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| Eng.ª Fátima Amorim, Presidente da CMAH A poetisa Maria de Lurdes Freitas |
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| Dr. Vítor Rui Dores, Autor do Prefácio e apresentador do livro Eng.ª Fátima Amorim, Presidente da CMAH Maria de Lurdes Freitas, a autora |
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| Dr. Vítor Rui Dores Apresentador do livro e autor do prefácio. |
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| David Freitas Lendo o poema "Princesa do Mar" |
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| José Duarte Soares Lendo o poema "Danças da Vida" |
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| António Armindo Couto Lendo o poema " Angra, Cidade Antiga" |
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| Ana Ormonde Lendo o poema "Confidências" |
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| Ana Maria Oliveira Lendo o poema "Saudade" |
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| Carla Félix Lendo o poema "Apelo" |
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| Atuação de Joel Moura |
O Vídeo => A Alma dos Poetas
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| Atuação de Evandro Menezes |
Oferta da partitura da música para o poema
"Cravos de Abril (50 anos)"
Música: Evandro Meneses
Intérprete: Sónia Pereira
Clicar no vídeo e ligar o som.
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| Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo |
Maria de Lurdes de Mendonça Ramos de Freitas
nasceu em Fevereiro de 1950, na localidade da Fazenda, concelho de Santa Cruz das Flores. Reside na ilha Terceira desde 1983.
Iniciou a sua vida profissional aos 19 anos e desempenhou diversos cargos de chefia administrativos na administração pública. Aposentada desde 2005, passou a dedicar-se ao coleccionismo e à escrita. Autora de imensos poemas, escritos ao longo da vida.
Profanadores de todos os
saberes, eles sabem que as palavras se corrompem no comércio quotidiano das
gentes. Por isso recuperam, transfiguram e subvertem essas palavras. Porque
sabem que a poesia não explica, implica; o poema não afirma, sugere. O
significado da imagem poética remete-nos sempre para um esfíngico segredo e
para uma forte ambiguidade. Nesta perspectiva, a poesia será sempre uma
tentativa de compreender o incompreensível.
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| Bilhete Postal Máximo |
Ao leitor é
lançado um desafio: o de descortinar o lado de lá da neblina do verso. Isto é, ele terá de ser capaz de
decifrar e descodificar o(s) sentido(s) do poema, para que assim aconteça a
fruição do texto. Ao poeta cumpre o ofício de
lapidar a palavra exacta e essencial, e nela encontrar os ritmos e as
pulsações, os silêncios e as sonoridades. Sendo um (incansável) trabalhador da
palavra, ele não deixará nunca de
observar e dissecar a sua vida (a sua alma) – como Vernet agarrado ao mastro
do navio para estudar a tempestade…
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| Selo comemorativo |
Florentina de
há muito radicada na ilha Terceira, Lurdes Freitas é uma “andarilha”
contemplativa e impressionista que, qual outro Vernet, empreende neste livro de
estreia poética, De basalto e mar (2019), uma viagem interior numa espécie de
inquérito ao subconsciente. E, “alma divagante”, colhendo impressões do que vê,
sente e pensa, ela procura na viagem não o destino, mas a sua própria natureza.
Isto é: a viagem como forma de procura e de descoberta, sendo a errância a
busca do sonho e da felicidade possível.
Livro de
sonhos e memórias, de olhares e impressões, de entimentos, emoções e estados
de alma, estamos perante uma poética da intimidade, da expressão lírica, com
versos certeiros e harmoniosos, de boa ressonância musical.
“À deriva” e a contas com a usura do tempo (cf. o poema
“Eternidade”), o sujeito da
enunciação fala-nos de uma inquietação metafísica e existencialista, de que é exemplo o poema “Dúvida” e que
assim começa: “Hoje dei por mim a pensar/ se existo, como supunha,/ se estou
no fim, no início,/ ou no meio de coisa nenhuma” (pág…..). Por outro lado,
estamos perante um jogo de máscaras e espelhos em que se questiona o enigma, o
mistério e as contradições da existência humana. (Cf. “Circo de fogo”,
excelente poema).
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| Todas as ilustrações são do artista Helder Tavares |
De resto, a
poesia tem, na sua origem, uma vocação cantante. Foi assim com os Gregos. Foi
assim com a poesia trovadoresca. E, nesta matéria, carradas de razão tem Paul
Eluard: “A poesia é a linguagem que canta”.
Numa escrita insulada e telúrica, De basalto e mar é atravessado por
três grandes linhas de força: a ilha (enquanto terra-mater insular), a solidão e o amor.
Espaço
imagético e afectivo, a ilha, geradora de mitos, mistérios e fascínios, está
sempre presente nos versos desta autora, que estabelece com a ilha uma identidade, uma identificação e uma
comunhão. E, através do acto de nomeação, ela dá verdade e simbolismo poético à
ilha: “mar”, “maré cheia”, “vazante”, “espuma”, “basalto”, “lava”, “cais”,
“praia”, “búzios”, “conchas”, “nuvens”, “gaivota”, “garajau”, “ganhoa”… Todos
estes elementos não estão aqui a servir de mero
décor – funcionam como uma celebração
poética da vida.
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| Carimbo comemorativo |
Para além
desta captação sensorial da ilha, há também um sopro de solidão, silêncio e
saudade que atravessam as páginas deste livro. À solidão está associada o amor
perante o qual o eu poético é um ser solitário. Buscando o inatingível e
aspirando ao impossível estado de alma, a poeta idealiza o amor como um
sentimento absoluto; depara, porém, com um amor perdido, sempre interiorizado e
pressentido…
De
basalto e mar remete-nos para a consciência do próprio acto poético
(cf. o poema “Ideal”) em que “Outono” rima com “abandono”, numa poética que
dialoga com outros autores (Fernando Pessoa, António Aleixo, Vitorino Nemésio)
e se confronta e defronta com as quotidianas vicissitudes do mundo – renúncia
às verdades ilusórias, denúncia dos males que nos rodeiam (Cf. o “Poema a uma
baleia que comia plástico”).
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| Bilhete Postal |
São versos bem
carpinteirados, forjados à luz do real e da fantasia, do vivido e do sentido.
Gostei incondicionalmente desta poesia despojada, espontânea e emotiva,
iluminada e fascinante, de grande serenidade, sem artifícios e sem desvios, com enorme
poder de irradiação e encantamento. Apreciei, como acima referi, a incidência
no elemento vocal e sonoro desta linguagem poética (sobretudo a musicalidade
das sílabas tónicas). Acima de tudo encontrei, neste livro, o lado silencioso
de Lurdes Freitas, que escreve com os cinco sentidos e com os olhos da memória.
Temos
Poeta!
Victor
Rui Dores
Bilhete Postal comemorativo
Rubricado por:
Dr. Victor Rui Dores - Que prefaciou e foi o apresentador
Sr. José Gaspar de Lima - Vice-presidente da CM de Angra do Heroísmo
Sr. Alcino Meneses - Presidente da Direcção da AHBV de Angra do Heroísmo
Sra. Maria de Lurdes Freitas - autora do livro
02-02-2020
(Sessão de Autógrafos)



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