sábado, 3 de agosto de 2019

Biodiversidade Açoriana





BIODIVERSIDADE NOS AÇORES


O conceito de Biodiversidade inclui a variabilidade entre os organismos vivos, incluindo os ecossistemas, e ainda a diversidade dentro de cada espécie, bem como a diversidade genética e alélica. Em julho de 2008, estavam classificados nos Açores 23 SIC (sítios de importância comunitária) e 15 ZPE (zonas de proteção especial). A Crista Média-Atlântica (CMA) atravessa o arquipélago entre as ilhas do Grupo Central e do Grupo Ocidental. As ilhas Graciosa, das Flores e do Corvo foram classificadas pela UNESCO como Reserva da Biosfera.



Biodiversidade terrestre

No arquipélago ocorrem cerca de 227 espécies de aves, 33 das quais nidificam anualmente nas ilhas, sendo um terço aves endémicas. Das espécies de avifauna mais importantes se destaca o priolo (Pyrrhula murina), uma ave terrestre rara, endémica dos Açores em perigo de extinção, cujo habitat se confina à Floresta Laurissilva existente no nordeste da Ilha de São Miguel. Esta espécie foi muito abundante no século XX, chegando a ser uma praga para a fruticultura.


O painho-das-tempestades-de-monteiro (Oceanodroma monteiroi) é uma ave marinha endémica presente no Ilhéu da Praia e no Ilhéu de Baixo, na Ilha Graciosa. Assume particular importância o cagarro (Calonectris diomedea borealis), em que 65% da população mundial se reproduz nos Açores e o garajau-rosado (Sterna Dougallii), em que cerca de 59% da população europeia escolhe as ilhas para nidificar.

A águia-de-asa-redonda (Buteo buteo ssp. rothschildi) é única ave rapina presente em todo o arquipélago, com excepção das ilhas do Grupo Ocidental. É vulgarmente chamada de milhafre dos Açores. Em rigor, não é um milhafre (Milvus migrans) ou um açor (Accipiter gentilis). Na Ilha Terceira, é chamada de "Queimado".

O morcego-dos-açores (Nyctalus azoreum) é o único mamífero terrestre endémico dos Açores.


Espéceis infestantes

As espécies invasoras provocam grandes danos nos ecossistemas e meios urbanos e são já a segunda maior causa de extinção de espécies a nível mundial a seguir à perda de habitat.

Estão presentes três espécies de roedores - vulgarmente designados de ratos: ratazana preta ou rato de quinta (Rattus rattus), ratazana castanha ou rato de esgoto (Rattus norvegicus) e murganho ou rato doméstico (Mus musculus). A sua presença causa importantes prejuizos na produtividade agricola e pecuária e são uma ameçaça à avifauna. Estima-se que mas de 50% dos ratos das ilhas de São Miguel e Terceira são portadores da batéria Leptospirose. Esta infeção, por vezes fatal, afeta os profissionais do setor agro-pecuário.

O escaravelho japonês (Popillia japonica Newman) é um inseto introduzido acidentalmente na Ilha Terceira a partir dos EUA, muito provavelmente através da Base das Lajes. Foi identificado pela primeira vez em 1970. O inseto foi detetado na Ilha de Faial em 1996, na altura confinado apenas ao Monte da Guia, mas rapidamente se alastrou na ilha. Foi detetado nas ilhas de São Miguel (numa área restrita) em 2003, do Pico em 2006 e das Flores (no cais das Lajes das Flores) de 2007.


Atualmente, são conhecidas três espécies de térmitas nos Açores: a térmita de madeira húmida (Kalotermes flavicollis), a térmita de madeira seca (Cryptotermes brevis) e a térmita subterrânea (Reticulitermes grassei). A térmita de madeira seca constitui atualmente a praga urbana mais preocupante nos Açores, com impatos económicos e patrimoniais. Na cidade da Horta, poderá encontrar térmitas subterrâneas. As térmitas devoram todos os tipos de madeira, mas as menos afetadas são as madeiras mais duras. Têm suscitado uma preocupação considerável junto dos cidadãos e da comunidade científica. A sua deteção oficial só se deu em 2002, quando a praga já ocupava extensas áreas das cidades de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta. Prevê-se que nas próximas décadas, elas possam invadir outras ilhas do arquipélago. Foi encontrado um percevejo californiano (Belonochilus numenius Say) na zona do Monte Brasil, na Ilha Terceira. Em alguns casos reportados, se pode transformar numa praga. Aconselham uma elevada atenção à existência desta espécie em árvores ornamentais usadas em parques e em zonas urbanas das cidades.


