domingo, 21 de novembro de 2021

O Hospital dos Descobrimentos



Desenho do artista terceirense
Emanuel Félix (21-NOV-2021)





1492
 O HOSPITAL DOS DESCOBRIMENTOS

I
OMBRO A OMBRO COM A HISTORIA

Século XVIII - Igreja da Misericórdia











A expansão ultramarina portuguesa, ini­ciada com a conquista de Ceuta, abriu a era das descobertas com a chegada ao Porto Santo, em 1417. Em 1512, António de Abreu chegava às Molucas e ao Pacífi­co, roçando a Austrália (1) e atingindo partes que Fernão de Magalhães alcançaria em 1522 pelo hemisfério espanhol. O Tratado de Saragoça (1529), deslo­cando 17 graus para Leste o meridiano de Tordesilhas, completava o abraço que os povos ibéricos deram à volta do mundo.

António de Abreu, no seu regresso a Portugal, veio morrer aqui nos Açores, e quem sabe se teria sido um dos moribundos acolhidos no Hospital do Santo Es­pírito, fundado duas décadas atrás.


É que – assim nos vamos distraindo de marcos da nossa História – foi no mesmo ano em que Colombo atingiu as Caraíbas, e até uns meses antes dessa via­gem, que se instituiu, na que então era a vila de Angra, um hospital sob a in­vocação do Espírito Santo. 
Passaram já mais de 500 anos sobre esta instituição. E é a comemoração deste acontecimento notável que nos reúne agora aqui.

O texto que se conhece como carta da fundação do hospital foi divulgado há mais de 20 anos pela mesa da Santa Casa da Misericórdia de Angra, segundo a leitu­ra dele feita por João Afonso, membro dela e do Instituto Histórica da Ilha Terceira.  É o seguinte :



«Anno do nascimtº de nosso Sor. Jesu Christo de mil, e quatro centos, e noventa e dous annos, aos quinze dias do mes demarço da ditta era em ailha Terçeira na villa dangra dentro em a caza de Santo espirito daditta vila estando o Sr joão Vaaz corte real capitão, e João Borges cavaleiro da ca­za DelRei nosso Snr., e João de laguos Juiz doditto hospital, e Afonso An­nes da Costa, e João de lameguo mordomo da ditta confraria e assi os con­frades da ditta confª, que forão todos chamados á campa tangida, e com elles Vasco Fz escudeiro delRei nosso Snr. que ora tem carreguo de prove­dor das capellas, e hospitaes, & Alberguarias em todas hestas ilhas dos assores. E loguo por todos os sobredittos juntam.te foi ditto que por ser­viço de Deus e louivor do espirito santo em hesta villa se ordenara de se fazer heste hospital, E porquanto pª semelhantes hospitaes e couzas que dão agrado e serviço de Deus era mtº necessario todallas couzas suas an­darem por regra, e ordenança em guiza que tudo viesse a boa arrecadação e nosso S.or for servido, e as almas delles todos que esta obra comessa­rão, e fazem e ordinario fazerem sejão satisfeitos e comprido pª sempre o que elles; e cada hu Delles mandão fazer nos encargos, comque dão suas fazendas pª o ditto hospital forem compridos, e andar todo emverdadeira ordem : assi o que aguora he aoprezente, como o que depois usar em tal guiza que toda seja a serviço de deus como ditto he : Disserão que era necessario fazer-se entre elles hu compromisso da ordem, e maneira, que se em o ditto hospital ha-de estar para sempre : e assi hu livro de tom­bo, em que todalas couzas hajão de ser muito declaradam.te, e os sobredit­tos todos fizerão, e ordenarão heste compromisso nesta maneira, que sese­gue.(...)» (2)
  
O Hospital começou, pois, como obra da irmandade do Espírito Santo. Só mais tarde – bastante mais tarde, diga-se – se juntou com a «Casa da Santa Mi­sericórdia». Foi em 1556, e o acordo sobre este ajuntamento também faz parte daqueles documentos publicados em 1970 : são agora os «capitolos, que sefize­rão pª o ajuntam.to das cazas do hospital, e misa. desta cidade de Angra dai­lha terceira» «aos doze de abril de mil, e quinhentos, sincoenta, e seis annos». Incluem minuciosas reservas, conservatórias dos antigos direitos da irmandade do Hospital, agora absorvida pela Misericórdia, de protecção real. Essas caute­las e ressalvas não vão ser agora aqui expostas, por falta de tempo, e só mais adiante se referirá um aspecto delas. Mas sente-se que houve uma conquista ­– um pouco como a sucessão filipina na coroa portuguesa e as garantias pres­tadas pelo rei espanhol nas Cortes de Tomar.


Rua Direita em Angra do Heroísmo
(ao fundo a Igreja da Misericórdia)
2. Por isso, a igreja do Hospital é conhecida como a igreja da Misericór­dia. E provavelmente foi a Misericórdia que a construiu – e não só esta, em que estamos, mas a primitiva, que se implantava aqui também. A igreja actual, hoje a findar a sua reconstrução, é uma das mais modernas da cidade de Angra. Data do século XVIII e a sua traça interior assemelha-se aos vários templos de uma só nave e da mesma época que se encontram, por exemplo, na cidade de Lisboa. A igreja primitiva seria, provavelmente, já do século XVI. É certo que o segundo documento publicado pela mesa da Misericórdia em 1970 e que é de 1497 tem uma epígrafe que refere, como se fosse um título : «Seguemse os Assentos.e Acordos sobre as missas do hospital e confraria do Spirito Santo. E das mais couzas dellas pertencentes. E à igreja do Spirito Santo e Caza do hospltal. que se diga missa todas as quintas feiras do anno em louvor do Spi­rito Santo». Mas esta epígrafe não é o documento de 1497 o qual, após nomear os confrades presentes, se limita a dizer que «assentarão, que se digua missa do spirito santo todas as quintas feiras de cada hu ano por louvor do Spirito Santo». É, por isto e à falta de outros elementos, mais presumível que a missa das quintas feiras fosse  celebrada em uma capela do próprio hospital e não ainda na igreja que António Cordeiro nos descreve no roteiro da cidade de Angra: «Tem mais a dita cidade, ao entrar do porto, pela famosa Rua Direi­ta, e à mão direita também, a Real Misericórdia com o seu Hospital anexo, e tudo primo fundado por el Rei, e aumentado depois por várias pessoas; é igre­ja que corre com a rua, sem se afastar da direitura da casaria, e por isso muito larga, de três naves e três como altares mores, e outros vários à roda, e menos funda do que pedia a largura, por lhe correr por detrás a rua de San­to Espírito; mas ainda assim tem todas as casas e repartições que costuma ter uma nobre Misericórdia; e logo na rua de Santo Espírito tem seu Real Hospital, e com mais largueza para trás (...) e tem a Misericórdia tantos capelães com seus ordenados, que celebram cada dia os ofícios divinos em seu coro juntos» (3).

1903 - Igreja da Misericórdia
Aqui já se apercebe uma igreja, enquadrada por duas ruas da cidade e como que condicionada por elas – feita, portanto, quando essas ruas existiam já –; e com os seus capelães e actos de culto diários.
O que resta desta primeira igreja?

