quarta-feira, 11 de maio de 2022

Norberto Ávila (1936-2022)

Norberto Ávila

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 O MAIOR DRAMATURGO CONTEMPORÂNEO AÇORIANO

Biografia




Dramaturgo, romancista, contista e poeta português, Norberto Ávila nasceu em Angra do Heroísmo, ilha Terceira,  Açores, a 9 de setembro de 1936. Faleceu a 11 de Maio de 2022, em Lisboa.
De 1963 a 1965 frequentou, em Paris, a Universidade do Teatro das Nações (Université du Théâtre des Nations), organismo da UNESCO, onde eram ensinantes personalidades como os encenadores Jean Vilar, Jean-Louis Barrault e Peter Brook, mas também Bernard Dort (colaborador de Roland Barthes na redação da revista Théâtre Populaire), Denis Bablet e Jan Kott, por exemplo. Ali efetuou principalmente os estudos em Cultura Geral de Teatro, Aperfeiçoamento Técnico, O Teatro Negro no Mundo, O Teatro Oriental, O Teatro de Shakespeare e Realização Artística, sendo neste último assistente do encenador Patrick Le Nestour para a montagem da peça japonesa A História de Hiko-Hichi, de Junji Kinoshita. Nestes 3 anos, ao longo de muitos meses, Ávila assistiu à quase totalidade dos espetáculos provenientes das mais diversas partes do Mundo e apresentados no Festival do Teatro das Nações, sobre os quais escreveu crónicas para o Diário de Notícias (Lisboa) e para a Emissora Nacional. Na Universidade do Teatro das Nações foi colega do jovem encenador argentino Victor García (cujo talento invulgar começava a ser reconhecido), e por isso insistentemente incentivado pelo dramaturgo a uma experiência artística em Portugal; daí resultando a preciosa colaboração do argentino prestada ao CITAC e ao Teatro Experimental de Cascais, durante vários anos.


Norberto Ávila criou e dirigiu a revista Teatro em Movimento (Lisboa, 1973-1975), que, entre variada colaboração, artigos, críticas, entrevistas, notícias, crónicas do estrangeiro, publicou textos dramáticos integrais de Jacques Audiberti, Henry de Montherlant, Pirandello, Miguel Barbosa, Tankred Dorst e Strindberg. Chefiou, durante 4 anos, a Divisão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura. Logo no início das suas funções tratou de documentar-se o mais possível, in loco, sobre as condições da atividade teatral portuguesa. Pelo que, havendo sido bem recebida uma sua proposta para uma maior descentralização teatral, visando preferencialmente a criação de um Centro Cultural em Évora, logo obteve a disponibilidade de Mário Barradas para acompanhá-lo na consecução desse objetivo. Pelo que, transpostas diversas dificuldades, em breve o projeto do CCE se tornou realidade, no edifício magnífico mas então muito degradado do Teatro Garcia de Resende, sendo Mário Barradas muito justamente o seu primeiro diretor.


Ainda no âmbito das suas funções na Divisão de Teatro, interessou-se o dramaturgo particularmente pela consolidação de novas companhias e grupos entretanto surgidos em Lisboa e na Província, defendendo também um mais efetivo apoio ao teatro amador. E, após porfiadas diligências, conseguiu que não se dispersassem (por cobiçosos colecionadores) as tradicionais marionetas alentejanas do praticamente inativo grupo dos Bonecos de Santo Aleixo. Que assim, com o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura e mediante o ensinamento de Mestre António Talhinhas, viriam a renascer, desta vez confiadas às mãos e às vozes profissionais do elenco do Centro Cultural de Évora, hoje conhecido por Cendrev.


Entretanto, em 1978, quando uma das suas obras mais representadas, As Histórias de Hakim, ia sendo cada vez mais frequente nos repertórios dos teatros de língua alemã, decide-se o dramaturgo a abandonar o cargo de Chefe de Divisão de Teatro, a fim de dedicar-se mais intensamente ao seu trabalho de escritor, com particular destaque para a dramaturgia: 3 dezenas de peças.


Traduziu obras de Shakespeare, Tennessee Williams, Arthur Miller, Jacques Audiberti, Schiller, Junji Kinoshita, Valle-Inclán (4 peças), Fassbinder, Blanco-Amor, José Zorrilla e Liliane Wouters. Traduziu ainda o ensaio de Jan Kott, internacionalmente consagrado, Shakespeare Nosso Contemporâneo (Portugália Editora, Lisboa, 1968).


Adaptou à cena o romance O Bobo, de Alexandre Herculano, e, para as Marionetas de Lisboa, D. Quixote e Sancho Pança, de António José da Silva. Para o Teatro Nacional Dona Maria II: Romance de Lobos, de Valle-Inclán. Dirigiu para a RTP (1º Canal), a partir de novembro de 1981, uma série de programas quinzenais dedicados à atividade teatral portuguesa, com o título de Fila 1. A sua experiência no domínio televisivo é, no entanto, bastante anterior, com a transmissão de peças como O Servidor da Humanidade (1962), A Descida aos Infernos (1966, com Rui de Carvalho e Paulo Renato); Otelo, de Shakespeare, tradução e adaptação de Norberto Ávila, com Rogério Paulo no protagonista (1969). Bastante mais tarde (em 1991), de novo uma obra sua, O Marido Ausente, D. Quixote e Sancho Pança, que adaptou para as Marionetas de Lisboa. Várias televisões estrangeiras transmitiram entretanto As Histórias de Hakim: Televisão Jugoslava, Belgrado (1980), e Televisão Espanhola, Barcelona, (1981). Na Rádio, refira-se por exemplo A Ilha do Rei SonoSudddeutsche Rundfunk, Alemanha (1986). No verão de 1969, durante perto de um mês, aceitou desempenhar funções de assistente do realizador Fritz Puhl, da Televisão Alemã (ZDF), para pesquisa de assuntos e estabelecimento de contactos, durante a filmagem do documentário Hoch uber den Azoren, em todas as ilhas do arquipélago açoriano. Experimento marcante, inesquecível.