A proliferação de espécies vegetais invasoras, mais do que a utilização dos solos, é a maior ameaça atual à biodiversidade nos Açores. No que respeita à flora exótica, é de salientar que a hortênsia (Hydrangea macrophylla) assume na Ilha das Flores um papel de invasora de relevo, ao contrário das restantes ilhas onde a dispersão desta espécie se encontra mais ou menos controlada, sendo a conteira ou roca-da-velha (Hedychium gardnerarum Sheppard) e o incenso (Pittosporum umdulatum) que assume o papel de invasoras mais importantes, ocupando já grandes áreas nas ilhas mais populosas do arquipélago, com especial destaque para Ilha de São Miguel. Nos últimos anos, há uma preocupação crescente com uma nova invasora evadida dos quintais e jardins, o gigante (Gunnera tinctoria) originária do Brasil. Esta está a expandir rapidamente na Ilha de São Miguel.

Estas espécies causam grandes dificuldades às plantas endémicas, devido ao seu grande desenvolvimento e competitividade. A perda de floresta endémica compromete também as espécies animais que dela dependem.

Em 2002, no porto da Horta, Ilha do Faial, foi descoberta a alga infestante caulerpa webbiana.

No litoral, a floresta laurissilva é composta principalmente por espécies como o Pau-branco (Picconia azorica) e a Faia-da-terra (Myrica faya). Após a faixa litoral, encontramos uma laurissilva termófila cujos representantes, para além do Pau-branco e Faia-da-terra, são ainda o Louro-das-ilhas (Laurus azorica), a Ginja-do-mato (Prunus azorica), o Folhado (Viburnum tinus ssp. subcordatum) e o Sanguinho (Frangula azorica). Por último, encontramos uma laurissilva de altitude a qual, para além do Louro-das-ilhas, é caraterizada pela presença do Azevinho (Ilex perado ssp. azorica). As espécies endémicas são aquelas que ocorrem apenas no arquipélago devido a processos de especiação - Neo-endemismos - ou extinção de populações noutros locais onde também ocorriam - Paleo-endemismos.

O primeiro caracol endémico foi encontrado nos Açores em 1845. Lagartixa (Lacerta dugesii)

Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica)

São fauna cinegética açoriana: coelho (Oryctolagus cunniculus), codorniz (Coturnix coturnix conturbans Hartert), galinhola (Scolopax rusticola), narceja (Gallinago gallinago), perdiz-vermelha (Alectoris rufa), patos, Pombo-das-rochas (Columba livia atlantis).

Biodiversidade marinha



Além das reservas da biosfera, o arquipélago dos Açores possui áreas classificadas e reconhecidas internacionalmente por razões ambientais e cientificas com o estatuto de Rede Natura 2000, Património Natural da Humanidade, Áreas RAMSAR e Áreas Marinhas Protegidas ao abrigo da Convenção OSPAR, e outras de âmbito nacional e internacional.

Grande variedade de espécies, quer de algas, corais de profundidade, invertebrados e peixes.
peixes pelágicos e/ou demersais


O mar dos Açores apresentam uma grande diversidade de espécies de cetáceos (ao todo 23 espécies), cuja frequência varia sazonalmente. Devido à ausência de plataforma continental é possível ver espécies pelágicas (), que em outras regiões não se aproximam tanto da costa. Durante os meses de Verão, as ilhas são uma região privilegiada para a sua observação e investigação cientifica.