As obras de consolidação e restauro da actual revelaram o que parecem ser os caboucos da igreja anterior, efectivamente voltada à Rua Direita, lar­ga e curta. Esses caboucos podem visitar-se, pois se lhes tem acesso por de­baixo do sobrado da igreja agora restaurada. Vêem-se restos mortais de gente que foi enterrada nessa primeira igreja. E sentimo-nos tentados a supor que as duas capelas que se projectam sobre a Rua do Santo Espírito possam corres­ponder a dois daqueles «como altares mores» que António Cordeiro registou. 

O hospital, «anexo», como reza a descrição, ficava do outro lado da Rua, mas ligava-se à igreja por uma passagem coberta que atravessava a mesma rua, como um arco. Linschöten desenhou assim o Sprital na sua carta de Angra, de 1595.


II
OS AÇORES NOS DESCOBRIMENTOS

Brasão de Armas Real
3. «O Senhor João Vaz Corte Real, capitão»... Quando se reflecte naquilo a que João Vaz deveu a sua capitania de Angra, mergulhamos de chofre em um capítulo da história dos Descobrimentos portugueses. Um dos mais obscuros, para não dizer mesmo um dos mais misteriosos – e por isso mesmo merecedor de uma atenção mais cuidada – : o das viagens para o Ocidente.

Gaspar Frutuoso, nas páginas que dedica a este homem – e em que, até pe­lo modo como o conta («alguns querem dizer», «dizem também») aparece a lenda e a confusão entre João Vaz e o seu próprio pai, Vasqueanes Corte-Real (4) é peremptório numa coisa : «Estando (a ilha Terceira) sem capitão, vieram Ter a ela dois homens fidalgos, por nome um deles João Vaz Corte Real e outro Á­lvaro Martins Homem, os quais vinham da Terra do Bacalhau que, por mandado de el-rei, foram descobrir e (...) a pediram de mercê por seus serviços à infan­ta D. Beatriz (...) a qual lhes fez mercê dela, e ambos a partiram pelo meio, e lograram, e possuíram seus descendentes (...)» (5).

Álvaro Martins Homem

Esta viagem ocorreu por 1472 e a doação das capitanias é de 2 de Abril de 1474; sendo que Angra se achava ao tempo já fundada e dotada mesmo de uma infra-estrutura industrial, que outra coisa não era a levada da Ribeira dos Moinhos. Por esta obra, devida a Álvaro Martins Homem – o verdadeiro fundador de Angra e seu inventor como futura cidade marítima – foi ele indemnizado quando teve de deixar a povoação ao seu companheiro mais qualificado, João Vaz, o principal daquela empresa à Terra do Bacalhau. 


Que significado teria a «descoberta» da Terra do Bacalhau, para tornar esses dois homens merecedores do prémio de uma capitania para cada um, com to­dos os seus poderes senhoriais?

4. Os historiadores contemporâneos, retomando a etimologia correcta, alargaram o conceito do adjectivo «Mediterrâneo» – inicialmente aplicado àque­le mar interior, fechado entre a Europa do Sul, a África do Norte e a Ásia Ocidental – à qualificação de outros mares entre outras terras que por via deles se relacionavam. É assim que se fala do «Mediterrâneo Nórdico» (o Mar do Norte com o Báltico) e do «Mediterrâneo Gaélico» (6).


Este último, cuja vida se anima durante a Idade Média, é um espaço marítimo que se estende da Península Ibérica à Escócia, pelo Golfo da Biscaia e o Mar da Irlanda. Ao longo deste espaço – que, nas terras circundantes, se traduz na presença de povos com raiz céltica – se desenvolveu, durante a primeira Dinastia portuguesa, boa parte das relações externas de Portugal.


João Vaz Corte Real

O pequeno país – reino, como então se dizia – que se emancipara de Leão e Castela no século XII cedo teve que se voltar para as actividades marítimas.
A sua longa costa tinha muitos portos e ancoradouros e do mar vieram importantes e decisivas ajudas para as conquistas dos primeiros réis. 
No tempo de D. Dinis, pescadores portugueses iam já pescar a águas inglesas, e os salvo­-condutos de 1294, confirmados em 1308, bem como a criação de uma bolsa de co­mércio na Flandres, atestam a intensidade destas relações (7). 

          Tais relações estreitam-se com a Inglaterra e a Flandres em termos polí­ticos durante a guerra dos 100 anos, que se estendeu de 1337 a 1453, definin­do uma linha de alianças que, de alguma maneira, apartou a um lado a Europa continental e, a outro, as (futuras) potências marítimas, marginais do solo europeu e dele excluídas pela própria natureza das coisas. Vale a pena reme­morar isto mesmo agora, com as clivagens que se vão desenhando relativamente à ainda problemática união europeia.

João Vaz Corte Real - Estátua existente no
 Museu de Angra do Heroísmo
Essas relações com a Inglaterra – e com os flamengos, seus aliados – ­atingem um ponto alto desde meados do século XIV. 
O Tratado de Londres, de 29 de Outubro de 1353, entre Eduardo III de Inglaterra e D. Afonso IV, depois o Tratado de Tagilde (10 de Julho de 1372) e o de Westminster (16 de Julho de 1373) entre Eduardo 111 e D. Fernando de Portugal, seguidos do Tratado de Windsor (9 de Maio de 1386) entre Ricardo II e D. João I, confirmam-no (8).

 Por outro lado, o casamento da Infanta Isabel com o Duque de Borgonha, senhor da Flandres, encontra-se nesta mesma linha. Este relacionamento económico-po­lítico vem a projectar-se nos Açores logo que, na segunda metade do século XV, as ilhas são povoadas e entram na História. Os flamengos estão presentes entre os primeiros povoadores. E a relação marítima com a Inglaterra tem, co­mo um dos seus expoentes, João Vaz Corte-Real, como depois teve com João Fer­nandes, o Lavrador.

Terra do Lavrador
Bristol – a antiga Brygstowe, depois Bristowe – desenvolveu-se como por­to mercantil fundamental do Mediterrâneo Gaélico. No fim do século XIV era o segundo porto da Inglaterra – o primeiro, Londres, voltava-se mais para o Me­diterrâneo Nórdico – Bristol ficava no centro de uma linha de tráfego por onde saiam panos ingleses e por onde passavam pescado do Mar do Norte, vinho, azeite e mesmo ferro da Península Ibérica (9).

 Navios portugueses lidavam nes­te tráfego e o próprio Cristóvão Colombo, na sua estância em Portugal, por ele andou, indo até à Islândia e recolhendo informes das viagens que se fa­ziam e tinham feito por essas partes do Norte. João Vaz Corte Real era homem do mar e andou por Inglaterra. Se foi ele ou o pai, Vasco Anes (Vasqueanes) o cavaleiro da Jarreteira – como refere Frutuoso – não é bem claro (10). Mas não pode negar-se a prática deste homem quanto aos mares ao Norte da Penínsu­la. Foi numa dessas viagens que João Vaz raptou, na Galiza, Maria de Abarca, com quem casou. E, em 1472, porventura em articulação com uma expedição dina­marquesa, há a viagem à Terra do Bacalhau (11). 

