domingo, 15 de março de 2020

As Grandes Epidemias Históricas



Peste negra, cólera, tuberculose, gripe espanhola, e outras. Ao longo da história foram muitas as epidemias que mataram milhões de pessoas.


1. Varíola — 1550 a.C.
O primeiro vestígio da doença foi encontrado numa múmia da 18ª dinastia egípcia (1550-1307 a.C.). No ano 700, no Japão, ela matou vários membros da família imperial Fujiwara, criando um fervor religioso que facilitou a difusão do budismo. No século 16, transmitida pelos espanhóis, a varíola atacou maciçamente os astecas.


2. Praga de Atenas — 430 a.C.
Durante o apogeu cultural e político da principal cidade-estado da Grécia, que inclui um embrião da democracia, surgiu uma doença conhecida como a “grande praga de Atenas”, ainda não identificada. Com sintomas da varíola, da peste bubônica e do tifo, este mal favoreceu a derrota dos atenienses contra Esparta, na Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.).


O uso de sino era obrigatório para os leprosos na Idade Média.
3. Lepra — século 12
Durante as Cruzadas, a doença se difundiu fortemente pela Europa. Como os guerreiros cristãos eram grande parte dos infectados, os doentes passaram de renegados socialmente a santos, cuja mão era beijada pelos fiéis. Esse costume fez muitas pessoas vulneráveis à doença contraírem-na, o que obrigou a construção de milhares de leprosários na Europa.




PESTE NEGRA

50 milhões de mortos (Europa e Ásia) – 1333 a 1351

História: A peste bubônica ganhou o nome de peste negra por causa da pior epidemia que atingiu a Europa, no século 14. Ela foi sendo combatida à medida que se melhorou a higiene e o saneamento das cidades, diminuindo a população de ratos urbanos
Contaminação: Causada pela bactéria Yersinia pestis, comum em roedores como o rato. É transmitida para o homem pela pulga desses animais contaminados
Sintomas: Inflamação dos gânglios linfáticos, seguida de tremedeiras, dores localizadas, apatia, vertigem e febre alta
Depois de matar 10 mil pessoas por dia em Constantinopla no século 6, a peste bubônica provocou a mais mortal epidemia da história. Facilmente transmitida pelos ratos e pulgas nos burgos fechados e fétidos da Europa, fez 25 milhões de vítimas em cinco anos. Em 1563, a moléstia voltou a atacar em Londres, matando um terço da população da cidade.


Sífilis — 1494
Essa doença venérea apareceu entre os marinheiros de Cristóvão Colombo e entre nobres europeus como o rei Carlos VIII, da França, e Henrique VIII, da Inglaterra. Nos séculos seguintes, espalhou-se de forma devastadora entre os exércitos francês, espanhol, austríaco e italiano.


CÓLERA

Centenas de milhares de mortos – 1817 a 1824


História – Conhecida desde a Antiguidade, teve sua primeira epidemia global em 1817. Desde então, o vibrião colérico (Vibrio cholerae) sofreu diversas mutações, causando novos ciclos epidêmicos de tempos em tempos
Contaminação – Por meio de água ou alimentos contaminados
Sintomas – A bactéria se multiplica no intestino e elimina uma toxina que provoca diarréia intensa
Tratamento – À base de antibióticos. A vacina disponível é de baixa eficácia (50% de imunização)
Com a urbanização, combates em trincheiras e facilidades no transporte, o século 19 foi amplamente atacado por epidemias. Entre elas, o cólera fez vítimas quase em todo o mundo: Europa, Ásia e América. Apesar da descoberta da água como meio de contaminação, a falta de saneamento básico faz a doença persistir até hoje.