O Espaço Talassa comprovou a existência de 4 espécies de cetáceos nos Açores, que não estavam incluídas na lista de espécies oficiais. São a Baleia de Bryde (Balaenoptera edeni), a Baleia piloto de barbatanas compridas (Globicephala melaena), a Baleia de bico de Blainville (Mesoplodon densirostris) e o Golfinho de Fraser (Lagenodelphis hosei). No dia 5 de janeiro de 2009, é observada uma Baleia-franca boreal (Eubalaena glacialis). Este é o primeiro registo confirmado nos Açores desde 1888, ano em que o último exemplar desta espécie foi capturado. Durante 121 anos decorridos entre estas duas ocorrências, existem apenas três observações não confirmadas da espécie, todas elas na primeira metade do século XX.

Estão registadas 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. O tubarão-baleia (Rhincodon typus) foi avistado ao largo da Ilha de Santa Maria. Vive habitualmente em oceanos quentes e de clima tropical, é a maior das espécies de tubarão e o maior peixe conhecido. Nos Açores, é também conhecido como Pintado, em virtude do seu dorso estar repleto de pequenas manchas esbranquiçadas.


De entre as espéceis marinhas costeiras consideradas perigosas, temos a caravela-portuguesa (Physalia physalis) e peixe-aranha (Echiichthys vipera).

Investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç) identificaram e capturaram três exemplares do abadejo-cometa (Benthocometes robustus) que, até agora, não estava referenciada no arquipélago. A sua presença nunca tinha sido confirmada nos mares dos Açores, embora alguns estudos efetuados em 1993 e 1997 tivessem assinalado como duvidosa a sua presença.

Registaram-se 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. A diversidade entre estas espécies é extrema, variando desde o pequeno Tubarão-anão até ao Tubarão-baleia. De um modo geral, podemos dividir os tubarões dos Açores em dois grandes grupos: espécies pelágicas e de profundidade.


Grande-tubarão-branco (Carcharodon carcharias) Tubarão-mako ou Rinquim (Isurus oxyrhinchus) Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvieri) Tubarão-touro (Carcharhinus leucas) Tubarão-de-pontas-brancas-oceânico (Carcharhinus longimanus) Tubarão-azul ou Tintureira (Prionace glauca)


Outras espécies das ilhas que mesmo não sendo endémicas estão presentes de forma constante: águia de asa-redonda (Buteo buteo rothschildi), garajau-comum (Sterna hirundo), tentilhão (Fringilla coelebs moreletti).

Ao nível das espécies foi realçada a ocorrência da toninha-brava (Tursiops truncatus) e da tartaruga-careta (Caretta caretta).

Floresta Laurissilva


Desde o ínicio do povoamento das ilhas, os Açores sofreram uma grande desforestação. A presença da Floresta Laurissilva é atualmente residual, se encontrando em manchas isoladas em todas as ilhas, sendo as maiores e mais significativas na Ilha do Pico (no Planalto Central e reserva florestal do Caveiro), na Ilha Terceira (na Serra de Santa Bárbara) e no nordeste da Ilha de São Miguel.

O ecossistema florestal com árvores de grande porte maioritariamente lauráceas - loureiro das ilhas (Laurus azorica), o vinhático e o barbusano - um autêntica relíquia viva com origem na Era Terciária.

É enorme importância nos ecossistemas oceânicos os montes submarinos (64 de grandes dimensões e 398 de menores dimensões) e as fontes hidrotermais de grande profundidade - atualmente cinco.

Os Açores têm apenas 31,8% do seu território florestado, isto é, 74,7 mil hectares. De acordo com os últimos dados das Estatísticas Agrícolas 2010, do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é um valor que está abaixo da média nacional (que é de 38,7%) e da Madeira (que atinge os 42,4%). Segundo INE, a região têm apenas 10,9% do território tem floresta natural, enquanto que na Madeira isso representa 20,15% do território. Segundo o Inventário Florestal da Região, realizado em 2007 pela Direção Regional dos Recursos Florestais (DRRF), com recurso a sistemas de informação geográfica (SIG), dá 71,5 mil hectares de área florestada. Isso que reduz a área para 30% do total. E onde o INE refere 25,4 mil hectares de floresta natural, o IFR dá 22,9 mil, reduzindo-a para 9,9%.
A Ilha do Corvo é a ilha com menor espaço florestado - apenas 2,89% - enquanto que a ilha das Flores é a que tem maior espaço florestado (49,3%). Em relação à floresta natural, é de novo o Corvo com o menor espaço (apenas 0,8%), enquanto que São Jorge é que tem a maior mancha de floresta natural (17,24%).