Arquipélago dos Açores
Esta viagem retomava a antiga rota dos normandos que, no século VI, se haviam estendido da Islândia à Gronelândia e de lá a terras ocidentais, onde fundaram uma colónia (Vinland) depois abandonada. Na costa da Gronelândia man­teve-se uma pequena colónia dinamarquesa até ao fim do século XIV, altura em que se extinguiu, à míngua de forças, de interesse prático e de ligação às metrópoles de origem (12).

 Havia, pois, bem 100 anos que os estabelecimentos nórdicos para esses lados estavam abandonados. Os islandeses, marítimos por longa tradição, pescavam no Mar do Norte, que todo ele é um grande banco, com os seus fundos não excedendo os 500 metros. Conservariam na sua memória co­lectiva esses mares ocidentais onde o bacalhau abundava – predador natural de águas pouco profundas, onde se encontravam uma corrente quente e uma cor­rente fria –. Mas quem reabriu essa rota e a actividade pesqueira que ela facultava foram os portugueses, justamente nos fins do século XV.
A Partilha do Mundo
          5. Dos Açores viajava-se para Ocidente praticamente desde o princípio do Povoamento. A viagem de Diogo de Teive e de Pero Velasco (Pedro Vazquez de la Frontera) é referida pelos biógrafos de Colombo, e está documentada em testemunhos produzidos em processos que ele sustentou em Espanha (13).

     Esta viagem, durante a qual se «descobriram» as Flores e o Corvo, parece estar na ori­gem de um interesse, mais do que curiosidade, em procurar por esses lados uma passagem para a Ásia. Paolo daI Pozzo Toscanelli, em 1429 (14) havia sido consultado precisamente sobre este assunto.

 A carta de Toscanelli ao cónego Fernão Martins é de 1474 – e recomenda que se persista no rumo do Oci­dente para atingir a Ásia. É neste contexto – anterior à concessão e à viagem de Fernão Teles (1475) e às de Fernão Dulmo (1486), e à grande viagem de três anos de Pero Pinheiro de Barcelos e de João Fernandes, o lavrador (1492/95) – que se realiza a viagem de Corte Real e de Álvaro Martins Homem, logo pre­miados com as capitanias da Terceira, que ambos ganharam.


A Terra dos Corte Reais
Há, assim, um período de meio século durante o qual se persiste nesse rumo ocidental, mas sempre segundo a rota nórdica – que até, vista a esfericidade da terra, seria sempre a mais curta –. Colombo, que viajou com os portugueses até à Islândia, deu-se conta disso. E não é difícil, antes se impõe, arti­cular estas viagens com o relacionamento marítimo entre Portugal e a Inglater­ra, que neste país se fazia sobretudo por Bristol, donde se ligava às pescas do Norte. Ao norte estava a Islândia, estavam os seus pescadores batidos nos mares boreais. Foi justamente em Bristol que João Fernandes veio a instalar­-se após a sua viagem com Pero de Barcelos. Das informações que trazia, re­sultou o apetite do rei de Inglaterra – já então Henrique VII Tudor – em ex­plorar também a rota do Ocidente. O seu instrumento foi outro genovês, João Caboto, que viajou para a Terra Nova, também em busca da Ásia, em 1497 (15).


Índia
Mas as viagens sucediam-se. O Oriente é que não estava ali. Muito embo­ra o mapa de Cantino (1502) chame à Gronelândia «a ponta da Ásia», o curioso é que ele mostra, a sudoeste dessa ponta, uma Terra do Rei de Portugal : mos­tra-a como uma ilha, sem qualquer ligação às Antilhas, também no novo mapa assinaladas já como sendo do rei de Castela. Essa referência à ponta da Ásia traz-nos inevitavelmente à ideia da passagem do Noroeste, que na verdade se­ria a mais curta se fosse praticável e não houvesse os grandes obstáculos que são as imensidões geladas do Ártico. 

Desta avançada portuguesa, feita de tenteios persistentes, e sempre reto­mando a rota normanda abandonada, não resultou encontrar-se o caminho do Ori­ente, que levaria à Índia e às suas riquezas. Mas resultou localizarem-se, ou reconhecerem-se, os grandes bancos da Terra Nova, que são os maiores pesquei­ros de bacalhau do mundo, superiores aos do Mar do Norte, ao tempo então os únicos explorados pelos escandinavos e escoceses.

Novo Mundo
Destas viagens, que procuravam «ilhas, terra firme por costa», quiçá a «ilha das sete cidades», e com elas o Oriente, que bem podia confundir-se com umas e outras, ficou uma presença portuguesa nos mares do bacalhau. Esta presença foi hegemónica, se bem que não exclusiva, durante um século. Ela permite inclusi­vamente entender os bons três anos da expedição de Barcelos e do lavrador (16) e as tentativas de povoamento, a partir dos Açores e do continente português  da costa canadiana. Tal como sucedera com os normandos da Vinland e da Terra Verde, esta colonização falhou pelo dureza do clima e o isolamento da Europa. Descendentes de Pero de Barcelos tentaram-na no século XVI. E o me­lancólico nome de Porto de Enganos, ao Norte da ilha de Cabo Bretão – depois transformado em Ninganis e hoje em Ingonish, ficou a atestar essa coloni­zação frustrada e finalmente extinta (17). 

Mas não a actividade piscatória. Tão intensa que já em 1506 o rei de Por­tugal a taxava com direitos de importação. A Terra de Corte Real manteve o seu nome nos mapas de então e a hegemonia piscatória portuguesa foi aí res­peitada (18). Até que em 1583 os ingleses estabeleceram na Terra Nova a sua primeira colónia. Curiosamente, no mesmo ano em que a herdeira dos Corte­-Reais, casada com Cristóvão de Moura, orientava a família ilustre para Espanha e para o valimento de Filipe II, finalmente vencedor da Terceira e das restantes seis ilhas que o haviam posto em xeque durante os três anos da sua longa, porventura ingénua e sem dúvida sacrificada resistência, por fidelidade a um rei português.


III
O HOSPITAL DO MAR

Rampa de acesso à Igreja da Misericórdia
6. Em 1492 estava-se ainda longe destes últimos acontecimentos. A dinâmi­ca portuguesa era ascensional. A 15 de Março desse ano, data da instituição do hospital, talvez já Pero de Barcelos e o lavrador houvessem partido para a sua demorada expedição à Terra do Bacalhau, por onde João Vaz, o principal da confraria fundadora, navegara 20 anos atrás. Colombo ainda nem preparava a sua frota de três caravelas (18-A) que sairia de PaIos de Moguer apenas em 3 de Agosto seguinte. Em 15 de Maio, dois meses depois da instituição do hospital de Angra, lançava­-se em Lisboa a primeira pedra do Hospital de Todos os Santos, que tinha a fachada principal para o Rossio e se desenvolvia em grande parte no espaço que é hoje o da Praça da Figueira.


