domingo, 22 de fevereiro de 2026

João Afonso (1923-2014)


Foto de 26 de Agosto de 2013, véspera de completar 90 anos.



João Dias Afonso (Angra do Heroísmo, 27 de Agosto de 1923 — Angra do Heroísmo, 22 de Fevereiro de 2014) foi um escritor, jornalista e investigador da etnografia e da baleação açorianas.

Nasceu na freguesia da Sé, no imóvel da Rua de Jesus que actualmente ostenta uma placa em sua homenagem, filho de Joaquim Luís Afonso, comerciante, e da professora do ensino primário, Maria da Glória Zulmira Dias Afonso.

Depois de concluir o ensino secundário no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, aos 18 anos de idade matriculou-se na  Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, curso que não chegou a concluir.

Regressado à sua cidade natal, cumpriu o serviço militar obrigatório como oficial miliciano de administração militar, sendo desmobilizado como tenente no Batalhão Independente de Infantaria nº 17, então aquartelado no Castelo de São João Batista.


Foi então contratado como bibliotecário da então Biblioteca Municipal de Angra do Heroísmo, iniciando aí uma carreira que o levaria a técnico superior principal de bibliotecas e arquivos e a director daquela instituição.

Quando a Biblioteca Municipal foi integrada na Biblioteca Pública de Angra do Heroísmo, passou a funcionário superior da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Angra do Heroísmo, funções que exerceu até se aposentar.

Foi director interino da instituição por diversas vezes, como aconteceu no impedimento de Manuel Coelho Baptista de Lima, enquanto este foi presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

Na instituição em que trabalhava, e noutros arquivos nacionais e estrangeiros, realizou investigação no âmbito da história dos Açores, da etnografia e em particular sobre a história da baleação nos Açores, campo em que foi um dos grandes especialistas e pioneiro no estudo daquela actividade no arquipélago açoriano.

Nos estudos sobre a caça à baleia realizou investigação nos Estados Unidos (Nova Inglaterra e Califórnia) e no Reino Unido, tendo sido principal mentor da organização etno-histórica do Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico.


No campo da etnografia histórica açoriana publicou numerosos artigos sobre os trajes tradicionais açoriano. Também se dedicou à bibliografia, tendo realizado um inventário exaustivo da bibliografia açoriana, que tem vindo a ser publicado em numerosos volumes pela departamento da cultura do Governo dos Açores.

Como jornalista esteve ligado à fundação do Diário Insular, periódico em que publicou muitas centenas de artigos, e foi colaborador assíduo de A União, jornais de Angra do Heroísmo.

No Diário Insular coordenou uma notável página de Artes e Letras durante 30 anos, de 1946 a 1978, apenas interrompendo entre 1959 e 1961, período em que foi redator da Agência Noticiosa de Informação, em Lisboa.


 Foi o primeiro delegado da RTP nos Açores, nomeado por Ramiro Valadão em 1969.

Como poeta fez parte da corrente do modernismo insular de meados do século XX com uma poesia que Vitorino Nemésio considerou como permitindo «conseguir às vezes admiráveis efeitos de simplicidade e pureza».

Alguns dos poemas que publicou na imprensa periódica foram assinados com o pseudónimo Álvaro Orey.












Ganhou em 1960 o Prémio Nacional de Poesia do Secretariado Nacional de Informação,
com o livro Pássaro Pedinte e Ruas Dispersas, prefaciado por Vitorino Nemésio.


Geminação da Cidade de Angra do Heroísmo

 com Tulare (USA), a 10 de Março de 1966



João Afonso foi o impulsionador do movimento das cidades-irmãs Angra do Heroísmo-Tulare.

Tulare foi a primeira cidade com a qual Angra do Heroísmo se geminou. E, graças ao carácter visionário de João Afonso, o percursor do estabelecimento deste laço, esta foi também uma das três primeiras geminações de autarquias portuguesas e a primeira geminação de uma autarquia açoriana. Mas isto não ocorreu por acaso. Tulare, à época, em 1966, era maioritariamente habitada por cidadãos terceirenses. E a verdade é que hoje, mesmo depois do enorme crescimento que a cidade verificou, esta é, entre as médias cidades californianas, a que maior percentagem tem de população portuguesa e, particularmente, população descendente da ilha Terceira.”