Em termos dos espaços florestais - o total florestado menos os espaços naturais, a espécie com maior predominância é o incenso, uma planta invasora sem utilidade comercial e que impede o desenvolvimento de outras plantas na sua proximidade. Muito utilizada antigamente como sebe viva no interior das quintas (com predominância para os laranjais), acabou por ser a mais significativa espécie florestal dos Açores. O incenso ocupa 49,25% da área florestada açoriana, o que é dramatico. Para se ter uma ideia, a criptoméria japónica, que é a segunda espécie mais importante e dá às ilhas o seu estilo florestal, ocupa apenas 25,5% da área florestada.


As situações mais graves ocorrem precisamente nas ilhas onde há mais área florestada – o que lhes retira boa parte da importância. Na Ilha dss Flores, 72,67% é incenso, e na Ilha do Pico, 78,4% é imenso. Na Ilha do Corvo, esse valor atinge os 79,5%. Na Ilha de São Miguel representa apenas 23,2% da sua área florestal – o que representa apenas 15% do total.




Hidrotermalismo de grande profundidade


Atualmente, são conhecidas cinco fontes hidrotermais de grande profundidade (Lucky Strike, descoberta em 1992, Menez Gwen, em 1994, Rainbow, em 1997, Saldanha, em 1998 e Ewan, em 2006), todas elas localizadas a sul do arquipélago açoriano, e a serem alvo de estudos científicos.

Duas das fontes hidrotermais – "Menez Gwen", com uma área de cerca de 10 mil hectares, e "Lucky Strike", com mais de 19 mil hectares – foram classificadas de Sítios de Interesse Comunitário (SIC) da região biogeográfica da Macaronésia, mercê do elevado interesse científico de que se revestem, designadamente na área do estudo da biodiversidade marinha de grande profundidade.

Localizados entre 140 e 180 milhas a sudoeste da Ilha do Faial, os dois campos hidrotermais encontram-se entre os 800 e os 1700 metros de profundidade, expelindo fluidos que chegam a ultrapassar os 330 graus Celsius de temperatura, o que não impede a proliferação, nas respetivas áreas, de inúmeras formas de vida.

A fonte hidrotermal "Rainbow", com uma área de cerca de 2 215 hectares, situa-se a uma profundidade de 2 300 metros e a 40 milhas para além do limite da Zona Económica Exclusiva (ZEE), embora dentro da área de alargamento da plataforma continental portuguesa (EMEPC). A 5 de agosto de 2007, a Comissão Internacional Oslo-Paris (OSPAR) aceitou a jurisdição de Portugal sobre a fonte hidrotermal Rainbow.


Maravilhas naturais dos Açores


  • Floresta Laurisilva da Serra da Tronqueira, Nordeste
  • Gruta do Carvão, Ponta Delgada
  • Lagoa do Vulcão do Fogo
  • Lagoa das Furnas e Parque Botânico Terra Nostra
  • Área Portegida das Sete Cidades - uma das 7 Maravilhas de Portugal (zona aquática não-marinha)
  • Caldeira Velha (MNR), Ribeira Grande
  • Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico - uma das 7 Maravilhas de Portugal (grandes relevos)
  • Gruta das Torres (MNR)
  • Fajã de Santo Cristo, Ilha de São Jorge
  • Centro Histórico de Angra do Heroísmo - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Algar do Carvão (MNR)
  • Paisagem Portegida do Monte Brasil, Angra do Heroísmo
  • Rocha dos Bordões (MNR), Ilha das Flores
  • Ilha das Flores - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha do Corvo - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha Graciosa - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Caldeira da Graciosa (MNR)
  • Furna do Enxofre (MNR)
  • Pedreira do Campo (MNR), Ilha de Santa Maria
  • Paisagem Portegida do Monte da Guia
  • Caldeira do Faial (RN)
  • Vulcão dos Capelinhos, Ilha do Faial