A dinâmica era ascensional e era marítima. O novo hospital da Terceira localizou-se, por isso, à beira do mar e chegava-se a ele subindo a rampa que havia, e há, a seguir ao cais da Alfândega. Este cais era diferente do actual. Enraizava-se no lado poente da antiga foz da ribeira dos Moinhos, que Álvaro Martins Homem transformara em fonte de energia motriz e passara a desaguar por uma boca estreita mais a nascente, à beira da rocha do Corpo Santo. A ponta deste cais virava-se a sul. E era mais baixo, com paredes oblíquas, pa­ra serem facilmente galgadas pelo mar e assim melhor resistirem a ele. O cais actual pretendeu «opor-se» ao mar. Por isso este periodicamente o destrói e deixa a descoberto as pedras do primitivo, que em boa parte ainda lá estão...

Mapa de Linschoten
Como se vê da gravura de Linschöten, a mais antiga que desta zona se conhe­ce, ao lado cais havia bicas de água; à direita, o matadouro, junto à boca da ribeira; à esquerda, as casas da Alfândega; e acima, o hospital. Frutuoso relata: «Saindo da porta do mar à rua direita principal está uma formosa ca­sa da Misericórdia, com seu hospital anexo (...) grande e proveitoso refúgio de muitos enfermos e pobres da terra, e de muitos mais que pelo mar vêm de fo­ra, de muitas partes, por ser o porto desta cidade escala de muitas navega­ções" (19).
Quando Gaspar Frutuoso escreveu isto, o hospital tinha (já !) 100 anos. A sua criação, na altura em que se deu, mostra uma visão – e antevisão – das coisas que nos deixa surpreendidos e que não é propriamente timbre dos portu­gueses de hoje e mesmo dos de ontem... A esse tempo, somente a volta da Mi­na tinha Angra como escala de retorno e mais algum navio da Madeira ou da cos­ta africana.


Baía de Angra do Heroísmo
(ao fundo a Igreja da Misericórdia)
Talvez também da Terra Nova, desenhando a elipse setentrional (20), com os seus frutos, que eram do mar e não da terra, e que João Vaz, o capitão de Angra, e Álvaro Martins Homem, o seu verdadeiro fundador, haviam revelado ao mundo de então. Esta vocação de hospital portuário, oásis na ter­ra para os homens do mar, ressalta da sua localização. Mais tarde, quando a Irmandade do Espírito Santo e a Misericórdia se «ajuntaram», os confrades do hospital fizeram questão de salvaguardar uma séria de condições que mostram muitas coisas, incluindo a garantia desta vocação e as especificidades que ela impunha. «Capítulos» lhes chamaram. Eles ficaram escritos e o provedor da Santa Casa – era João da Silva do Canto, filho e irmão do Provedor das Armadas, neto de Duarte Galvão, o cronista-mór do reino e pai de Violante do Canto – de­clarou aceitá-los, com os demais irmãos.


Vista parcial de Angra do Heroísmo
(ao fundo a Igreja da Misericórdia)
 Às tantas nesses Capítulos lê-se o seguinte:

«Que os infermos, que seouverem de recolher no ditto hospi­tal, pera se nelle curarem, senão recebão, senão na ditta meza da quinta feira, oqual estara prezente com oditto Juiz, mordomo, escrivão o ftzico da caza pa ver, e repairar, diguo pª ver, E ex aminar, se se pode o tal infermo curar na ditta caza, ou não, e assi pera dar informação de toda­las couzas, que tocarem de cura dos dittos infermos, epera mais não – E os ditos offes. tão bem farão Exame, Se otal infermo tem fazenda, por on­de se cure, porque tendoa, não he razão que acaza guaste a sua com elles, pois senão fundou, senão pª pobres. E tanto que for recolhido otal infer­mo, se escreverá em Livro, que pª isso avera, no qual se pora odia, e anno, em que serecolhe, e o seu nome, e sobre nome, e deque terra he, co­mo sechama seo pai, e sua may, Eluogo se entreguara ao mordomo, pª que o mande {...), e prover, e ante delhe fazerem mezinha algua corporal, cha­marão ao capellão da caza que o venha confessar, e dar o santissimo sacra­mento da Eu charystia; e tanto que assi for confessado e communguado, En­tão o comessara a fazer de curar, segundo acalidade desua infirmidade o requerer. (...) Porque muitas vezes aconteçe, e principalm.te noverão, quan­do vem as naos da. India,_e navios daguine, e armadas, trazerem m.tos in­fermos à caza do hospital, que tem muita neçessidade de ser curados, epor virem ao dia de quinta frª, correrião periguo, se por ella esperassem, Em tal cazo o mordomo com o fizico reco lhera os taes infermos, e lhe fa­ra os remedios neçessarios com toda charidade; E porem a quinta frª loguo seguinte dara razão na mo (...) dos dittos infermos que assi quaes, equan­tos são, pª hi serem examinados pelo Juiz, e officiaes, pera verem, sesão dos que acaza he obriguada a curar, e se fazerem sobre isso as mais dili­gençias neçessarias, e segundo o que se então na ditta meza assentar, as­si se uzara, e fara com os dittos infermos.» (21).

7. Ajuntadas que foram as casas, o hospital permaneceu. E permaneceu com o seu nome, que era o da invocação sob que nascera – e que tinha força tamanha que ficou na própria rua (do Santo Espírito) para a qual abria e por cima da qual passou a comunicar com a sua igreja –. 



É de recordar que, no século XV, o Espírito Santo correspondia provavel­mente ao mais intenso culto português : e exprimia uma concepção inteiramente católica, porque universal, de um Cristianismo destinado a abarcar o mundo, to­dos os homens, por diferentes que fossem – e logo nessa altura em que, numa suces­são vertiginosa, novas terras, novas raças, novas gentes iam sendo encontra­das (22).


NOTAS

(1) K. G. MCINTYRE, «A descoberta secreta da Austrália», 66. O A. releva a prio­ridade para os portugueses na chegada ao Pacífico (Balboa só o alcançou no ano seguinte, nas costas ocidentais da América Central).
(2) «O Hospital de Angra nos Séculos XV e XVI», 4/5.
(3) «História Insulana das Ilhas a Portugal Sujeitas no Oceano Ocidental», 280.
(4) «Saudades da Terra», Lº VI, capº 8º; cf. ERNESTO DO CANTO, «Os Corte Reais», in «Arqº dos Açores» (AA), 1V, 394, com base em genealogistas portugueses.
(5) «Saudades...» cit., cap. 9º.
(6) F. MAURO, «Les Açores et la Dynamique de l'Atlantique du XV ème siècle à nos jours», in «BoI. do Instit. Histº da Ilha Terceira» (BIHIT), XLV, 1º, 12.
(7) CALVET DE MAGALHÃES, «Breve História Diplomática Portuguesa», 35/36.
(8) Ibid., 35/40.
(9) S. E. MORISON, «The European Discovery of America – The Northern Voyages», 161/166.
(10) E. CANTO, loc. cit., 386/390. Vasqueanes (pai) é que era o homem das for­ças lendárias; teria sido também o primeiro a entrar em Ceuta, e talvez um dos Doze de Inglaterra. Era filho de Vasco Anes da Costa, companheiro de D. João I.
(11) Sobre o nome «Terra do Bacalhau», E. CANTO (loc. cit., 415) duvida que lhe tenha sido dado nesse tempo. Porém LUÍS DE ALBUQUERQUE ("Navegadores, Viajantes e Aventureiros Portugueses, Séculos XV e XVIII», I, 150) refere que o nome já existia em Portugal no seco XV.
(12) S. E. MORISON, op. cit., 60/61.
(13) J. CORTESÃO, «A Expansão Portuguesa no Período Henriquino», 187/221.
(14) E. CANTO (AA, XVI, 355) situa a consulta no mesmo ano da resposta -147~~; Porém J. CORTESÃO demonstrou que em 1459 já Toscanelli tinha contactos com embaixadores do rei de Portugal («Descobrimentos Portugueses», 1141).
(15) S. E. MORISON, op. cit., 159 e ss..          
(16) E. CANTO, «Quem deu o nome ao Labrador?», AA, XII, 357 e ss. (docs. a pp.
        369 e 529).
(17) M. C. BAPTISTA DE LIMA, «A Ilha Terceira na Colonização do Continente Americano no Século XVI», BIHIT, XVIII, 5/37, e Adenda, I a XIII.
(18) V. MAGALHÃES GODINHO, «Mito e Mercadoria, Utopia e Prática de Navegar», 237 e 480; F. MAURO, loc. cit., 23.
(18-A) As Capitulações de Santa Fé são de Abril. A escolha dos navios, de 30/31 de Maio. O recrutamento dos marinheiros está a decorrer a 15 de Julho (JACQUES ATTALI, «1492», 153/158, 161/162, 170.
(19) G. FRUTUOSO, loc. cit., 27 (cap. 3º).
(20) V. M. GODINHO, op. cit., 77,99, 103, 240.
(21) «O Hospital de Angra...» cit., 15/16.
(22) A. MONJARDINO, «Uma dinâmica espiritual», in BIHIT, XLV, tomo 1º, 93 e ss..

