António Miguel Trigueiros
António Miguel Forjaz Pacheco Trigueiros nasceu em Coimbra em 1944 e licenciou-se em Engenharia Química Industrial em 1971 pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, tendo cumprido o serviço militar na Marinha, como oficial da Reserva Naval (19.º CFORN, 1971-1974).
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| 1.ª Edição - 2003 |
Foi Ajudante às Ordens do Comandante Naval do Continente, com louvor em Ordem do Dia. Em 1976 concorreu e foi admitido na Companhia Nacional de Petroquímica – CNP, onde se especializou na área de transformação de polímeros e plásticos. Foi chefe da delegação da CNP em Leiria e técnico da área de marketing, responsável pelas vendas nos merca dos nacionais e de exportação, até à sua saída em 1985, quando ingressou nos quadros da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (INCM). Além da sua atividade profissional como engenheiro químico, desde muito cedo que se dedicou ao estudo da história monetária portuguesa, tendo um vasto currículo de trabalhos de investigação publicados em Portugal e no estrangeiro.
Foi diretor e editor da Revista Portuguesa de Numismática e Medalhística – MOEDA (1974-1985); coordenador dos sectores de Numismática e Medalhística da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura (1983); assessor da Administração da INCM desde 1980; membro do Conselho de Numismática da INCM entre 1983 e 1995; e vogal da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (1987-2001), onde fez parte da Equipa de Projeto das Comemorações “Portugal - Japão” (1993), sendo autor e coordenador do programa monetário comemorativo dos Descobrimentos (1987-2001). Foi diretor da Sociedade de Geografia de Lisboa entre 1995 e 2015.
Em 1976 foi autor, a pedido da Secretaria de Estado do Tesouro, de um estudo sobre a introdução em Portugal da comercialização de moeda metálica com fins numismáticos, que esteve na base da publicação do primeiro diploma estruturante e regulamentador dessa nova atividade da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (Decreto-Lei n.º 176/83, de 3 de Maio).
Em 1985 foi convidado a ingressar nos quadros da INCM, como diretor do Departamento de Moeda e Produtos Metálicos, tendo concentrado os seus esforços na modernização fabril e na reorganização comercial da Casa da Moeda, e lançado as bases de um novo conceito estratégico de valor monetário, da moeda metálica como “sinal de cultura”, em oposição ao conceito multissecular da moeda como “sinal de valor”.
Criou de raiz uma nova linha de produtos monetários, designados como “Espécimes Numismáticos” – moedas de cunhagem especial “BNC” e “Proof” para comercialização a colecionadores –, bem como, toda uma inovadora rede comercial, nacional e internacional. Em 1989, a nova linha de produtos numismáticos da INCM alcançou o primeiro lugar nas vendas e nas exportações da empresa, e os lucros dela decorrentes foram um fator decisivo no financiamento da modernização das linhas de produção gráfica e metalúrgica da INCM.
Foi coautor da reforma do sistema de moeda metálica de 1986-1991 (Decreto-Lei n.º 293/86, de 12 de Setembro) e autor da maioria dos diplomas sobre moeda metálica publicados de 1983 a 1997.
Recebeu em 1992, em Basileia (Suíça), o ‘‘Prémio Europeu de Numismática – Vreneli’’, pela sua contribuição para a valorização cultural e histórica da moderna indústria da moeda, um galardão atribuído pela primeira vez a um diretor de uma casa da moeda, sendo o único português premiado.
Em 1998 foi convidado a ingressar nas Coleções Philae SA, como consultor da Administração, onde planeou e criou toda uma nova linha de produtos numismáticos de grande sucesso nas vendas da empresa. Em 2010 lançou o seu próprio editor digital “Estudos de Numismática.Org” (www.estudosdenumismatica.org), uma organização sem fins lucrativos, criada como contribuição para o acesso livre e universal ao conhecimento nas ciências e humanidades, onde estão disponíveis para consulta e cópia a quase totalidade dos seus trabalhos científicos publicados desde 1974.
Em 2019 foi eleito Académico Honorário da Academia Portuguesa de História.
Tem uma vasta obra sobre numismática portuguesa, das quais:
- (1983). Moeda dos Descobrimentos. Prestígio de Portugal no Mundo. Lisboa.
- (1989). Estudos de Notafilia. Separata de Numisma, nº 61. Lisboa.
- (1990). Cobre amoedado para a África Portuguesa: 1867-1879.
- (1992). Moedas Portuguesas na Época dos Descobrimentos, 1385-1580. Ed. Alberto Gomes, Lisboa
- (2003). A Grande História do Escudo Português. Colecões Philae, Lisboa.
- (2008). Inéditos da Real Ordem Portuguesa da Torre e Espada, 1808-2008.
- (2009). Códices Portugueses Quinhentistas Iluminados com Moedas. Separata de Moeda, Lisboa.
