Assembleia-Geral

Extraordinária promovida por uma Comissão Organizadora elegendo-se os seus

Órgãos Sociais. Desde então a sua atividade cultural não tem parado.


18 de Setembro de 2010
Mesa Eleitoral dos Órgãos Sociais
Dr. José Henrique Freitas
Dr. Francisco Maduro-Dias
Sr. José Gabriel Porto (falecido em 2018)
Sr. José Orlando Nunes




De lá até hoje o NFAH tem colaborado, participado, exposto, emitido, editado e divulgado,

um conjunto muito significativo de atividades culturais, a saber:

- Emissão de 301 selos personalizados

- Edição de 108 sobrescritos comemorativos

- Edição de 26 bilhetes-postais comemorativos

- 15 carimbos comemorativos (ofertas dos Correios de Portugal)

- 33 exposições temáticas

Aceder à coluna lateral deste blog e visitar:

NFAH - > Edições comemorativas

NFAH - > Carimbos comemorativos



Sendo uma Associação Cultural de Filatelistas abrange também todas as outras

formas de colecionismo, nomeadamente a Numismática, Medalhística, Cartofilia, Notafilia e

Papéis de Valor.





Tem como missão a divulgação, através do colecionismo, da História, Cultura e Património Açoriano.


Carimbo comemorativo



Selo personalizado














*** ABERTURA DAS COMEMORAÇÕES ***
A sessão foi aberta pelo Vice-presidente do NFAH, Dr. José Henrique Freitas. Tivemos como convidado de honra o Dr. Álamo de Meneses, Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e a representar os Correios de Portugal o Sr. Rui Castro, Gerente da Loja de Angra do Heroísmo.




Foram editados dois bilhetes-postais os quais foram obliterados pelos membros da mesa e pelo autor dos desenhos, o nosso associado Virgílio Toste.





Bilhete-postal comemorativo



Bilhete-postal comemorativo



*** BOLO DE ANIVERSÁRIO ***
E como não podia deixar de ser tivemos o nosso bolo de aniversário
 que foi acompanhado por um bom Verdelho dos Biscoitos.











RTP-AÇORES
CULTURA AÇORES
A REPORTAGEM

(ao minuto 10:35)

Clicar em -> Cultura Açores



VITEC - A REPORTAGEM

Clicar em -> VITEC



*** VOTO DE CONGRATULAÇÃO ***
No dia em que encerramos a nossa exposição comemorativa do 70.º aniversário recebemos, com surpresa, este ofício da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
O NFAH agradece tão alta deferência.


domingo, 12 de junho de 2022

Santos Populares








Santos Populares
(Origens)
 





As “Maias”, originaram as festas dos três Santos Populares, Santo António, S. João e S. Pedro.

Eram as “Maias” cantos litúrgicos dedicados no mês de Maio, à Virgem Maria, Porém, tendo-se adulterado o seu carácter religioso, com povo a fazer bailados  nas ruas das cidades, forma consideradas pagãs e assim, foram proibidas no século XIV, por ordem de El-Rei Dom João I. O povo que sempre gostou de cantar e bailar, passou todavia, a celebrar outra festa, oriunda da bênção dos primeiros frutos, em Quinta-Feira de Ascensão de Jesus Cristo: o “Dia da Espiga”, o povo vai aos campos para recolher, raminho de oliveira, rosmaninho, malmequer, papoila e trigo. Ainda hoje na «Quinta-Feira da Espiga»,  há esta tradição chegando a haver vendedores de rua a vender o “Raminho da Espiga” e que segundo a tradição é guardado em casa até ao ano seguinte.




Por meados do século XVIII,  os franceses durante o período napoleónico, iniciaram  a moda de dançar as marchas militares,  realizavam em Junho para celebrar a tomada da Bastilha a que chamavam “marche aux falambeaux ” em que o povo desfilava com uns archotes acesos na mão.