Transcrição parcial do texto do Dr. Álvaro Monjardino, escrito em 1992

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

A Sé de Angra (1568-2021)

 
 
 
A Sé de Angra
 
Diocese de Angra, uma diocese atlântica

A Diocese de Angra, que abrange uma superfície total de 2243km2, dispersa por nove ilhas, foi criada pelo papa Paulo III através da bula Aequum reputamus, de 5 de Novembro de 1534. A diocese abrange todo o arquipélago dos Açores e tem a sua sede na cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

A 10 de Janeiro de 1568, já no reinado do Cardeal D. Henrique, é que a Coroa tomou a decisão de mandar construir a nova Sé às suas expensas. A opção foi no sentido de se construir um novo templo no mesmo sítio do já existente, mas alargando muitíssimo o espaço, que acabou por ocupar todo um quarteirão no centro da cidade, delimitado pelas rua da Sé, Carreira dos Cavalos, da Rosa e do Salinas.

As paróquias dos Açores, como de todas as ilhas e terras de Além-mar, começaram por estar sujeitas à jurisdição da Ordem de Cristo, exercida pelo Vigário nullius de Tomar.


Os primeiros povoadores católicos foram instruídos pelos franciscanos que chegaram em 1456 à ilha Terceira, onde construíram uma ermida e em 1470 erguem o Convento de São Francisco de Angra.



Sé Catedral de Angra do Heroísmo




Álvaro Martins Homem
Em 1461 dá-se a fundação da Ermida de São Salvador a mando de Álvaro Martins Homem, fundador da vila da Angra. Essa ermida esteve na origem da Sé Catedral de Angra do Heroísmo.

D. João III
Após a descoberta das ilhas dos Açores e do seu subsequente povoamento, o governo eclesiástico do arquipélago passou por três fases distintas.
A primeira fase vai desde o descobrimento-povoamento até à criação da diocese do Funchal.


Os Açores, como se sabe, foram doados pelo Rei português ao Infante Dom Henrique, na qualidade de Mestre ou Governador da Ordem de Cristo, concentrando nas mãos do Donatário o poder temporal e o espiritual.

O poder temporal era exercido, primordialmente, pelos Capitães do Donatário, os quais foram colocados à frente das diversas Capitanias em que foram divididas as Ilhas. E o espiritual, embora revestindo a forma de poder delegado, era exercido pelo Dom Prior de Tomar, que era Freire da dita Ordem de Cristo.

Entretanto, como as descobertas portuguesas tinham atingido grandes áreas geográficas era necessário a criação de novas Dioceses ultramarinas dado que se tornava impraticável que a jurisdição canónica permanecesse exclusivamente nas mãos da Ordem de Cristo. Neste sentido, o rei de Portugal D. João III (1521-1557) enviou o seu sobrinho Dom Martinho de Portugal como embaixador junto da Santa Sé e com a finalidade de obter a criação de diversos bispados ou dioceses nas terras descobertas.

Uma das primeiras dioceses a serem erectas foi a do Funchal, na ilha da Madeira, por Bula do Papa Leão X (1513-1521) datada de 12 de Junho de 1514, ficando sob a jurisdição da nova diocese todas as Ilhas atlânticas, a costa de África, a Índia, bem como todas as descobertas portuguesas, tornando-a a maior de todas as Dioceses que alguma vez existiram no mundo.



Desta forma entramos na segunda fase da jurisdição canónica dos Açores, dado que esta passa para a alçada da nova Diocese do Funchal. São conhecidos diversos documentos que atestam o exercício desta jurisdição, como seja o facto de o primeiro Bispo do Funchal ter mandado, no ano de 1517, como Visitador aos Açores o Bispo Duniense Dom Duarte, o qual procedeu á sagração de duas Igrejas Matrizes.

Em 1523, o mesmo Bispo nomeia como novo Visitador para os Açores o Padre João Pacheco, e em 1525 o Cabido da Sé do Funchal, então Sede Vacante, nomeia um Ouvidor do eclesiástico para a ilha de São Miguel.

Finalmente, a terceira fase da jurisdição canónica dos Açores e que perdura até ao presente, começa com a fundação da Diocese de Angra.






Medalha comemorativa dos 450 anos da criação da Diocese de Angra
1534 - 3 de Novembro - 1984
 
Depois de algumas confusões geográficas sobre a cidade, ilha e igreja onde devia ficar erecta a Sé da nova Diocese, por Bula do Papa Paulo III (1534-1549), intitulada Aequum Reputamus, e dada em Roma a 3 de Novembro de 1534, foi finalmente criada a Diocese de Angra, desmembrada da já então Arquidiocese do Funchal e passando a sua sufragânea, até 1550, com sede na Igreja do Santíssimo Salvador da cidade de Angra, na ilha Terceira. A sua jurisdição estendia-se às nove ilhas do arquipélago. A partir dessa data ficou sob a jurisdição da arquidiocese de Lisboa (desde 1716 designada por Patriarcado Metropolitano de Lisboa), até hoje.




O Papa Paulo III, pela Bula Gratiae divinae proemium, datada do mesmo dia da criação da Diocese, confirma a nomeação do primeiro Bispo de Angra na pessoa de Dom Agostinho Ribeiro (1534-1540).

Em 1862, isto é, 328 anos após a fundação da Diocese, foi fundado o Seminário Episcopal de Angra.