Blocos Filatélicos 

























In : Wikia

sábado, 29 de junho de 2019

Santos Populares - São Pedro



São Pedro


Segundo a Biblía, seu nome original não era Pedro, mas Simão. Nos livros dos Actos dos Apóstolos e na Segunda Epístola de Pedro, aparece ainda uma variante do seu nome original, Simão. Cristo mudou seu nome para כיפא, Kepha (Cefas em português, como em Gálatas 2:11), que em aramaico significa "pedra", "rocha", nome este que foi traduzido para o grego como Πέτρος, Petros, através da palavra πέτρα, petra, que também significa "pedra" ou "rocha", e posteriormente passou para o latim como Petrus, também através da palavra petra, de mesmo significado.

A mudança de seu nome por Jesus Cristo, bem como seu significado, ganham importância de acordo com a Igreja Católica em Mt 16, 18, quando Jesus diz: "E eu te declaro: tu és Kepha e sobre esta kepha edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela." Jesus comparava Simão à rocha. Desta forma, Cristo, de acordo com a tradição católica, foi o fundador da Igreja Católica, fundada sobre Simão Pedro e sendo-lhe concedido, por este motivo, o título de Príncipe dos Apóstolos. Esse título é um tanto tardio, visto que tal designação só começaria a ser usada cerca de um século mais tarde, suplementando o de Patriarca (agora destinado a outro uso). Pedro foi o primeiro Bispo de Roma. Essa circunstância é importante, pois daí provém a primazia do Papa e da diocese de Roma sobre toda a Igreja Católica; posteriormente esse evento originaria os títulos "Apostólica" e "Romana".

Antes de se tornar um dos doze discípulos de Cristo, Simão era pescador. Teria nascido em Betsaida e morava em Cafarnaum. Era filho de um homem chamado João ou Jonas e tinha por irmão o também apóstolo André. Simão e André eram "empresários" da pesca e tinham sua própria frota de barcos, em sociedade com Tiago, João e o pai destes, Zebedeu.

Possivelmente Pedro era casado e tinha pelo menos um filho. Sua esposa era de uma família rica e moravam numa casa própria, cuja descrição é muito semelhante a uma vila romana, na cidade "romana" de Cafarnaum.

Segundo o relato em Lucas 5:1-11, no episódio conhecido como "Pesca Milagrosa", Pedro teria conhecido Jesus quando este lhe pediu que utilizasse uma das suas barcas, de forma a poder pregar a uma multidão de gente que o queria ouvir. Pedro, que estava a lavar redes com Tiago e João, seus sócios e filhos de Zebedeu, concedeu-lhe o lugar na barca, que foi afastada um pouco da margem.


No final da pregação, Jesus disse a Simão que fosse pescar de novo com as redes em águas mais profundas. Pedro disse-lhe que tentara em vão pescar durante toda a noite e nada conseguira mas, em atenção ao seu pedido, fá-lo-ia. O resultado foi uma pescaria de tal monta que as redes iam rebentando, sendo necessária a ajuda da barca dos seus dois sócios, que também quase se afundava puxando os peixes. Numa atitude de humildade e espanto Pedro prostrou-se perante Jesus e disse para que se afastasse dele, já que é um pecador. Jesus encorajou-o, então, a segui-lo, dizendo que o tornará "pescador de homens".

Nos evangelhos sinóticos, o nome de Pedro sempre encabeça a lista dos discípulos de Jesus, o que na interpretação da Igreja Católica Romana deixa transparecer um lugar de primazia sobre o Colégio Apostólico. Não se descarta que Pedro, assim como seu irmão André, antes de seguir Jesus, tenha sido discípulo de João Batista.