TUBERCULOSE

1 bilião de mortos – 1850 a 1950

História – Sinais da doença foram encontrados em esqueletos de 7 000 anos atrás. O combate foi acelerado em 1882, depois da identificação do bacilo de Koch, causador da tuberculose. Nas últimas décadas, ressurgiu com força nos países pobres, incluindo o Brasil, e como doença oportunista nos pacientes de Aids
Contaminação – Altamente contagiosa, transmite-se de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias
Sintomas – Ataca principalmente os pulmões
Tratamento – À base de antibióticos, o paciente é curado em até seis meses

VARÍOLA

300 milhões de mortos – 1896 a 1980
História – A doença atormentou a humanidade por mais de 3 000 anos. Até figurões como o faraó egípcio Ramsés II, a rainha Maria II da Inglaterra e o rei Luís XV da França tiveram a temida “bixiga”. A vacina foi descoberta em 1796
Contaminação – O Orthopoxvírus variolae era transmitido de pessoa para pessoa, geralmente por meio das vias respiratórias
Sintomas – Febre, seguida de erupções na garganta, na boca e no rosto. Posteriormente, pústulas que podiam deixar cicatrizes no corpo
Tratamento – Erradicada do planeta desde 1980, após campanha de vacinação em massa

GRIPE ESPANHOLA

20 milhões de mortos – 1918 a 1919

História – O vírus Influenza é um dos maiores carrascos da humanidade. A mais grave epidemia foi batizada de gripe espanhola, embora tenha feito vítimas no mundo todo. No Brasil, matou o presidente Rodrigues Alves
Contaminação – Propaga-se pelo ar, por meio de gotículas de saliva e espirros
Sintomas – Fortes dores de cabeça e no corpo, calafrios e inchaço dos pulmões
Tratamento – O vírus está em permanente mutação, por isso o homem nunca está imune. As vacinas antigripais previnem a contaminação com formas já conhecidas do vírus
A influenza, que nos assusta até hoje, foi registrada pela primeira vez na Espanha, ainda no século 19, mas só tomaria grandes proporções durante a Primeira Guerra, atacando as tropas na Europa. De lá, se espalharia pelos cinco continentes, inclusive para o Brasil.
Até 1919, matou mais de 20 milhões de pessoas no mundo todo.

TIFO

3 milhões de mortos (Europa Oriental e Rússia) – 1918 a 1922

História – A doença é causada pelas bactérias do gênero Rickettsia. Como a miséria apresenta as condições ideais para a proliferação, o tifo está ligado a países do Terceiro Mundo, campos de refugiados e concentração, ou guerras
Contaminação – O tifo exantemático (ou epidêmico) aparece quando a pessoa coça a picada da pulga e mistura as fezes contaminadas do inseto na própria corrente sangüínea. O tifo murino (ou endêmico) é transmitido pela pulga do rato
Sintomas – Dor de cabeça e nas articulações, febre alta, delírios e erupções cutâneas hemorrágicas
Tratamento – À base de antibióticos
Durante a invasão de Napoleão a Viena, uma epidemia de febre tifoide alastrou-se pela Europa central. Em 1812, aliada à fome, ao frio e à disenteria, a febre poupou apenas 30 mil dos 600 mil soldados franceses na Rússia. A transmissão ocorre por piolhos que parasitam animais e contaminam o homem.


FEBRE AMARELA

30 000 mortos (Etiópia) – 1960 a 1962

História – O Flavivírus, que tem uma versão urbana e outra silvestre, já causou grandes epidemias na África e nas Américas

Contaminação – A vítima é picada pelo mosquito transmissor, que picou antes uma pessoa infectada com o vírus
Sintomas – Febre alta, mal-estar, cansaço, calafrios, náuseas, vômitos e diarréia. 85% dos pacientes recupera-se em três ou quatro dias. Os outros podem ter sintomas mais graves, que podem levá-los à morte
Tratamento – Existe vacina, que pode ser aplicada a partir dos 12 meses de idade e renovada a cada dez anos

SARAMPO

6 milhões de mortos por ano – Até 1963
História – Era uma das causas principais de mortalidade infantil até a descoberta da primeira vacina, em 1963. Com o passar dos anos, a vacina foi aperfeiçoada, e a doença foi erradicada em vários países
Contaminação – Altamente contagioso, o sarampo é causado pelo vírus Morbillivirus, propagado por meio das secreções mucosas (como a saliva, por exemplo) de indivíduos doentes
Sintomas – Pequenas erupções avermelhadas na pele, febre alta, dor de cabeça, mal-estar e inflamação das vias respiratórias
Tratamento – Existe vacina, aplicada aos nove meses de idade e reaplicada aos 15 meses