Em 1989 foi condecorado com o grau de comendador da
 Ordem do Infante Dom Henrique.


Cidadão Honorário de Angra do Heroísmo

João Dias Afonso

Reunião de Câmara de 16-10-2003

Sessão da Assembleia de 19-12-2003



Foi sócio fundador da Real Associação da Ilha Terceira e sócio efectivo das seguintes instituições:

- Academia Portuguesa da História
- Sociedade de Geografia de Lisboa
- Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (Brasil)
- Instituto Histórico da Ilha Terceira
- Instituto Açoriano de Cultura
- Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves
- Núcleo Cultural da Horta

Colaborador de várias enciclopédias e revistas culturais portuguesas.








Entre muitas obras dispersas pelos periódicos em que colaborou, é autor das seguintes monografias:
  • Enotesco (poesia), Angra do Heroísmo, s.d. [1955];
  • Pássaro Pedinte e Ruas Dispersas (poesia, com prefácio de Vitorino Nemésio, Lisboa, 1960;
  • Cantigas do Terramoto para Ler e Passar (poesia), Angra do Heroísmo, 1980;
  • Garrett e a Ilha Terceira, edição da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1954;
  • Antero de Quental e o Pensamento da Revolução Nacional, Lisboa, 1967;
  • Açores de Outrora na Ilha Terceira Daqueles Tempos, edição do Instituto Açoriano de Cultura, 1978;
  • O Traje nos Açores, edição do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1978, 2.ª ed. 1987;
  • Açores em Novos Papéis Velhos, edição do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1980;
  • Memoração Ribeiriana (sobre Luís da Silva Ribeiro), edição do IHIT, 1982;
  • Notabilidade de Dacosta (sobre António Dacosta), Angra do Heroísmo, 1983;
  • O Galeão de Malaca no Porto de Angra em 1659: Um Processo Judicial - Linschoten, edição do Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1984;
  • Baleias e Baleeiros - Açorianos nos Sete Mares e Ancorados nas Suas Ilhas, Angra do Heroísmo, 1988.
  • Bibliografia Geral dos Açores, DRAC/SREC, 3 volumes (1985-1997, ainda com 8 volumes em publicação.

Para além das monografias de que é autor, organizou, anotou e prefaciou:

  • Luís Ribeiro, Subsídios para Um Ensaio sobre a Açorianidade, Angra do Heroísmo, colecção «Ínsula», 1964;

  • Luís Ribeiro, Obras (3 volumes), edição do Instituto Histórico da Ilha Terceira e da Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1982-1983

In: Wikipédia (parcial)


João Afonso - Monograma



1954 - João Afonso discursando no descerramento da placa existente na casa onde viveu
 Almeida Garrett
 na Rua de São João em Angra.









𝐀𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 | 𝐓𝐨𝐦𝐨𝐬 𝐈𝐕 𝐞 𝐕 𝐝𝐚 𝐁𝐢𝐛𝐥𝐢𝐨𝐠𝐫𝐚𝐟𝐢𝐚 𝐆𝐞𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐨𝐬 𝐀𝐜̧𝐨𝐫𝐞𝐬
A Direção Regional dos Assuntos Culturais promoveu no dia 7 de março de 2024, pelas 18h00, no auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro o lançamento dos tomos IV e V da Bibliografia Geral dos Açores: sequência açoriana do Dicionário Bibliográfico Português. A apresentação estará a cargo do Doutor José Guilherme Reis Leite.
A Bibliografia Geral dos Açores, foi um projeto coordenado por João Afonso, com início em 1978. Os tomos 1 e 2 editaram-se em 1985 e, dois anos mais tarde, deu à estampa o 3.º tomo, conseguindo-se um total de 17 524 entradas de documentação que se encontrava dispersa em bibliotecas regionais, nacionais e internacionais. A Secretaria Regional da Educação e dos Assuntos Culturais, através da Direção Regional dos Assuntos Culturais promove a continuidade das publicações da obra Bibliografia Geral dos Açores através dos tomos 4 e 5.
Como foi referido na nota introdutória do 1.º tomo, pelo antigo Secretário Regional da Educação e Cultura, Doutor José Guilherme Reis Leite, esta bibliografia especializada é uma obra de imenso valor cultural para os Açores e uma “interminável viagem do diálogo sempre renovado com os livros”. A Bibliografia Geral dos Açores, segundo Duarte Nuno Chaves, Diretor Regional dos Assuntos Culturais “é uma importante fonte auxiliar de pesquisa para o entendimento e conhecimento geral sobre o Arquipélago dos Açores”.

