domingo, 24 de agosto de 2025

Escutismo Açoriano (Centenário 1925/2025)




Selo personalizado comemorativo
do Centenário (1925/2025)






*** CNE - AÇORES - COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO ***
Hoje, 24 de agosto, pelas 20:00, na CMAH, comemorou o seu centenário o movimento escutista nascido nos Açores.
Foi a 26 de agosto de 1925, que nasceu o movimento escutista nos Açores, na freguesia da Conceição, Angra do Heroísmo.
No Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, foi lançado um bilhete-postal e selo personalizado que foi obliterado com a marca do dia.
A mesa foi composta por:
Sr. João Carlos Tavares, Chefe CNE - Junta Regional dos Açores
Dr. Álamo de Meneses, Presidente da CMAH
Sr. Rui Castro, Representante dos CTT em Angra do Heroísmo
António Armindo Couto, Presidente do NFAH






Visite a fotorreportagem do Sr. Brás Manuel Pereira Barcelos
através do seguinte link:














BREVE HISTÓRIA


A Região dos Açores abrange nove ilhas a meio do Atlântico distribuídas por três grupos: oriental (Santa Maria, São Miguel), central (Faial, Graciosa, Pico, São Jorge, Terceira) e ocidental (Flores, Corvo).


Faz parte, conjuntamente com a Madeira, das Regiões Autónomas consagradas em 1976 pela Constituição Portuguesa.
É uma região caracterizada por clima ameno – sem excessos de frio ou calor –, dotada de paisagens fascinantes, vocacionadas para o repouso, a tranquilidade e a evasão citadina. Uma das suas maiores riquezas reside na indústria turística direccionada para as valências ambientais, dispondo para isso de uma rede de percursos pedestres, onde pautam uma valiosa biodiversidade e as manifestações de vulcanismo. Outrora palco da caça à baleia, hoje em dia os Açores possibilitam programas de observação e estudo destes cetáceos, o que permitiu que a sua população crescesse significativamente nas últimas décadas.
Uma das mais-valias dos Açores consiste na diversidade das suas ilhas, que vão desde a existência de belas lagoas (São Miguel), ao valioso património histórico e urbanístico (Terceira), ao ponto de encontro da vela internacional (Faial), aos turismos rurais de sonho (Pico), até a paraísos perdidos (Flores e Corvo).










NÚCLEOS
  • 7 (Faial, Graciosa, Pico, Santa Maria, São Jorge, São Miguel, Terceira)
Início do Escutismo
  • 1925
Centros e Campos Escutistas 
  • Centro de Formação Escutista do Belo Jardim - Praia da Vitória, Ilha Terceira
Atividades Regionais
  • Jamboree Açoriano
  • «Mar que nos une» - Actividade Marítima 
  • ACARAL - Lobitos
  • EXPLORAÇORES - Exploradores 
  • PR`ANIMAR - Pioneiros 
  • Indaba
  • ROVER Caminheiros
  • Cenáculo Regional


ESCOTEIRO ou ESCUTEIRO?


O Escotismo foi fundado em 1907 por  Baden-Powell. É um movimento juvenil mundial, educacional, voluntariado, apartidário e sem fins lucrativos. A sua proposta é o desenvolvimento do jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado na Promessa (ou Compromisso de Honra) e na Lei escoteira (ou Lei do Escoteiro), e através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazendo com que o jovem assuma seu próprio crescimento, tornando-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina.

Por vezes alguns leitores indicam que está mal escrito ESCOTEIRO que deve ser escrito com U.


A verdade é que em Portugal usa-se a grafia escutismo para definir o escutismo católico, distinguindo-se desde logo, as 2 associações portuguesas – AEP –Associação de Escoteiros de Portugal – a primeira Associação fundada com O e o  CNE- Corpo Nacional de Escutas com U. Deveria ser com O pois a palavra já existia…mas há sempre divisões, apesar dos movimentos caminharem para a mesma finalidade. Pode ser que ainda possa acontecer uma união sem obrigação de credos…

A AEP – Escoteiros com O

Segundo a história da AEP- Em 1911, o Tenente Álvaro Machado fundou em Macau o primeiro Grupo de Escoteiros em terras portuguesas. No ano seguinte, Lisboa viu também surgir o primeiro Grupo de Escoteiros do continente português.