MALÁRIA

3 milhões de mortos por ano – Desde 1980
História – Em 1880, foi descoberto o protozoário Plasmodium, que causa a doença. A OMS considera a malária a pior doença tropical e parasitária da atualidade, perdendo em gravidade apenas para a Aids
Contaminação – Pelo sangue, quando a vítima é picada pelo mosquito Anopheles contaminado com o protozoário da malária
Sintomas – O protozoário destrói as células do fígado e os glóbulos vermelhos e, em alguns casos, as artérias que levam o sangue até o cérebro
Tratamento – Não existe uma vacina eficiente, apenas drogas para tratar e curar os sintomas
Foi registada pela primeira vez como epidemia entre os romanos, que passaram a aterrar pântanos (devido à sua associação com terrenos alagados), na tentativa de afugentar os “maus ares” – daí o nome da doença. Era tão comum na região, que chegou a ser conhecida como “febre romana”. Ainda hoje, 250 milhões de pessoas contraem malária anualmente.

SIDA-HIV
22 milhões de mortos – Desde 1981

História – A doença foi identificada em 1981, nos Estados Unidos, e desde então foi considerada uma epidemia pela Organização Mundial de Saúde
Contaminação – O vírus HIV é transmitido através do sangue, do esperma, da secreção vaginal e do leite materno
Sintomas – Destrói o sistema imunológico, deixando o organismo frágil a doenças causadas por outros vírus, bactérias, parasitas e células cancerígenas
Tratamento – Não existe cura. Os soropositivos são tratados com coquetéis de drogas que inibem a multiplicação do vírus, mas não o eliminam do organismo.

GRIPE SUÍNA

Também chamada de H1N1, a doença foi declarada como uma pandemia (quando a infecção ocorre na população localizada em uma grande região geográfica) pela OMS. Em meados de março de 2009, ela foi caracterizada como um surto global e matou mais de 2 mil pessoas só no Brasil. Com sintomas de febre, tosse, dor de garganta, calafrios e dores no corpo, a gripe recebeu esse nome porque muitos de seus genes eram semelhantes aos dos vírus que afetavam porcos na América do Norte.


GRIPE AVIÁRIA

Além de ser transmitida de pessoa para pessoa, a doença pode ser contraída pelo contato com aves doentes. Por esse motivo, mais de 1,5 milhão de frangos foram mortos em Hong Kong depois que um homem morreu infectado pelo vírus em 1998. Casos semelhantes ocorreram em 2003, na Coreia do Sul, e obrigaram a população a sacrificar mais aves. Responsável pela doença, o vírus H5N1 teve surtos em 1997 e 2004 ocasionando a morte de 300 pessoas.

SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE

Mais conhecida como SARS, a doença teve um surto mundial em 2002, tendo o primeiro registro na China. Mais de oito mil casos foram confirmados ao redor do mundo, incluindo Canadá e Estados Unidos. No ano seguinte, aconteceram mais de 800 mortes. A síndrome é considerada erradicada desde 2004, mas isso não significa que o vírus tenha sido extinto. Os sintomas incluíam febre, dor de cabeça, calafrios, dores musculares, tosse seca e dificuldade para respirar.


EBOLA

Identificado na África Central na década de 70, o vírus do ebola causou a morte de mais de 11 mil pessoas pelos dados da OMS. Caracterizada por hemorragias internas ou externas, a doença também está ligada ao consumo de animais infetados, como o morcego-da-fruta ou o macaco. Assolada pela epidemia, a República Federativa do Congo registrou 3 mil casos entre agosto de 2018 e de 2019.

DENGUE

Informações do Ministério da Saúde afirmam que 11 estados brasileiros poderão ter novo surto de dengue a partir de março deste ano. A região Nordeste, Rio de Janeiro e Espírito Santo são considerados de maior risco para doença que possui quatro variantes do vírus. Depois de dez anos sob controle, o tipo 2 voltou a circular no fim de 2018. Em 2019 foram contabilizados mais de 1,5 milhão de casos da doença e 782 mortes. A Organização Pan-Americana de Saúde estima que que 3,9 bilhões de pessoas em 128 países estão em risco de infecção transmitida pelo Aedes aegypti.

Fontes:
Organização Mundial de Saúde (OMS)
Fundação Oswaldo Cruz
Wikipédia

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