Fonte: Cultura Açores

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Vitorino Nemésio (1901-1978)





Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Praia da Vitória, 19 de Dezembro de 1901Lisboa, 20 de Fevereiro de 1978) foi um poeta, escritor e intelectual de origem açoriana que se destacou como romancista, autor de Mau Tempo no Canal, e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Vitorino Nemésio
Desenho de Emanuel Félix (2012)


Biografia


 
Filho de Vitorino Gomes da Silva e Maria da Glória Mendes Pinheiro, na infância a vida não lhe correu bem em termos de sucesso escolar, uma vez que foi expulso do Liceu de Angra, e reprovou o 5.º ano, fato que o levou a sentir-se incompreendido pelos professores. Do período do Liceu de Angra, apenas guardou boas recordações de Manuel António Ferreira Deusdado, professor de História, que o introduziu na vida das Letras.

Com 16 anos de idade, Nemésio desembarcou pela primeira vez na cidade da Horta para se apresentar a exames, como aluno externo do Liceu Nacional da Horta. Acabou por concluir o Curso Geral dos Liceus, em 16 de Julho de 1918, com a qualificação de dez valores.
A sua estadia na Horta foi curta, de Maio a Agosto de 1918. A 13 de Agosto o jornal O Telégrafo dava notícia de que Nemésio, apesar de ser um fedelho, um ano antes de chegar à Horta, havia enviado um exemplar de Canto Matinal, o seu primeiro livro de poesia (publicado em 1916), ao director de O Telégrafo, Manuel Emídio.



Apesar da tenra idade, Nemésio chegou à Horta já imbuído de alguns ideais republicanos, pois em Angra do Heroísmo já havia participado em reuniões literárias, republicanas e anarco-sindicalistas, tendo sido influenciado pelo seu amigo Jaime Brasil, cinco anos mais velho (primeiro mentor intelectual que o marcou para sempre) e por outras pessoas tal como Luís da Silva Ribeiro, advogado, e Gervásio Lima, escritor e bibliotecário.

Em 1918, ao final da Primeira Guerra Mundial, a Horta possuía um intenso comércio marítimo e uma impressionante animação nocturna, uma vez que se constituía em porto de escala obrigatória, local de reabastecimento de frotas e de repouso da marinhagem. Na Horta estavam instaladas as companhias dos Cabos Telegráficos Submarinos, que convertiam a cidade num "nó de comunicações" mundiais. Esse ambiente cosmopolita contribuiu, decisivamente, para que ele viesse, mais tarde a escrever uma obra mítica que dá pelo nome de Mau Tempo no Canal, trabalhada desde 1939 e publicada em 1944, cuja acção decorre nas ilhas Faial, Pico, São Jorge e Terceira, sendo que o núcleo da intriga se desenvolve na Horta.


Este romance evoca um período (1917-1919) que coincide em parte com a sua permanência na ilha do Faial e nele aparecem pessoas tais como o Dr. José Machado de Serpa, senador da República e estudioso, o padre Nunes da Rosa, contista e professor do Liceu da Horta, e Osório Goulart, poeta.

Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria, o que lhe proporcionou a primeira viagem para fora do arquipélago. Concluiu o liceu em Coimbra (1921) e inscreve-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica.

Na primeira viagem que faz à Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conheceu Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864-1936), intelectual republicano, e teórico do humanismo revolucionário antifranquista, com quem trocará correspondência anos mais tarde.

A 12 de Fevereiro de 1926 desposou, em Coimbra, Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, com quem teve quatro filhos: Georgina (Novembro de 1926), Jorge (Abril de 1929), Manuel (Julho de 1930) e Ana Paula (Dezembro de 1931).

Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a leccionar literatura italiana. A partir de 1931 deu inicio à carreira académica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde leccionou Literatura Italiana e, mais tarde, Literatura Espanhola.
Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.

Entre 1937 e 1939 leccionou na Universidade Livre de Bruxelas, tendo regressado, neste último ano, ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa.Em 1958 leccionou no Brasil.

A 19 de Julho de 1961 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e a 17 de Abril de 1967 Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

A 12 de Setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas.

Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de Dezembro de 1975 a 25 de Outubro de 1976.

Foi um dos grandes escritores portugueses do século XX, tendo recebido em 1965, o Prémio Nacional da Literatura e, em 1974, o Prémio Montaigne.


Medalha comemorativa da sua morte
Lisboa, 20 de Fevereiro de 1978
Faleceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF, e foi sepultado em Coimbra. Pouco antes de morrer, pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais, em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.

A 30 de Agosto de 1978 foi elevado a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada a título póstumo.

A Casa das Tias de Vitorino Nemésio

A Casa das Tias de Vitorino Nemésio é um edifício histórico localizado em frente à Igreja do Senhor Santo Cristo das Misericórdias, na freguesia de Santa Cruz, concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores. Foi aqui que o escritor açoriano, Vitorino Nemésio, passou parte da sua infância e 

juventude.

Nesta casa residiram as tias de Nemésio, senhoras que lhe pagaram os estudos universitários visto os pais do jovem Nemésio serem de condição relativamente humilde e não terem poses para arcarem com esse ónus. O pai de Nemésio era funcionário público, lotado na Câmara Municipal da Praia da Vitória, tinha morada própria, era professor de música e chegou a ter um estabelecimento comercial.



A mãe de Nemésio, D. Maria da Glória, filha da D. Rita Mendes e irmã da D. Júlia e da D. Augusta, após a morte do marido e como se encontrava sozinha, visto o filho estar fora da ilha, recolheu-se à casa das irmãs, e para muitos estudiosos de Nemésio deve ser neste sentido que principalmente se deve entender que as "tias" ajudaram o autor de "Mau Tempo no Canal".



Já na posse das tias de Nemésio foi usada como moradia mas também, devido às suas dimensões, como ajuda à comunidade. Por alturas do Verão, as lojas do andar de baixo eram emprestadam a pescadores que, em Junho e Julho, vinham da Ilha do Pico para Praia da Vitória a negócios.


Anos mais tarde, o pavimento térreo do solar sediou uma fábrica de pirulitos, a "Fábrica de Pirolitos Pinto".

Na década de 1960 o solar alojou uma escola primária que deixou de funcionar por volta de 1973-1974. Já quase nos finais do século XX a edificação foi adquirida pela autarquia local que planeou ali instalar algo que dignificasse o imóvel. Isso só veio a materializar-se em Abril de 2009, após obras de restauro de grande vulto. Actualmente o solar alberga a Biblioteca Pública Silvestre Ribeiro, no piso inferior, e a sede da Assembleia Municipal, na parte superior.

Em 1994, frente à Casa das Tias foi inaugurado um busto do escritor, da autoria do escultor Álvaro Raposo França.

Trata-se de uma construção que remonta ao século XVIII. Foi pertença de Ivo Mendes que, no século XIX, a vendeu à família de Vitorino Nemésio, na pessoa das irmãs e suas tias, D. Augusta e D. Júlia Mendes. Foi reconstruída após o terramoto de 1841.

Vitorino Nemésio foi ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo, historiador da literatura e da cultura, jornalista, investigador, epistológrafo, filólogo e comunicador televisivo, para além de toda a actividade de docência.

Levou a cabo, na sua obra, uma transformação das tendências da Presença (que de certa forma precedeu), que garantiu a eternidade dos seus textos. Fortemente marcado pelas raízes insulares, a vida açoriana e as recordações da sua infância percorrem a obra do escritor, numa espécie de apelo, revelado pela ternura da sua inspiração popular, pela presença das coisas simples e das gentes, e pela profunda humanidade face à existência e ao sofrimento da vida humana.