Os três primeiros Grupos de Escoteiros de Lisboa fundaram, em 6 de Setembro de 1913, a Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP).
Desde a sua fundação, alheia a credos religiosos e partidarismos políticos, a AEP conseguiu a admiração e o respeito dos portugueses e dos primeiros governos da República.

Com a presença de vários escoteiros no 1º Jamboree Mundial, realizado no ano de 1920, em Londres, a AEP inicia as suas representações oficiais e participa em muitos eventos internacionais do Escotismo, tendo tido a grata missão de receber Baden-Powell, o fundador do Escotismo, aquando das suas visitas a Portugal em 1929 e 1934.

A partir de 1936 e até ao 25 de Abril de 1974, a AEP sobreviveu com grandes dificuldades, sendo considerada indesejável pelo governo e alvo de perseguições e pressões. Pretendia-se com a extinção da AEP o reforço da Mocidade Portuguesa, movimento obrigatório e que nada tinha a ver com o método, os princípios e as finalidades do Escotismo.

CNE- Escuteiros com U

Segundo a sua história no seu site- O Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português – nasceu em Braga a 27 de Maio de 1923. Foram seus fundadores o Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos e Dr. Avelino Gonçalves, que em Roma mantiveram os primeiros contactos com o Movimento, quando ali assistiram, em 1922, a um desfile de 20.000 Escutas, por ocasião do Congresso Eucarístico Internacional que esse ano se realizou na Cidade Eterna. 


Depois de bem documentados regressaram a Braga e rodearam-se de um grupo de 11 bracarenses corajosos e valentes que, a 24 de Maio de 1923, faziam a sua primeira reunião, no prédio n.° 20 da Praça do Município, para estudarem a possibilidade e oportunidade da criação de um grupo de Scouts Católicos em Portugal: Assim nasceu o Corpo de Scouts Católicos Portugueses, cujos estatutos foram aprovados a 27 de Maio desse mesmo ano pelo governador civil de Braga, e confirmados em 26 de Novembro pela portaria n.° 3824 do Ministério do Interior e Direcção Geral de Segurança, começando a partir desse dia a existir oficialmente, com legalidade e personalidade jurídica.



A 26 de Maio de 1924 é publicado o Decreto-lein.° 9729, que confirma a aprovação dos estatutos e alarga a todo o território Português o âmbito da Associação. Em Janeiro de 1925, reuniu em Braga, pela primeira vez a Junta Nacional com: D. Manuel Vieira de Matos, Director Geral; D. José Maria de Queirós e Lencastre, Comissário Nacional; Dr. Avelino Gonçalves, Inspector-Mór; Cap. Graciliano Reis S. Marques, 1.° Vogal e Álvaro Benjamim Coutinho, 2.° Vogal.





USK TERCEIRA (ENCONTRO ATLÂNTICO)

 


O movimento Urban Sketching nasceu da paixão de amadores e profissionais por registar o mundo, um desenho de cada vez. Com milhares de membros e centenas de grupos espalhados pelos cinco continentes, esta comunidade global celebra a diversidade de estilos, a criatividade espontânea e a partilha de olhares únicos sobre ambientes urbanos e rurais.

O Atlântico, mais do que um oceano, é uma vasta via de encontro de culturas e histórias. Nas suas margens, povos e ideias cruzaram-se ao sabor das Grandes Navegações, deixando um património de trocas artísticas e culturais que ainda hoje nos inspira.