A inauguração solene realizou-se a 9 de novembro, no antigo Convento de São Francisco. Foi somente em 1864 que o seminário recebeu alunos internos. Até então os clérigos açorianos recebiam formação em seminários, em Portugal continental, universidades nacionais e estrangeiras, e ainda nos conventos existentes nos Açores, e mais tarde, nos colégios que os Jesuítas fundaram em Angra, Ponta Delgada e Horta. Em Ponta Delgada, foi inaugurado o Seminário Menor do Santo Cristo em 12 de outubro de 1966.








A 11 de maio de 1991, o Papa João Paulo II visitou os Açores. Foram feitas celebrações religiosas nas cidades de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo.

Desde a sua fundação, a Diocese de Angra já teve 38 bispos, sendo apenas dois naturais dos Açores.

Por ordem cronológica fica o nome dos prelados e o tempo de duração dos seus episcopados:

1.D. Agostinho Ribeiro (1534-1540)
2.D. Rodrigo Pinheiro (1540-1552)
3.D. Frei Jorge de Santiago, O.P. (1552-1561)
4.D. Manuel de Almada (1564-1567)
5.D. Nuno Álvares Pereira (1568-1570)
6.D. Gaspar de Faria (1571-1576)
7.D. Pedro de Castilho (1578-1583)
8.D. Manuel de Gouveia (1584-1596)
9.D. Jerónimo Teixeira Cabral (1600-1612)
10.D. Agostinho Ribeiro (1614-1621)
11.D. Pedro da Costa (1623-1625)
12.D. João Pimenta de Abreu (1626-1632)
13.D. Frei António da Ressurreição, O.P. (1635-1637)
14.D. Frei Lourenço de Castro, O.P. (1671-1678)
15.D. Frei João dos Prazeres, O.F.M. (1683-1685)
16.D. Frei Clemente Vieira, O.A.D. (1688-1692)
17.D. António Vieira Leitão (1694-1714)
18.D. João de Brito e Vasconcelos (1718)
19.D. Manuel Álvares da Costa (1721-1733)
20.D. Frei Valério do Sacramento, O.F.M. Cap. (1738-1757)
21.D. António Caetano da Rocha (1758-1772)
22.D. Frei João Marcelino dos Santos Homem Aparício (1774-1782)
23.D. Frei José da Avé-Maria Leite da Costa e Silva (1783-1799)
24.D. José Pegado de Azevedo (1802-1812)
25.D. Frei Alexandre da Sagrada Família, O.F.M. (1816-1818)
26.D. Frei Manuel Nicolau de Almeida, O.C.D. (1820-1825)
27.D. Frei Estêvão de Jesus Maria, O.F.M. (1827-1870)
28.D. João Maria Pereira de Amaral e Pimentel (1872-1889)
29.D. Francisco Maria do Prado Lacerda (1889-1891)
30.D. Francisco José Ribeiro de Vieira e Brito (1892-1902)
31.D. José Manuel de Carvalho (1902-1904)
32.D. José Correia Cardoso Monteiro (1905-1910)
33.D. Manuel Damasceno da Costa (1915-1922)
34.D. António Augusto de Castro Meireles (1924-1928)
35.D. Guilherme Augusto Inácio de Cunha Guimarães (1928-1957)
36.D. Manuel Afonso de Carvalho (1957-1978)
37.D. Aurélio Granada Escudeiro (1979-1996)
38.D. António de Sousa Braga (1996-2016)
39.D. João Lavrador, desde 2016 (bispo Coadjutor nomeado- setembro de 2015)


Pintura do artista Rui Melo (2021)







A Diocese de Angra tem um conjunto de órgãos que a constituem e que presta assessoria ao prelado diocesano, estando neste momento em análise o novo estatuto da Cúria.

A Cúria Diocesana é o conjunto de organismos e pessoas que prestam ajuda ao bispo no governo da diocese, principalmente na direção e ação pastoral, na administração e no exercício do poder judicial. Fazem parte da Cúria Diocesana entre outros o Vigário-geral da Diocese, o Vigário Episcopal, o Conselho Presbiteral, Colégio dos Consultores, o Conselho Económico, o Cabido da Sé Catedral, o Conselho Pastoral, o Tribunal Eclesiástico, e ainda, o clero diocesano, os religiosos e os leigos, quer individualmente quer integrados em serviços ou grupos instituídos. Todas as pessoas que exercem funções na Cúria Diocesana, são nomeadas pelo Bispo Diocesano.


 
 

A Diocese está organizada em 16 ouvidorias, 8 delas em São Miguel. Possui, ainda, cinco Santuários Diocesanos- Senhor Santo Cristo dos Milagres (Ponta Delgada), Nossa Senhora da Conceição(Angra do Heroísmo), Senhor Santo Cristo da Caldeira (São Jorge), Senhor Bom Jesus do Pico (Pico) e Nossa Senhora dos Milagres da Serreta (Angra do Heroísmo).











Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo,
inaugurado a 9 de novembro de 1862, no velho Convento de São Francisco.



Igreja N. Sra. da Conceição em Angra do Heroísmo,
 foi elevada a Santuário Mariano em 1987, pelo Bispo D. Aurélio Granada Escudeiro.


Igreja de N. Sra. dos Milagres da Serreta foi elevada a Santuário Diocesano a 7 de maio de 2006,
 pelo Bispo D. António Sousa Braga.




Texto (parcial) de: Carmo Rodeia

(Fontes: Instituto Histórico da Ilha Terceira, Enciclopédia Açoriana)




 

sábado, 13 de novembro de 2021

Biodiversidade Açoriana





BIODIVERSIDADE NOS AÇORES



O conceito de Biodiversidade inclui a variabilidade entre os organismos vivos, incluindo os ecossistemas, e ainda a diversidade dentro de cada espécie, bem como a diversidade genética e alélica. Em julho de 2008, estavam classificados nos Açores 23 SIC (sítios de importância comunitária) e 15 ZPE (zonas de proteção especial). A Crista Média-Atlântica (CMA) atravessa o arquipélago entre as ilhas do Grupo Central e do Grupo Ocidental. As ilhas Graciosa, das Flores e do Corvo foram classificadas pela UNESCO como Reserva da Biosfera.



Biodiversidade terrestre


No arquipélago ocorrem cerca de 227 espécies de aves, 33 das quais nidificam anualmente nas ilhas, sendo um terço aves endémicas. Das espécies de avifauna mais importantes se destaca o priolo (Pyrrhula murina), uma ave terrestre rara, endémica dos Açores em perigo de extinção, cujo habitat se confina à Floresta Laurissilva existente no nordeste da Ilha de São Miguel. Esta espécie foi muito abundante no século XX, chegando a ser uma praga para a fruticultura.



O painho-das-tempestades-de-monteiro (Oceanodroma monteiroi) é uma ave marinha endémica presente no Ilhéu da Praia e no Ilhéu de Baixo, na Ilha Graciosa. Assume particular importância o cagarro (Calonectris diomedea borealis), em que 65% da população mundial se reproduz nos Açores e o garajau-rosado (Sterna Dougallii), em que cerca de 59% da população europeia escolhe as ilhas para nidificar.


A águia-de-asa-redonda (Buteo buteo ssp. rothschildi) é única ave rapina presente em todo o arquipélago, com excepção das ilhas do Grupo Ocidental. É vulgarmente chamada de milhafre dos Açores. Em rigor, não é um milhafre (Milvus migrans) ou um açor (Accipiter gentilis). Na Ilha Terceira, é chamada de "Queimado".