Entre as suas principais obras contam-se:

Poesia

  • O Bicho Harmonioso (1938)
  • Eu, Comovido a Oeste (1940)
  • Nem Toda a Noite a Vida (1953)
  • O Verbo e a Morte (1959)
  • Canto de Véspera (1966)
  • Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976)

Ficção

Ensaio e Crítica

  • Sob os Signos de Agora (1932)
  • A Mocidade de Herculano (1934)
  • Relações Francesas do Romantismo Português (1936)
  • Ondas Médias (1945)
  • Conhecimento de Poesia (1958)

Crónica

  • O Segredo de Ouro Preto (1954)
  • Corsário das Ilhas (1956)
  • Jornal do Observador (1974).



A Ficção em Vitorino Nemésio


Os trechos de inspiração açoriana são bastante significativos na sua obra notando-se a presença de infantis lembranças, e amores, dores e agoiros de figuras de humildes que nestas páginas ficam vivendo, sob a obsessão circundante do mar, na opinião de Afonso Lopes Vieira. A sua experiência de ilhéu encontra-se presente na sua obra em geral, cuja vida no domínio da ficção se inicia em 1924 com a publicação do volume de contos Paço do Milhafre prefaciada por Afonso Lopes Vieira, e mais tarde rebaptizada com o título O Mistério do Paço do Milhafre, tendo sido publicada em 1949.

Vitorino Nemésio ao longo de toda a sua carreira literária nunca deixou de surpreender os demais. O escritor nos seus romances conseguiu transmitir uma certa originalidade de escrita, sobretudo na descrição dos lugares e no desenho das personagens, e até dar uma certa generosidade humana que se pode presenciar em Varanda de Pilatos, (obra publicada em 1927) e no volume de novelas A Casa Fechada, constituída por três histórias: O Tubarão, Negócio de Pomba e A Casa Fechada Em relação a esta última história, a crítica foi bastante positiva e unânime, tendo sido considerada uma obra excepcional.
Contudo houve uma obra romanesca, mais complexa, variada, densa e subtil que é Mau Tempo no Canal, obra incomparável na literatura portuguesa do século XX. Este romance havia já sido "ensaiado" pela novela Negócio de Pomba, isto é, esta possui muitos aspectos que irão ser tratados a posteriori naquele romance.

Circulou a 15 de Maio de 2015
Depois de ter escrito Mau Tempo no Canal, pode-se afirmar que Vitorino Nemésio nunca mais voltou aos trilhos do romance. Ele próprio afirma num inédito do seu espólio Morro autor de um romance único. Mau Tempo no Canal corresponde ao momento mais alto da sua vasta produção literária e é uma das obras-primas da literatura portuguesa.


Ao visitar a Horta pela segunda vez, em 1946, escreveu em Corsário das Ilhas: Gosto da Horta como de nêsperas. Tinha saudades do que fui, já nem sei bem como, aqui. Todo o imaginado é mais ou menos frustrado quando o realizamos; mas na Horta não é bem excedido […]. Matriz no alto onde foram as casas do donatário flamengo e que os jesuítas adaptaram, como sempre, cubicular e faustosamente, mais duas ou três igrejas conventuais nos altos; a cada ponta, ou sainte, as paróquias da Conceição e das Angústias, e o mais que é preciso para completar uma cidadezinha airosa alva como uma noiva – Horta, ou seja, trinta anos depois, Nemésio continuava a recordar os primores do acolhimento, a hospitalidade patriarcal, a gentileza em tudo e por tudo.


Outros géneros narrativos

Dentro do género narrativa, para além da obra de ficção, Vitorino Nemésio escreveu e publicou obras de natureza biográfica: desde logo o seu doutoramento tratou a vida de Alexandre Herculano. Escreveu igualmente uma biografia de Isabel de Aragão, a Rainha Santa.





Também escreveu crónicas das viagens que fez ao Brasil, aos Açores e à Madeira e publicou ensaios sobre temas diversos, como temas portugueses e brasileiros, um ensaio sobre Gil Vicente e também crítica de poesia.