Outro dado interessante era a estreita amizade entre Pedro e João, fato atestado em todos os evangelhos, como por exemplo, na Última Ceia, quando pergunta ao Mestre, através do Discípulo Amado (João), quem o haveria de trair ou quando ambos encontram o Sepulcro de Cristo vazio no Domingo de Páscoa. Facto é que tal amizade perdurou até mesmo após a Ascensão de Jesus, como podemos constatar na cena da cura de um paralítico posto nas portas do Templo de Jerusalém.

Segundo a tradição defendida pela Igreja Católica Romana e pela Igreja Ortodoxa, o apóstolo Pedro, depois de ter exercido o episcopado em Antioquia, teria se tornado o primeiro Bispo de Roma. Segundo esta tradição, depois de solto da prisão em Jerusalém, o apóstolo teria viajado até Roma e ali permanecido até ser expulso com os judeus e cristãos pelo imperador Cláudio, época em que haveria voltado a Jerusalém para participar da reunião de apóstolos sobre os rituais judeus no chamado Concílio de Jerusalém.

A Bíblia atesta que após esta reunião, Pedro ficou em Antioquia (como o seu companheiro de ministério, Paulo, afirma em sua carta aos gálatas). A tradição da Igreja Católica Romana afirma que depois de passar por várias cidades, Pedro haveria sido martirizado em Roma entre 64 e 67 d.C. Desde a Reforma, teólogos e historiadores protestantesafirmaram que Pedro não teria ido a Roma; esta tese foi defendida mais proeminentemente por Ferdinand Christian Baur da Escola de Tubingen.

Outros, como Heinrich Dressel, em 1872, declararam que Pedro teria sido enterrado em Alexandria, no Egito ou em Antioquia. Hoje, porém, os historiadores concordam que Pedro realmente viveu e morreu em Roma. O historiador luterano Adolfo Harnack afirmou que as teses anteriores foram tendenciosas e prejudicaram o estudo sobre a vida de Pedro em Roma. Sua vida continua sendo objecto de investigação, mas o seu túmulo está localizado na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o qual foi descoberto em 1950 após anos de meticulosa investigação.

Alguns pesquisadores acreditam que, assim como Judas Iscariotes, Pedro tenha sido um zelota, grupo que teria surgido dos fariseus e constituía-se de pequenos camponeses e membros das camadas mais pobres da sociedade. Este supostamente estaria comprovado em Marcos 3:18, assim como em Actos 1:13, no entanto, o certo "Simão, o Zelote" é na realidade uma pessoa distinta dentre as nomeações descritas nas referidas citações.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Chá dos Açores









História:

A primeira notícia que se conhece a respeito do chá nos Açores data de 1801, donde se pode concluir que já nos finais do século XVII se conhecia esta planta nos Açores. Esta notícia constitui a primeira referência à presença da planta do chá em Portugal.



Sobrescrito de 1º dia com a série filatélica


Trata-se de uma carta enviada pelo governador-geral, datada de 11 de junho de 1801, acompanhando a remessa de dois caixotes de chá de Angra (ilha Terceira) para o Continente português.


Sobrescrito de 1º dia com o bloco filatélico


Dela consta: «... e satisfazendo à primeira determinação do mesmo Augusto Senhor, remeto agora pela fragata "Cisne" 2 caixotes com a planta do chá, cuja vegetação hé mui facel nestes sitios...».

 No entanto, foi na ilha de S. Miguel que se começou a cultivar chá com fins industriais. A Sociedade Promotora de Agricultura Micaelense, da qual fazia parte José do Canto, começou a fazer ensaios de planta tendo votado em Assembleia em abril de 1874 a verba de 220$000 réis para o cultivo e industrialização de chá e, em 1878, chegam a S. Miguel dois mestres chineses, Lau-a-Pen e Lau-a-Teng, que vieram ensinar a tecnologia de preparação do chá. A indústria desenvolveu-se e produzia-se chá verde e chá preto. Na década de 60 a cultura entra em crise, sobretudo pelo encarecimento da mão-de-obra e pela concorrência no mercado nacional do chá de Moçambique, produzido a preços mais baratos. A ilha de S. Miguel é a única região da Europa que produz chá.