Este costume foi adoptado pelos portugueses que lhes passaram a chamar “Marcha ao flambó" (portanto adaptação do termo francês), só que nós os portugueses substituímos os «archotes revolucionários dos franceses» por "balões de papel" e "fogo de artificio", que  tinham sido costumes trazidos da China no século XVII, e que jà eram usados nos arraiais e feiras por todo o País, e assim  as antigas danças e cantares de "Maio à Virgem Maria"  que  entretanto tinham sido proibidas foram transpostas para o mês de Junho, passando a celebrar-se as festas dos «Santos Populares»,  “Santo António, São João e São  Pedro “.



Lisboa veste-se de cravos rubros que são esplendor em Junho festivo, de vasos com manjericos nas janelas, sendo costume colocar na copa do manjerico, um cravo encarnado com uma bandeirinha hasteada com uma quadra popular escrita.

Se eu fosse o cravo vermelho
Que trazes sobre o teu peito
Por muito que fosse velho
Não te guardava respeito



Cravo manjerico e vaso
E uma quadrinha singela
Tudo lhe dei... Não fez caso!...
Pronto! Não caso com ela


 


Ateia-se uma fogueira  para assar as sardinhas,  mas os rapazes e raparigas saltam e bailam á sua volta até ao raiar do dia.
 
A alcachofra brava, também tem o seu simbolismo nestas festividades, quem queria saber se era correspondida/o no amor pelo namorado, devia chamuscar na fogueira, a alcachofra em flor, e sea mesma  passados alguns dias voltasse a florir, era sinal que o amor era sincero e daria em casamento.

Sobre o saltar à fogueira, houve também muita inspiração para versos mais “malandrecos”

Ou ela não usa calças
Ou as tem na lavadeira
Dei por isso ontem à noite
Quando saltava à fogueira

As Marchas têm um ritmo diferente do Fado: mais cadenciado, mais vivo e de métrica poética menos uniforme, sempre enriquecida pelo «estribilho» , o refrão no Fado, mas arcos, balões, cravos manjericos, alcachofras, fogueiras e danças não deixam de ser motivos de inspiração para os letristas de Fado.






«Quando chega o mês de Junho
Mês dos Santos Populares
Reina uma santa alegria
Traduzida em mil cantares!

É Santo António?
Ou São João?
Será São Pedro
O de maior devoção?»


 
O nome de Junho deriva do latim Junius, de Júnio Bruto, ou deve-se ao facto de ser consagrado a Juno, rainha dos deuses e mulher de Júpiter, na mitologia romana. Equivale à deusa grega Hera e, como ela, era protectora das virtudes femininas, para além da rainha do céu, protectora do Estado, ao mesmo nível de Júpiter e Minerva, com quem formava a Tríade Capitolina. (O Monte Capitolino era o mais ilustre das colinas de Roma, sobre o qual se erguia o Templo de Júpiter, rodeado de Juno e Minerva).


 
Datas das efemérides (publicações próximas)

Santo António a 13 de Junho
São João a 24 de Junho
São Pedro a 29 de Junho


Fonte: http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/33309.html

sexta-feira, 10 de junho de 2022

DIA DE PORTUGAL


História do Dia de Portugal



Durante o regime ditatorial do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, o dia 10 de Junho era celebrado como o “Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses”. Foi aproveitado para exacerbar as características nacionais.


Como Camões foi uma figura emblemática, associada aos Descobrimentos, foi usado como forma de o regime celebrar os territórios coloniais e o sentimento de pertença a uma grande nação espalhada pelo mundo, com uma raça e língua comum.

O 10 de Junho é estipulado como feriado, na sequência dos trabalhos legislativos após a  implantação da República a 5 de Outubro de 1910. No decorrer desses trabalhos legislativos, foi publicado um  decreto a 12 de Outubro, que definia os feriados nacionais.

Alguns feriados foram eliminados, particularmente os religiosos, de modo a diminuir a influência da  Igreja Católica e com o objectivo de consolidar a laicização da sociedade.