O invulgar gosto pela leitura, revelado na infância, permitiu-lhe, logo nos primeiros anos da adolescência, a descoberta dos clássicos portugueses (Gil Vicente, Camões, Fernão Mendes Pinto, Padre António Vieira, António José da Silva, Garrett, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós…), mas também de outras nacionalidades (Homero, Dante, Shakespeare, Cervantes, Molière, Dickens, Flaubert, Machado de Assis, Tolstoi, Dostoievski, Tchecov…); já no início da juventude, Pirandello, Fernando Pessoa, Garcia Lorca, Pablo Neruda… E assim, o fascínio pela escrita literária levou-o, por volta dos 15-16 anos, à experiência quase simultânea da poesia, do conto e do teatro: uma série de obras tocadas pela natural incipiência, fatalmente marcadas para uma futura, sensata destruição. De modo que só a partir de 1959, já com os seus 23 anos muito responsáveis, foi permitindo a sobrevivência da produção literária, com duas peças teatrais: A Descida aos Infernos O Homem que Caminhava Sobre as Ondasuma e outra escritas em 1959 e publicadas no ano seguinte. A primeira só viria a ser estreada em 1966, pela Radiotelevisão Portuguesa; e se a segunda permitiu a estreia absoluta do autor como dramaturgo representado (Sociedade Dramática Eborense, Évora, 1960), a consequente estreia por um teatro profissional dar-se-ia com a próxima peça: O Servidor da Humanidade (1962), nesse mesmo ano representada pelo Teatro Popular de Lisboa (Estufa Fria). Quanto ao início da carreira internacional: em 1965, com a peça A Ilha do Rei Sono, pela Companhia de Françoise Lepeuve (Théâtre des Amandiers, I Festival de Nanterre).









Obras editadas

Entre outras, é editor das seguintes obras:
Teatro
  • A descida aos infernos (1959). Peça estreada pela RTP, em 1966;
  • O homem que caminhava sobre as ondas (1959). Peça de estreia absoluta do dramaturgo levada à cena na Sociedade Dramática EborenseÉvora, 1960;
  • O servidor a Humanidade (1962). Prémio Manuscritos de Teatro, 1962. Estreia do autor por uma companhia profissional no Teatro Popular de Lisboa (Estufa Fria), 1962;
  • O labirinto (1962);
  • A pulga (1965);
  • A ilha do Rei Sono (1965).
  • Magnífico (I) (1965);
  • As histórias de Hakim (1966);
  • A Paixão segundo João Mateus (1972 e 1978). 2.º prémio dos 30 Anos do Teatro Experimental do Porto;
  • As cadeiras celestes (1975). 1.º prémio dos "50 Anos da Sociedade Portuguesa de Autores", (1975);
  • O rosto levantado (1977 e 1978);
  • O pavilhão dos sonhos (1979);
  • Viagem a Damasco (1980);
  • Do desencanto à revolta (1982
  • Os deserdados da Pátria (1988);ref>Ed. Novo Imbondeiro, Lisboa, 2003 (conjuntamente com a peça Do desencanto à revolta, com a qual forma um díptico).Florânia ou Perfeita Felicidade (1983).
  • D. João no Jardim das Delícias (1985). Ed. Rolim, Lisboa, 1987. Peça estreada pelo Teatro Experimental de Cascais, 1988.
  • Magalona, a Princesa de Nápoles (1986). Ed. SREC, Angra do Heroísmo, 1990;
  • O marido ausente (1988);
  • As viagens de Henrique Lusitano (1989);
  • A Donzela das Cinzas (1990);
  • Uma nuvem sobre a cama (1990)
  • Arlequim nas ruínas de Lisboa (1992). Comédia escrita a convite do Inatel. Estreada no Teatro da Trindade, Lisboa, 1992. Ed. Escola Superior de Teatro e Cinema, Lisboa, 1992;
  • Os Doze Mandamentos (1993). Comédia escrita a convite do Teatro de Portalegre, que a estreou em 1994. Ed. SREC, Angra do Heroísmo, 1994;
  • Fortunato e TV Glória (1995). Comédia estreada pelo Teatro Animação de Setúbal, 1998;
  • O Café Centauro (1996). Tríptico provinciano: Cavalheiro de Nobres Sentimentos – As Invenções do Demónio – As Suaves Luvas de Londres. Ed. Novo Imbondeiro, Lisboa, 2002;
  • Salomé ou A cabeça do profeta (2000). Comédia escrita a convite do Teatro de Portalegre, que no mesmo ano a estreou;
  • Para além do Caso Maddie (2007);
  • Memórias de Petrónio Malabar (2008).
Romance
  • No mais profundo das águas (1993 e 1994).
  • Frente à cortina dos enganos (2003 e 2004). Inédito.
  • A Paixão segundo João Mateus (2004 a 2006). Inédito.
Poesia
  • Percursos de poeta.
Fotografia e texto
  • As fajãs de São Jorge (álbum).

Bibliografia

  • Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
  • Enciclopédia Verbo
  • Escenarios de dos Mundos : Inventario Teatral de Iberoamérica. Ed. Centro de Documentatión Teatral, Madrid, 1989. Na pág. 418 do tomo 4, nota biobibliográfica de Norberto Ávila.
  • João AfonsoBibliografia Geral dos Açores. Ed. Secretaria Regional da Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1985. As referências bibliográficas a Norberto Ávila ocupam as pp 272–278 do tomo I

Fontes: Wikipédia, PGL

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