No centro desta epopeia, os Açores destacam-se como ponto de convergência entre a Europa, as Américas e a África. Em particular, a Ilha Terceira sobressai por ter sido uma passagem obrigatória dessas longas jornadas, o que lhe conferiu uma riqueza histórica e patrimonial singular, e que levou à constituição do seu próprio grupo de Urban Sketchers.

É nesta confluência de histórias, técnicas e perspetivas que o Encontro Atlântico de Urban Sketchers assume um papel emblemático: de 21 a 24 de agosto de 2025, artistas de diferentes origens e estilos reuniram-se para desenhar, aprender uns com os outros e criar memórias comuns. Este encontro simboliza a força de uma comunidade que ultrapassa fronteiras geográficas e linguísticas, unida pela paixão pelo desenho e, nesta ocasião, pelo Atlântico.

Texto de Rúben Quadros Ramos



Carimbo comemorativo do evento


Bilhete-postal Máximo
2025-08-24 - Encontro Atlântico USK
Desenho de Manuel Martins (USK-Terceira)


Selo personalizado comemorativo



Frente do bilhete-postal



A mesa foi composta por:
Sr. Manuel Meneses Martins, presidente da USK Terceira
Dr. Jorge Paulo Bruno, Diretor do Museu de Angra
Sr. Rui Castro, representante dos CTT em Angra do Heroísmo
António Armindo Couto, presidente do NFAH








EVENTOS PASSADOS

(Parcerias USK-Terceira/NFAH)


Bilhete-postal Máximo
2018-07-02 - 1.º Encontro de Postcrossing nos Açores
Desenho de Emanuel Félix (USK-Terceira)




Inteiro Postal
2020-10-04 - 90 anos da Aviação nos Açores (O Açor)
Desenho de Manuel Meneses Martins (USK-Terceira)




Bilhete-postal

2020-11-04 - Lançamento do livro USK - Terceira
Por ocasião do "Outono Vivo" na Praia da Vitória
Desenho de Emanuel Félix (USK-Terceira)



Bilhete-postal
2021-07-25 - Batalha da Salga (440 anos)
Pintura do Manuel Meneses Martins (USK-Terceira)



Bilhete-postal
2022-03-01 - Centenário da AHBVAH
Desenho de Emanuel Félix (USK-Terceira)


Bilhete-postal
2023-06-09 - Geminação das Vilas de
Aljubarrota e São Sebastião
Desenho da Matriz da Vila de São Sebastião
de Emanuel Felix (USK-Terceira)


sábado, 23 de agosto de 2025

Cabos Submarinos na Horta (1893-1969)

 
1895 - Rede de Cabos Submarinos do Estado
Postal da época.

A linha vermelha que vai de S. Jorge para o Pico, Prainha do Norte, identifica o lugar onde chega o cabo submarino. Ainda lá existe e em bom estado de conservação, denominada casa do fio.
 Lina Simas (12-12-2022)


Casa do Fio, na baía da areia, Prainha, ilha do Pico.
Fotografia de Lina Simas (12-12-2022)

1895 - Rede Telegráfica nas ilhas
Fayal, Pico, S. Jorge, Terceira e Graciosa




1903 - Bilhete Postal Ilustrado

A instalação do 1.º Cabo Submarino no Faial
Bilhete Postal circulado (1906)


Estação da Western Union Telegrapf Cª,  no Faial



Interior da Estação da Western Union Telegrapf Cª , no Faial








A doca do Faial em 1903



Ao pensarmos que hoje em dia, quase toda a gente tem o seu telemóvel, o seu computador e outros equipamentos de comunicação em rede, podemos parar um pouco e questionar qual terá sido a evolução das comunicações! Saltamos dos sinais de fumo, do lançar do pombo-correio para os faróis e... com a descoberta da eletricidade todo o processo se acelera e o mundo entra na era da globalização.