O decreto que definia os feriados nacionais dava ainda a possibilidade dos municípios e concelhos escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais. Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões, uma vez que a data é apontada como sendo a da morte do poeta.

O 10 de Junho começou  por ser apenas um feriado municipal para passar a ser particularmente exaltado com o Estado Novo. Foi a partir desse período que o dia de Camões passou a ser festejado a nível nacional.

Até ao 25 de Abril, o 10 de Junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça, este último epíteto criado por Salazar na inauguração do  Estádio Nacional do Jamor em 1944. A partir de 1978 este dia fica designado como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.


Que outras datas também poderiam ser o

“Dia de Portugal”?




O dia 10 de Junho celebra o Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Embora o simbolismo da data seja importante: a morte do grande poeta Luís de Camões (haverá algo mais belo do que um país que celebra o seu dia em homenagem ao maior dos seus poetas?) levantam-se algumas questões: em primeiro lugar, não há a certeza absoluta que Camões faleceu mesmo no dia 10 de Junho.



E em segundo lugar, este dia está um pouco manchado pelo facto de ele ter surgido no tempo da ditadura com o nome de “Dia da Raça”. Afinal, que outras datas poderiam ser dia de Portugal?


1 - 24 de Junho

Batalha de São Mamede foi uma batalha travada a 24 de Junho de 1128, entre D. Afonso Henriques e as tropas dos barões portucalenses contra as tropas do Conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentava apoderar do governo do Condado Portucalense. As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.

Quando o conde D. Henrique morreu, a 1 de Novembro de 1112, fica D. Teresa a governar o condado, pois achava que este lhe pertencia por direito, mais do que a outrem, porque o seu pai lhe teria dado o território na altura do casamento. Associou ao governo o conde galego Bermudo Peres de Trava e o seu irmão Fernão Peres de Trava.
A crescente influência dos condes galegos no governo do condado Portucalense levou à revolta verificada em 1128. Os revoltosos escolheram para seu líder D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique e de D. Teresa.
Com a derrota, D. Teresa e Fernão Peres abandonaram o governo condal, que ficou então nas mãos do infante e dos seus partidários, o que desagradou ao Bispo de Santiago de Compostela, Diogo Gelmires, que cobiçava o domínio das terras.
D. Teresa desistia assim da ambição de ser senhora de Portugal. Há rumores não confirmados que ela teria sido aprisionada no Castelo de Lanhoso. Há até quem relate as maldições que D. Teresa rogou ao seu filho D. Afonso Henriques.


2 - 5 de Outubro

Tratado de Zamora foi um diploma resultante da conferência de paz entre D. Afonso Henriques e seu primo, Afonso VII de Leão e Castela. Celebrado a 5 de Outubro de 1143, esta é considerada como a data da independência de Portugal e o início da dinastia afonsina. 

Oficialmente era comemorada a implantação da República, em Portugal, em 1910. Nesse dia, simpatizantes da causa monárquica costumam celebrar, por seu lado, o nascimento do Reino de Portugal, em 1143.

Pelos termos do tratado, Afonso VII concordou em que o Condado Portucalense passasse a ser reino, tendo D. Afonso Henriques como seu rex (rei). Embora reconhecesse a independência, D. Afonso Henriques continuava a ser vassalo, pois D. Afonso VII para além de ser rei de Leão e Castela considerava-se imperador de toda a Hispânia.


A soberania portuguesa, reconhecida por Afonso VII em Zamora, veio a ser confirmada pelo Papa Alexandre III só em 1179, mas o título de rex, que D. Afonso Henriques usava desde 1140, foi confirmado em Zamora, comprometendo-se então o monarca português, ante o cardeal, a considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.

3 - 14 de Agosto

Batalha de Aljubarrota decorreu no final da tarde de 14 de Agosto de 1385 entre tropas portuguesas com aliados ingleses, comandadas por D. João I de Portugal e o seu Condestável D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano e seus aliados liderados por D. João I de Castela.