Uso:

Como bebida de pequeno-almoço e merenda, usando-se também após as refeições principais.



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Saber fazer:

 A única fábrica atualmente existente em S. Miguel produz chá verde (Hysson) e chá preto (Orange Pekoe, Pekoe, Broken Leaf e Moinha). Praticamente não se usa adubo químico. A maior parte dos agricultores faz sideração com tremoço em fins de março. A planta cresce livremente atingindo cerca de 2 m na variedade China. A folha tem 9/3 cm. A poda faz-se entre janeiro e fevereiro por 3 vezes (aos 18 meses, 2 e 3 anos). A colheita ainda é por vezes manual feita por mulheres e raparigas, mas atualmente já se usam pequenas máquinas, sendo neste caso a colheita feita por homens.



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Colhe-se o Pekoe terminal e três folhas, não se utilizando a terceira folha na preparação do chá. A planta é colhida na Primavera (abril/junho) e cada mulher tem a seu cargo duas filas de plantas, apanhando entre 30 a 40 kg. Se bem que em S. Miguel se possa colher chá durante todo o ano, a produção da Primavera é a que dá melhor produção. Segue-se o «murchar» da folha, operação que consiste em retirar parte da água para se poder enrolar a folha sem a partir. Esta operação é feita à temperatura ambiente em locais muito arejados e pouco luminosos.


Pagela Informativa




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Avalia-se o grau de emurchecimento pelo peso de 100 folhas. A esterilização a seguir feita efetua-se em S. Miguel quer pelo método tradicional de aquecimento em recipientes de cobre, quer em tambores mecânicos de mais fácil controlo. O enrolamento das folhas também se faz por duas maneiras diferentes: a manual e a mecânica. Contudo, a manual está a ser abandonada. Seguidamente procede-se ao joeiramento, operação que tem por fim desagregar as folhas. Para o chá preto faz-se a fermentação em salas denominadas «quartos de fermentação» e por fim dá-se a secagem para terminar a fermentação.


Fonte: Produtos Tradicionais Portugueses, Lisboa, DGDR, 2001




Gorreana




Localizada na ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, a Gorreana é a mais antiga ,e atualmente única, plantação de chá da Europa.


 
 
Reconhecida internacionalmente como produtora de chá de primeira classe, a Gorreana é, desde 1883, um negócio de familia que começou quando Ermelinda Gago da Câmara e o seu filho José Honorato abriram a fábrica e venderam a primeira produção de chá sob a chancela Gorreana.

 
 
Plantado a centenas de kilometros afastado da poluição industrial nas vastas montanhas da luxuriante propriedade Gorreana sem o uso de quaisquer herbicidas, pesticidas, fungicidas, corantes ou conservantes e colhido entre Abril e Setembro, o chá (preto e verde) da Gorreana é , efetivamente, um produto 100% orgânico uma vez que devido ao facto das pragas normais da planta do chá (camélia sinensis) não sobreviverem no clima da ilha, a Gorreana não sente necessidade de utilizar quaisquer quimicos nas suas plantações. O resultado é todo um legado de 130 anos de cultivo e comercialização de chás de primeira qualidade, escolhidos à mão e isentos de quimicos que merecem o reconhecimento internacional que os chás Gorreana têm, sendo os mais apreciados na Europa desde a altura em que a arte de cultivar chá foi introduzida nos Açores por dois especialistas chineses em Setembro de 1874.

 
 
Em 2012, Bertha Meireles-Hintze, a matriarca da família, foi galardoada em São Miguel com a Medalha de Mérito pelo seu empenho em manter a Gorreana enquanto empresa familiar desde o início da sua atividade no século XVIII.
 