O morcego-dos-açores (Nyctalus azoreum) é o único mamífero terrestre endémico dos Açores.



Espéceis infestantes


As espécies invasoras provocam grandes danos nos ecossistemas e meios urbanos e são já a segunda maior causa de extinção de espécies a nível mundial a seguir à perda de habitat.

Estão presentes três espécies de roedores - vulgarmente designados de ratos: ratazana preta ou rato de quinta (Rattus rattus), ratazana castanha ou rato de esgoto (Rattus norvegicus) e murganho ou rato doméstico (Mus musculus). A sua presença causa importantes prejuizos na produtividade agricola e pecuária e são uma ameçaça à avifauna. Estima-se que mas de 50% dos ratos das ilhas de São Miguel e Terceira são portadores da batéria Leptospirose. Esta infeção, por vezes fatal, afeta os profissionais do setor agro-pecuário.


O escaravelho japonês (Popillia japonica Newman) é um inseto introduzido acidentalmente na Ilha Terceira a partir dos EUA, muito provavelmente através da Base das Lajes. Foi identificado pela primeira vez em 1970. O inseto foi detetado na Ilha de Faial em 1996, na altura confinado apenas ao Monte da Guia, mas rapidamente se alastrou na ilha. Foi detetado nas ilhas de São Miguel (numa área restrita) em 2003, do Pico em 2006 e das Flores (no cais das Lajes das Flores) de 2007.



Atualmente, são conhecidas três espécies de térmitas nos Açores: a térmita de madeira húmida (Kalotermes flavicollis), a térmita de madeira seca (Cryptotermes brevis) e a térmita subterrânea (Reticulitermes grassei). A térmita de madeira seca constitui atualmente a praga urbana mais preocupante nos Açores, com impatos económicos e patrimoniais. Na cidade da Horta, poderá encontrar térmitas subterrâneas. As térmitas devoram todos os tipos de madeira, mas as menos afetadas são as madeiras mais duras. Têm suscitado uma preocupação considerável junto dos cidadãos e da comunidade científica. A sua deteção oficial só se deu em 2002, quando a praga já ocupava extensas áreas das cidades de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta. Prevê-se que nas próximas décadas, elas possam invadir outras ilhas do arquipélago. Foi encontrado um percevejo californiano (Belonochilus numenius Say) na zona do Monte Brasil, na Ilha Terceira. Em alguns casos reportados, se pode transformar numa praga. Aconselham uma elevada atenção à existência desta espécie em árvores ornamentais usadas em parques e em zonas urbanas das cidades.



A proliferação de espécies vegetais invasoras, mais do que a utilização dos solos, é a maior ameaça atual à biodiversidade nos Açores. No que respeita à flora exótica, é de salientar que a hortênsia (Hydrangea macrophylla) assume na Ilha das Flores um papel de invasora de relevo, ao contrário das restantes ilhas onde a dispersão desta espécie se encontra mais ou menos controlada, sendo a conteira ou roca-da-velha (Hedychium gardnerarum Sheppard) e o incenso (Pittosporum umdulatum) que assume o papel de invasoras mais importantes, ocupando já grandes áreas nas ilhas mais populosas do arquipélago, com especial destaque para Ilha de São Miguel. Nos últimos anos, há uma preocupação crescente com uma nova invasora evadida dos quintais e jardins, o gigante (Gunnera tinctoria) originária do Brasil. Esta está a expandir rapidamente na Ilha de São Miguel.


Estas espécies causam grandes dificuldades às plantas endémicas, devido ao seu grande desenvolvimento e competitividade. A perda de floresta endémica compromete também as espécies animais que dela dependem.


Em 2002, no porto da Horta, Ilha do Faial, foi descoberta a alga infestante caulerpa webbiana.

No litoral, a floresta laurissilva é composta principalmente por espécies como o Pau-branco (Picconia azorica) e a Faia-da-terra (Myrica faya). Após a faixa litoral, encontramos uma laurissilva termófila cujos representantes, para além do Pau-branco e Faia-da-terra, são ainda o Louro-das-ilhas (Laurus azorica), a Ginja-do-mato (Prunus azorica), o Folhado (Viburnum tinus ssp. subcordatum) e o Sanguinho (Frangula azorica). Por último, encontramos uma laurissilva de altitude a qual, para além do Louro-das-ilhas, é caraterizada pela presença do Azevinho (Ilex perado ssp. azorica). As espécies endémicas são aquelas que ocorrem apenas no arquipélago devido a processos de especiação - Neo-endemismos - ou extinção de populações noutros locais onde também ocorriam - Paleo-endemismos.

O primeiro caracol endémico foi encontrado nos Açores em 1845. Lagartixa (Lacerta dugesii)

Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica)

São fauna cinegética açoriana: coelho (Oryctolagus cunniculus), codorniz (Coturnix coturnix conturbans Hartert), galinhola (Scolopax rusticola), narceja (Gallinago gallinago), perdiz-vermelha (Alectoris rufa), patos, Pombo-das-rochas (Columba livia atlantis).

Biodiversidade marinha



Além das reservas da biosfera, o arquipélago dos Açores possui áreas classificadas e reconhecidas internacionalmente por razões ambientais e cientificas com o estatuto de Rede Natura 2000, Património Natural da Humanidade, Áreas RAMSAR e Áreas Marinhas Protegidas ao abrigo da Convenção OSPAR, e outras de âmbito nacional e internacional.

Grande variedade de espécies, quer de algas, corais de profundidade, invertebrados e peixes.
peixes pelágicos e/ou demersais



O mar dos Açores apresentam uma grande diversidade de espécies de cetáceos (ao todo 23 espécies), cuja frequência varia sazonalmente. Devido à ausência de plataforma continental é possível ver espécies pelágicas (), que em outras regiões não se aproximam tanto da costa. Durante os meses de Verão, as ilhas são uma região privilegiada para a sua observação e investigação cientifica.

O Espaço Talassa comprovou a existência de 4 espécies de cetáceos nos Açores, que não estavam incluídas na lista de espécies oficiais. São a Baleia de Bryde (Balaenoptera edeni), a Baleia piloto de barbatanas compridas (Globicephala melaena), a Baleia de bico de Blainville (Mesoplodon densirostris) e o Golfinho de Fraser (Lagenodelphis hosei). No dia 5 de janeiro de 2009, é observada uma Baleia-franca boreal (Eubalaena glacialis). Este é o primeiro registo confirmado nos Açores desde 1888, ano em que o último exemplar desta espécie foi capturado. Durante 121 anos decorridos entre estas duas ocorrências, existem apenas três observações não confirmadas da espécie, todas elas na primeira metade do século XX.


Estão registadas 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. O tubarão-baleia (Rhincodon typus) foi avistado ao largo da Ilha de Santa Maria. Vive habitualmente em oceanos quentes e de clima tropical, é a maior das espécies de tubarão e o maior peixe conhecido. Nos Açores, é também conhecido como Pintado, em virtude do seu dorso estar repleto de pequenas manchas esbranquiçadas.


De entre as espéceis marinhas costeiras consideradas perigosas, temos a caravela-portuguesa (Physalia physalis) e peixe-aranha (Echiichthys vipera).


Investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç) identificaram e capturaram três exemplares do abadejo-cometa (Benthocometes robustus) que, até agora, não estava referenciada no arquipélago. A sua presença nunca tinha sido confirmada nos mares dos Açores, embora alguns estudos efetuados em 1993 e 1997 tivessem assinalado como duvidosa a sua presença.

Registaram-se 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. A diversidade entre estas espécies é extrema, variando desde o pequeno Tubarão-anão até ao Tubarão-baleia. De um modo geral, podemos dividir os tubarões dos Açores em dois grandes grupos: espécies pelágicas e de profundidade.



Grande-tubarão-branco (Carcharodon carcharias) Tubarão-mako ou Rinquim (Isurus oxyrhinchus) Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvieri) Tubarão-touro (Carcharhinus leucas) Tubarão-de-pontas-brancas-oceânico (Carcharhinus longimanus) Tubarão-azul ou Tintureira (Prionace glauca)


Outras espécies das ilhas que mesmo não sendo endémicas estão presentes de forma constante: águia de asa-redonda (Buteo buteo rothschildi), garajau-comum (Sterna hirundo), tentilhão (Fringilla coelebs moreletti).

Ao nível das espécies foi realçada a ocorrência da toninha-brava (Tursiops truncatus) e da tartaruga-careta (Caretta caretta).

Floresta Laurissilva



Desde o ínicio do povoamento das ilhas, os Açores sofreram uma grande desforestação. A presença da Floresta Laurissilva é atualmente residual, se encontrando em manchas isoladas em todas as ilhas, sendo as maiores e mais significativas na Ilha do Pico (no Planalto Central e reserva florestal do Caveiro), na Ilha Terceira (na Serra de Santa Bárbara) e no nordeste da Ilha de São Miguel.

O ecossistema florestal com árvores de grande porte maioritariamente lauráceas - loureiro das ilhas (Laurus azorica), o vinhático e o barbusano - um autêntica relíquia viva com origem na Era Terciária.


É enorme importância nos ecossistemas oceânicos os montes submarinos (64 de grandes dimensões e 398 de menores dimensões) e as fontes hidrotermais de grande profundidade - atualmente cinco.


Os Açores têm apenas 31,8% do seu território florestado, isto é, 74,7 mil hectares. De acordo com os últimos dados das Estatísticas Agrícolas 2010, do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é um valor que está abaixo da média nacional (que é de 38,7%) e da Madeira (que atinge os 42,4%). Segundo INE, a região têm apenas 10,9% do território tem floresta natural, enquanto que na Madeira isso representa 20,15% do território. Segundo o Inventário Florestal da Região, realizado em 2007 pela Direção Regional dos Recursos Florestais (DRRF), com recurso a sistemas de informação geográfica (SIG), dá 71,5 mil hectares de área florestada. Isso que reduz a área para 30% do total. E onde o INE refere 25,4 mil hectares de floresta natural, o IFR dá 22,9 mil, reduzindo-a para 9,9%.

A Ilha do Corvo é a ilha com menor espaço florestado - apenas 2,89% - enquanto que a ilha das Flores é a que tem maior espaço florestado (49,3%). Em relação à floresta natural, é de novo o Corvo com o menor espaço (apenas 0,8%), enquanto que São Jorge é que tem a maior mancha de floresta natural (17,24%).


Em termos dos espaços florestais - o total florestado menos os espaços naturais, a espécie com maior predominância é o incenso, uma planta invasora sem utilidade comercial e que impede o desenvolvimento de outras plantas na sua proximidade. Muito utilizada antigamente como sebe viva no interior das quintas (com predominância para os laranjais), acabou por ser a mais significativa espécie florestal dos Açores. O incenso ocupa 49,25% da área florestada açoriana, o que é dramatico. Para se ter uma ideia, a criptoméria japónica, que é a segunda espécie mais importante e dá às ilhas o seu estilo florestal, ocupa apenas 25,5% da área florestada.



As situações mais graves ocorrem precisamente nas ilhas onde há mais área florestada – o que lhes retira boa parte da importância. Na Ilha dss Flores, 72,67% é incenso, e na Ilha do Pico, 78,4% é imenso. Na Ilha do Corvo, esse valor atinge os 79,5%. Na Ilha de São Miguel representa apenas 23,2% da sua área florestal – o que representa apenas 15% do total.





Hidrotermalismo de grande profundidade


Atualmente, são conhecidas cinco fontes hidrotermais de grande profundidade (Lucky Strike, descoberta em 1992, Menez Gwen, em 1994, Rainbow, em 1997, Saldanha, em 1998 e Ewan, em 2006), todas elas localizadas a sul do arquipélago açoriano, e a serem alvo de estudos científicos.

Duas das fontes hidrotermais – "Menez Gwen", com uma área de cerca de 10 mil hectares, e "Lucky Strike", com mais de 19 mil hectares – foram classificadas de Sítios de Interesse Comunitário (SIC) da região biogeográfica da Macaronésia, mercê do elevado interesse científico de que se revestem, designadamente na área do estudo da biodiversidade marinha de grande profundidade.


Localizados entre 140 e 180 milhas a sudoeste da Ilha do Faial, os dois campos hidrotermais encontram-se entre os 800 e os 1700 metros de profundidade, expelindo fluidos que chegam a ultrapassar os 330 graus Celsius de temperatura, o que não impede a proliferação, nas respetivas áreas, de inúmeras formas de vida.


A fonte hidrotermal "Rainbow", com uma área de cerca de 2 215 hectares, situa-se a uma profundidade de 2 300 metros e a 40 milhas para além do limite da Zona Económica Exclusiva (ZEE), embora dentro da área de alargamento da plataforma continental portuguesa (EMEPC). A 5 de agosto de 2007, a Comissão Internacional Oslo-Paris (OSPAR) aceitou a jurisdição de Portugal sobre a fonte hidrotermal Rainbow.


Maravilhas naturais dos Açores


  • Floresta Laurisilva da Serra da Tronqueira, Nordeste
  • Gruta do Carvão, Ponta Delgada
  • Lagoa do Vulcão do Fogo
  • Lagoa das Furnas e Parque Botânico Terra Nostra
  • Área Portegida das Sete Cidades - uma das 7 Maravilhas de Portugal (zona aquática não-marinha)
  • Caldeira Velha (MNR), Ribeira Grande
  • Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico - uma das 7 Maravilhas de Portugal (grandes relevos)
  • Gruta das Torres (MNR)
  • Fajã de Santo Cristo, Ilha de São Jorge
  • Centro Histórico de Angra do Heroísmo - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Algar do Carvão (MNR)
  • Paisagem Portegida do Monte Brasil, Angra do Heroísmo
  • Rocha dos Bordões (MNR), Ilha das Flores
  • Ilha das Flores - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha do Corvo - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha Graciosa - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Caldeira da Graciosa (MNR)
  • Furna do Enxofre (MNR)
  • Pedreira do Campo (MNR), Ilha de Santa Maria
  • Paisagem Portegida do Monte da Guia
  • Caldeira do Faial (RN)
  • Vulcão dos Capelinhos, Ilha do Faial

Blocos Filatélicos 

























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