A Horta, local geograficamente estratégico no meio do atlântico, desempenha um papel fundamental na história das telecomunicações. Através dos cabos submarinos, condutores de mensagens por impulsos elétricos, aqui “amarrados”, a Horta transforma-se num entreposto de receção e emissão das comunicações mundiais e pioneira nas comunicações entre os continentes europeu e americano.


 O primeiro cabo ficou operacional em 1893, ligando Carcavelos à Horta e a partir desta data outros se foram ligando. Em 1928 concentravam-se na Horta quinze cabos telegráficos submarinos ligados à Inglaterra, Estados Unidos da América, Canadá, Irlanda, França, Cabo Verde, Itália e Alemanha, o que fazia com a cidade constituísse um dos maiores centros de comunicações do planeta, unindo o mundo e globalizando informações de cárater essencialmente meteorológico, naval e bélico, particularmente úteis em períodos como as duas Grande Guerras Mundiais.
Companhias telegráficas de nacionalidade alemã, inglesa e americana instalaram-se na cidade e aqui permaneceram durante seis décadas, influenciando naturalmente a vida social, cultural e desportiva da comunidade faialense. Aprendem-se e falam-se diferentes línguas. Criam-se orquestras que atuam com regularidade e ouve-se jazz.

Fundam-se clubes desportivos e praticam-se novas modalidades como o remo, a vela, o pólo aquático, o ténis ou o futebol. A Horta torna-se devido às circunstâncias, numa cidade cosmopolita e cheia de vida, onde inevitavelmente se fazem alguns casamentos entre os funcionários estrangeiros das companhias e jovens faialenses.
O encerramento da ultima companhia estrangeira de cabos telegráficos submarinos dá-se em 1969 pela natural obsolência do sistema. Ficaram os edifícios imponentes como a “Trinity House”, assim chamado por albergar as três companhias e os bairros administrativos e residenciais como as ainda hoje designadas, Colónia Alemã, pertença do Governo Regional e a instalação da companhia americana Western Union, atual Faial Resort Hotel.
Mas ninguém trava a progresso e a história vai-se repetindo. Os cabos telegráficos deram lugar aos cabos axiais e a partir de 1998 aos cabos de fibra óptica, esse prodígio da técnica dos condutores!
 In: Computerword



Nota: ROBERT ALFRED MACKAY terá sido Engenheiro e/ou Telegrafista da
Western Union  no Faial, nas décadas de 30 a 50 do século XX.


Entre 1893 e 1969 a cidade da Horta, na ilha do Faial tornou-se um importante centro de comunicações intercontinental, ligando a Europa à América do Norte.

Em 23 de Agosto de 1893 a empresa britânica Telegraph Construction and Maintenance Company instalou o primeiro cabo telegráfico submarino nesta cidade, ligando-a à de Lisboa.

Em 1928 já se concentravam na Horta quinze cabos telegráficos submarinos, o que a tornava num dos maiores centros de comunicações deste género em todo o mundo.

Texto e imagem de Fernando A. Pimentel (Corvo)



Correspondências para Companhia
Western Union, na Horta


Correio Censurado (II Guerra Mundial)


1943 - Censura Militar na Horta
De São Roque do Pico ( PC Santo António) para Horta

1943 - Censura Militar na Horta
De São Roque do Pico ( PC Santo António) para Horta



1943 - Censura Militar
De Lisboa para Horta


1943 - Correio Censurado
De Inglaterra, via Lisboa, para Horta


Correio Normal


1935 - Do Japão, via Sibéria, Lisboa, Horta

1948 - USA, via Ponta Delgada, para Horta
1948 - USA, via Aeroporto de Santa Maria, para a Horta

1949 - Da Austrália (Adelaide, registada), via Ponta Delgada, para Horta.




1949 - New York, via Aeroporto de Santa Maria, Angra do Heroísmo, para a Horta

1950 - USA, via Aeroporto de Santa Maria, Angra do Heroísmo, para Horta.



Itinerário dos Cabos Submarinos nos Açores Circulou do Aeroporto da Terceira (19-04-1958) com destino a Roma