A batalha deu-se no campo de São Jorge, pertencente à freguesia de Calvaria de Cima, concelho de Porto de Mós, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre o referido concelho e Alcobaça.

                               

O resultado foi uma derrota definitiva dos castelhanos, o fim da crise de 1383-1385 e a consolidação de D. João I, Mestre de Avis, como rei de Portugal, o primeiro da Dinastia de Avis.


A aliança Luso-Britânica saiu reforçada desta batalha e seria selada um ano depois, com a assinatura do Tratado de Windsor e o casamento do rei D. João I com D. Filipa de Lencastre.


Como agradecimento pela vitória na Batalha de Aljubarrota, D. João I mandou edificar o Mosteiro da Batalha. A paz com Castela só viria a estabelecer-se em 1411 com o Tratado de Ayllón, ratificado em 1423.

A Batalha de Aljubarrota foi uma das raras grandes batalhas campais da Idade Média entre dois exércitos régios e um dos acontecimentos mais decisivos da história de Portugal. Inovou a táctica militar, permitindo que homens de armas apeados fossem capazes de vencer uma poderosa cavalaria.

No campo diplomático, permitiu a aliança entre Portugal e a Inglaterra, que perdura até hoje. No aspecto político, resolveu a disputa que dividia o Reino de Portugal do Reino de Castela e Leão, permitindo a afirmação de Portugal como Reino Independente, abrindo caminho sob a Dinastia de Avis para uma das épocas mais marcantes da história de Portugal, a era dos Descobrimentos.





4 - 7 de Junho

Tratado de Tordesilhas, assinado na povoação castelhana de Tordesilhas em 7 de Junho de 1494, foi um tratado celebrado entre o Reino de Portugal e o recém-formado Reino da Espanha para dividir as terras “descobertas e por descobrir” por ambas as Coroas fora da Europa.

Este tratado surgiu na sequência da contestação portuguesa às pretensões da Coroa espanhola, resultantes da viagem de Cristóvão Colombo, que um ano e meio antes chegara ao chamado Novo Mundo, reclamando-o oficialmente para Isabel, a Católica.



O tratado definia como linha de demarcação o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde. Esta linha estava situada a meio caminho entre estas ilhas (então portuguesas) e as ilhas das Caraíbas descobertas por Colombo, no tratado referidas como “Cipango” e Antília.

Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal e os territórios a oeste, à Espanha. O tratado foi ratificado pela Espanha a 2 de julho e por Portugal a 5 de setembro de 1494. Algumas décadas mais tarde, na sequência da chamada “questão das Molucas”, o outro lado da Terra seria dividido, assumindo como linha de demarcação, a leste, o antimeridiano correspondente ao meridiano de Tordesilhas, pelo Tratado de Saragoça, a 22 de abril de 1529.

No contexto das Relações Internacionais, a sua assinatura ocorreu num momento de transição entre a hegemonia do Papado, poder até então universalista, e a afirmação do poder singular e secular dos monarcas nacionais – uma das muitas facetas da transição da Idade Média para a Idade Moderna.



5 - 1 de Dezembro

Restauração da Independência é a designação dada ao golpe de estado revolucionário ocorrido a 1 de Dezembro de 1640, chefiada por um grupo designado de Os Quarenta Conjurados e que se alastrou por todo o Reino, pela revolta dos portugueses contra a tentativa da anulação da independência do Reino de Portugal pela governação da Dinastia filipina castelhana, e que vem a culminar com a instauração da 4.ª Dinastia Portuguesa – a casa de Bragança – com a aclamação de D. João IV.

Esse dia, designado como Primeiro de Dezembro ou Dia da Restauração, é comemorado anualmente em Portugal com muita pompa e circunstância desde o tempo da monarquia constitucional. Uma das primeiras decisões da República Portuguesa, em 1910, foi passá-lo a feriado nacional como medida popular e patriótica.
In: Vortexmag