 

A Poesia em Vitorino Nemésio

Nemésio é sobretudo um poeta, tal como ele próprio o afirma, uma vez que escrever poesia foi uma actividade ininterrupta mantida desde 1916 (com o Canto Matinal) até 1976 (Era do Átomo Crise do Homem). Entre as suas principais obras poéticas contam-se:
  • O Bicho Harmonioso (publicada em 1938)
  • Eu, Comovido a Oeste (publicada em 1940)
  • Festa Redonda (publicada em 1950)
  • Nem toda a Noite a Vida (publicada em 1952)
  • O Pão e a Culpa (publicada em 1955)
  • O Verbo e a Morte (publicada em 1959)
  • Sapateia Açoriana (publicada em 1976)
Na opinião de Óscar Lopes, falando a respeito da poesia nemesiana, ele diz-nos que os volumes de versos se podem agrupar em dois ciclos distintos e que se intersectam na obra Nem toda a Noite a Vida que é o mais heterogéneo de todos.

No primeiro ciclo a temática está relacionada com a insularidade, com a saudade à ilha, à infância, à adolescência, ao pai e ao seu primeiro amor proibido. Toda esta temática está bem visível em O Bicho Harmonioso e em Eu, Comovido a Oeste.

No segundo ciclo já se nota uma transmutação de temas, enveredando para uma temática religiosa e metafísica. Coloca questões acerca da vida e da morte, do ser (devir e permanência do ser), e da busca de sentido para a existência. Por isso o poeta é identificado com a corrente filosófica existencialista. A par desta poesia erudita o poeta cultiva também uma poesia popular profundamente marcada por símbolos de açorianidade, pelo que muitas vezes é acusado de regionalismo literário na sua obra.





Outras actividades

A par da sua actividade literária e de docência, Vitorino Nemésio dava conferências (foi numa das viagens à Espanha para dar uma conferência que acabou por conhecer pessoalmente Miguel Unamuno), colaborava com a RTP (Se Bem Me Lembro), bem como em várias revistas e jornais ( Seara Nova, Presença, O Diabo e Diário Popular), fundou e dirigiu em conjunto com outros jornais e revistas Gente Nova), foi redactor de jornais e assumiu a direcção do jornal O Dia, no fim da sua carreira profissional.

O conceito de Açorianidade



O conceito de "Açorianidade" foi definido por Nemésio em 1932 e, desde então, foi amplamente divulgado em contextos bem diferenciados, desde estudos de âmbito literário a intervenções de ordem política. Naquele ano, por ocasião do V Centenário do Descobrimento dos Açores, afirmou:
"(...) Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; e logo o sentimento de uma herança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar.
Um espírito nada tradicionalista, mas humaníssimo nas suas contradições, com um temperamento e uma forma literária cépticos, - o basco espanhol Baroja, - escreveu um livro chamado Juventud, Egolatria 'O ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um augúrio de liberdade e de câmbio'. Escreveu a verdade. E muito mais quando se nasce mais do que junto do mar, no próprio seio e infinitude do mar, como as medusas e os peixes (...)
Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quási religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água (...)
(...) Meio milénio de existência sobre tufos vulcânicos, por baixo de nuvens que são asas e bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de tempo - e o tempo é espírito em fieri (...)
Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.
Um dia, se me puder fechar nas minhas quatro paredes da Terceira, sem obrigações para com o mundo e com a vida civil já cumprida, tentarei um ensaio sobre a minha açorianidade subjacente que o desterro afina e exacerba."

Fonte: Wikipédia




sábado, 14 de fevereiro de 2026

Dia dos Namorados (14 de Fevereiro)



Dia dos Namorados, ou dia de São Valentim,
 celebra-se a 14 de Fevereiro.

Mais romântico do que o amor que está no ar nesta altura é a origem dessa comemoração, a mais romântica do ano.

Origem do Dia dos Namorados



A história do Dia de São Valentim remonta ao século III d.c. O Imperador romano Cláudio II proibiu os casamentos, para assim angariar mais soldados para as suas tropas.

Um sacerdote da época, de nome Valentim, desrespeitou este decreto imperial, realizando casamentos. O segredo foi descoberto e Valentim foi preso, torturado e condenado à morte.



Executado no dia 14 de Fevereiro do ano de 269, a data deu origem ao dia dos namorados.
Antes de morrer, porém, Valentim conseguiu enviar e receber algumas cartas ainda na cela, o que originou a troca de cartões, os chamados "valentines".



Dia dos Namorados
Emissão CTT - 2026