quinta-feira, 16 de julho de 2020

O Escudo de 1935






A história do Escudo de 1935

O Escudo de 35 tem sido alvo de diversas histórias ao longo dos anos. Alguns coleccionadores dizem que foi cunhada para circular no Arquipélago dos Açores, que nesse período sofria de falta de moeda. Mas será essa a verdadeira história desta reputada moeda?

António Trigueiros na sua obra: “A Grande História do Escudo Português”, diz o seguinte: "Da série dos escudos de alpaca faz parte a emblemática moeda de 1$00 de 1935, que vem referida em catálogos comerciais como tendo sido emitida em pequena quantidade para circulação nos distritos açorianos. A sua história é, no entanto, bem diferente”.

A moeda apresenta uma amoedação de 54.300 exemplares, sendo que não é uma das emissões mais baixas. No entanto, devido a não se encontrarem muitas moedas em estado de conservação “BELA”, poderemos dizer que nesse estado é considerada moeda rara.


Qual foi então a razão de uma amoedação tão reduzida? 

Após a reforma de 1931 os limites de emissão das moedas de 1$00 e $50 foram fortemente reduzidos o que levou ao excesso de moeda cunhada nos cofres da Casa da Moeda e do Banco de Portugal, não tendo sido necessário cunhar moeda de alpaca até finais de 1934.




Antes de prosseguir, importa referir a diferença entre Cunhagem e Emissão, termos geralmente confundidos: 

Cunhagem: É o acto de aplicar um cunho, dar forma de moeda, fabricar, fazer. Que no nosso caso era e ainda o é feito pela Casa da Moeda Portuguesa.


Emissão: Colocar em circulação, responder pelo valor representativo. Qualquer moeda ou nota que seja cunhada, mas que não seja emitida não possui nenhum valor, a não ser o valor intrínseco do metal ou papel.

Segundo Trigueiros, em 1935 foram gravados novos cunhos para os valores de 1 escudo e 50 centavos com essa Era, tendo servido o cunho de 50 centavos para efectuar uma pequena cunhagem.


Os cunhos de 1 escudo seriam colocados em depósitos até finais de 1938.





Moeda de 1$00 de 1935 viciada


“No inicio de 1935 já estavam gravados novos cunhos com essa Era, utilizados numa modesta amoedação dos 50 centavos realizada "no intervalo da preparação da cunhagem para as Colónias" (Moçambique e Índia), ficando os cunhos para a moeda de 1$00 em depósito até finais de 1938”. – A. Trigueiros.

Em Outubro do mesmo ano (1938), a Casa da Moeda informou que necessitava de 1,5 toneladas de níquel, visto que o metal que existia em depósito daria para cunhar toda a moeda de 50 centavos.


Enquanto que no caso da moeda de Escudo, apenas se conseguiria cunhar uma pequena quantidade. Face aos valores disponibilizados pela Casa da Moeda, o Ministério das Finanças ordenou a conclusão da amoedação dos 50 centavos e arredondar para 15 mil contos a porção de moeda de 1 escudo cunhada. Sendo assim para esta cunhagem foram abertos novos punções reprodutores de cunhos para a moeda de 50 centavos com a era de 1938 e quanto à moeda de 1 Escudo foram utilizados os cunhos que se encontravam nos depósitos com a era de 1935, originando esta reputação de moeda rara.






Trigueiros - "Para esta amoedação, a 8 de Novembro foram abertos novos punções reprodutores de cunhos para a moeda de $50 com era de 1938, tendo-se concluído a cunhagem ordenada nas primeiras semanas de 1939 (150.000 ex. cunhados em 1938 e 772.700 ex. em 1939). Quanto à moeda de 1$00, também foi cunhada no inicio de 1939, mas com recurso aos cunhos com era de 1935 em depósito."




O Mito dos Açores




Diz-se, entre coleccionadores, que nos Açores se sentia falta de moeda de 1 escudo pelo que teria sido emitida esta pequena quantidade que foi enviada para as ilhas açorianas num navio que se afundou e nunca foi encontrado! Até à data, não foram encontrados documentos que comprovem tal pedido, e sendo os Açores ilhas de pequena dimensão não se encontrou moeda de 1 escudo de 35 em abundância, tendo sido descobertas apenas algumas, que bem poderão ter sido de alguém que para lá tivesse viajado e transportado consigo.


Não havendo portanto registos de tal viagem praticada por um navio, o qual ninguém sabe o nome, não passa portanto de uma lenda, um mito.

José Silva 2010 in Forum Numismatas

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