 
Visitada anualmente por milhares de pessoas, a Gorreana enquanto plantação, fábrica e museu, é o local idilico para degustar uma chávena de chá ao mesmo tempo que se pode apreciar as máquinas Marshall originais datadas de 1840 ainda em funcionamento na fábrica. O cheiro do chá fresco e das flores que circundam a propriedade associados à vista deslumbrante sobre o mar azul e o verde inebriante das montanhas constitui um autêntico paraiso tão peculiar como o chá das nossas plantações que deve as suas características únicas ao nosso clima, ao PH do solo argiloso, ácido e rico em minerais e, claro, à briza maritima que cai sobre as plantações e aos métodos de cultivo artesanais. São essencialmente estas as razões pelas quais o único local onde se produz chá na Europa há mais de um século é aqui nas plantações Gorreana na inebriante ilha de São Miguel.


 
 
Atualmente as plantações da Gorreana cobrem uma área de 32 hectares de onde se produzem cerca de 33 toneladas de chá por ano nas variedades de preto e verde. Uma pequena parte da produção é destinada ao Mercado açoreano sendo que a restante é exportada para muitos paises como Portugal Continental, Alemanha, EUA, Canadá, Austria, França, Italia, Brazil, Angola, Japão, entre muitos outros paises que valorizam acima de tudo a qualidade e singularidade dos chás Gorreana.



O nosso chá


Desde 1883 que a Gorreana produz exclusivamente chá preto e chá verde. Todo o chá deriva da planta “Camellia Sinensis” que é uma pequena árvore da família das teáceas. O nosso chá é totalmente isento de quimicos tais como herbicídas , fungicídas, pesticídas e conservantes porque as pragas normais do chá não se desenvolvem no clima da ilha de São Miguel (Açores) razão pela qual não sentimos qualquer necessidade de recorrer a químicos.


 
 
Nos paises onde há a estação das chuvas há mosquitos e a mosca do chá que picam ou mordem o gomo terminal da planta e a folha acaba por não se desenvolver. Por esta razão as plantações existentes nestes paises sentem a necessidade de recorrer a insecticídas. Por outro lado, nos paises da estação seca, há o aranhiço vermelho que também tem de ser combatido com insecticídas e por vezes até fungicídas devido ao desenvolvimento de fungos que agridem a planta do chá. Como nos Açores não temos nem a estação seca nem a da chuva estas pragas não existem o que nos permite não ter de recorrer a quaisquer quimicos sendo este um dos principais pontos fortes do nosso chá, ou seja, um chá 100% biológico sendo que o solo das nossas plantações é fertilizado exclusivamente com estrume vegetal.
 
Dentro da categoria do chá preto nós produzimos e comercializamos as variedades Moinha, Broken Leaf, Pekoe, Orange Pekoe, Orange Pekoe Ponta Branca e o Oolong.
 
Dentro da categoria do chá verde produzimos e comercializamos as variedades Hysson, Encosta de Bruma e Pérola.

 






A fábrica de chá Porto Formoso tem à disposição dos seus visitantes jardins panorâmicos, um espaço museológico, uma sala de chá e uma loja. Tudo começou aqui. E tudo aqui recomeça, todos os anos, seguindo a tradição do mais puro chá açoriano, nas plantações e fábrica de chá Porto Formoso, na costa norte da ilha de São Miguel.

Crê-se que as primeiras sementes de chá foram trazidas do Brasil para os Açores na segunda metade do século XVIII. Por longo tempo o chá foi usado somente como planta ornamental mas, no ano de 1878, e por iniciativa da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, chegaram a São Miguel dois chineses para ensinar a transformação do chá.


O 1º selo sobre o Chá dos Açores é emitido pelos CTT
a 6 de Junho de 2003 com a taxa de 0,55€. Fazia parte da série
Património dos Açores


Assim, o interesse pelo chá cresceu, chegando a existir seis fábricas, para além de outros pequenos produtores.





Bilhete Postal Máximo
Apanha da folha de chá


A fábrica de chá Porto Formoso, fundada por Amâncio Machado Faria e Maia, laborou entre os anos 20 e 80 do século XX. Em 1998 os atuais proprietários iniciaram as obras de recuperação da fábrica que é agora Património Industrial da Região.~


Nota: Informações recolhidas nos sites das empresas "Gorreana" e "Porto Formoso".