- (2015). A Conceição: Moeda, Medalha e Venera da Padroeira de Portugal 1646-1996. Lisboa.
- (2018). A Viagem das Insígnias. Valor e Lealdade. 1818-2018. Lisboa.
- (2021). A conceição de Portugal e do Brasil : moeda, medalha e insígnia honorifica. Lisboa.
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O Museu de Angra do Heroísmo acolhe o primeiro lançamento do livro Nova História da Moeda Insulana de António Miguel Trigueiros, que contará com uma mostra conjunta de documentação e numismática, em parceria com a Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro.
Fotorreportagem do pré-lançamento, na sede do NFAH, do livro "NOVA HISTÓRIA DA MOEDA INSULANA" da autoria do Sr. Eng.º António Miguel Trigueiros. Álbum fotográfico. Clicar no link abaixo VITEC -> A Reportagem -> Moeda Insulana |













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Caros Amigos do NFAH, apesar de tardio, quero agradecer a vossa gentileza na publicação desta minha nota biobibliográfica, que muito me alegrou e fico reconhecido. Cordiais saudações do António M Trigueiros (e até um próximo dia, sDq.!)
ResponderEliminarPena suspensa para furto de meio milhão em selos
ResponderEliminarJN. 090810. Nuno Miguel Ropio
Ex-director da Casa da Moeda condenado a quatro anos só tem de devolver quatro mil euros
O ex-director de divisão de moeda da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, António Miguel Trigueiros, foi condenado a quatro anos de prisão, com pena suspensa, pelo furto de meio milhão de euros em selos daquele organismo.
Especialista em numismática e autor dos mais conceituados estudos sobre moeda em Portugal, António Miguel Trigueiros foi ainda condenado pela 1.ª Vara Criminal da Cidade Judicial, em Lisboa, a indemnizar em quatro mil euros, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) pelo impacto negativo que o caso teve na imagem da instituição. Um valor bem diferente dos 100 mil euros que eram pedidos a título indemnizatório.
O colectivo de juízes fez depender também a suspensão da pena de quatro anos de prisão, pelo crime de furto qualificado, do acompanhamento e respectivos relatórios do Instituto de Reinserção Social.
Como atenuantes, o acórdão teve em conta que o historiador referiu ter somente, com a mulher, um rendimento mensal que não ultrapassa os 1900 euros - para fazer face a despesas de 1700 - e o facto de não ter antecedentes criminais. Ora, o JN sabe que, o investigador, de 65 anos, se prepara para chegar a tribunal devido a um outro processo, em que terá burlado em milhares de euros o Museu da Marinha com medalhas falsificadas.
O tribunal considerou provado que, para furtar 14 envelopes de provas de selos, postais e estampilhas do cofre da INCM, António Miguel Trigueiros aproveitou-se do seu passado enquanto antigo director adjunto de divisão da moeda.
Mesmo depois de ter sido despedido da instituição, no fim da década de 90 [do século XX], o ex-dirigente continuou a ter entrada livre ao arquivo, onde nunca lhe foi barrado o acesso para tirar todo o tipo de documentação destinada à elaboração dos seus trabalhos.
Segundo a juíza-presidente Elisabete Reis, após o período de 2001 a 2004, em que elaborou a obra "A grande história do escudo português", o investigador voltou a frequentar com maior assiduidade a INCM a partir de Outubro de 2005, alegando estar a trabalhar numa tese de doutoramento para o Instituto Superior de Economia e Gestão.
Conhecido pelos funcionários, nunca se suspeitou que as suas visitas servissem para retirar mais de meio milhão de euros em documentos históricos. O modo como as coisas aconteciam era simples: ia ao cofre, trazia um envelope, despejava o seu conteúdo em cima da mesa, misturava papéis seus com os documentos e, no fim, ia tudo para dentro da sua mala. O que regressava ao depósito da INCM mais não era do que um envelope vazio.
A investigação da Directoria de Lisboa da PJ só se iniciou em Dezembro de 2005, quando a directora do arquivo da INCM, Margarida Ramos, foi alertada pelo advogado portuense Claudino Pereira, que havia descoberto numa leiloeira algumas das raridades furtadas, correspondentes ao final da monarquia e inicio da república.
Em Fevereiro de 2006, António Miguel Trigueiros viria a ser detido e nessa ocasião foram resgatados cerca de 388 mil euros em selos.
Já em fase de julgamento, o condenado viria a entregar no Tribunal Boa Hora, em Lisboa, outro tanto material. Parco em palavras, justificou a sua acção com a necessidade de levar para casa os materiais para os poder estudar melhor e à inexistência de uma fotocopiadora na instituição.
https://www.jn.pt/seguranca/artigo/pena-suspensa-para-furto-de-meio-milhao-em-selos/1330406