quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Cónego Francisco Dolores


Cónego Francisco Dolores Monteiro Borges de Medeiros
Natural de Santo Espírito, Vila do Porto, Santa Maria,
onde nasceu a 9 de Julho de 1949.


Frequentou o Seminário Menor de Ponta Delgada nos anos lectivos de 1962/63 e 1963/64;


e o Seminário Episcopal de Angra de 1964 a 1974, nos cursos filosófico e teológico.

Ordenou-se em 19 de Abril de 1974, na Matriz de Nossa Senhora da Assunção de Vila do Porto.

Vigário Cooperador das Lajes – Terceira, de Julho de 1974 a Outubro de 1979. Delegado Diocesano da Juventude para o Concelho da Praia da Vitória de 1974 a 1979, nessa qualidade promoveu a Marcha da Juventude "Páscoa 1979", com 1200 Jovens, a pé de S. Sebastião até à Sé Catedral, no Sábado de Ramos desse ano.

Professor de História, Português e Religião e Moral na Escola Preparatória da Praia da Vitória de 1974 a 1979.

Pároco de Santa Bárbara das Nove Ribeiras, de Outubro de 1979 a Outubro de 1989 e de Abril de 1984 a Outubro de 1979, também pároco de São Jorge das Doze Ribeiras.

Em Maio e Junho de 1980 deslocou-se aos E. U. A (Costa Leste e Califórnia) e Canadá, onde criou , com o apoio da "Voz dos Açores" e outras entidades, Comissões de Apoio à Reconstrução para as Paróquias de Santa Bárbara, Doze Ribeiras, Cinco Ribeiras, e Ilha de São Jorge.


Fundou e dirigiu o mensário "FAMÍLIA" da Zona Oeste da Terceira de 1981 a 1989, com uma tiragem média de 1200 exemplares.

Administrador da União Gráfica Angrense de 1983/90 e de 1992 a 1997.

Pároco de Nossa Senhora de Belém desde Outubro de 1989; Pároco de Posto Santo de Janeiro de 1991 a Novembro de 1993 de São Bartolomeu de Regatos de novembro de 1993 a Julho de 1995 e de Julho de 1999 até 6 de Setembro de 2002.




Pároco e Reitor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Angra do Heroísmo, desde 21 de Setembro de 2002.

Ouvidor de Angra do Heroísmo de Novembro de 1989 a Dezembro de 1992.




Vigário Judicial da Diocese de Angra de Março de 1992 a 1996. Notário do mesmo Tribunal no presente. Frequentou, em Fátima o Curso de Processo de Nulidade do Matrimonio, ministrado pela Universidade de Navarra e em 2001, o Curso sobre Transtornos psíquicos e nulidade do matrimonio, ministrado pela Pontifícia Universidade de Salamanca.




Diretor do Secretariado das Migrações de Novembro de 1990 a 1993.

Diretor do Secretariado da Pastoral Juvenil de 1985 a 1992.

Redator desde 1981 de "A União" e Chefe de Redacção do mesmo de 1995 até Setembro de 2001.

Pároco da Terra-Chã, de 1 de Outubro de 1989 a 7 de Setembro de 2002.

Responsável pelo Secretariado Diocesano da Comunicação Social de 1992- 95.

Chefe do Projecto In-Forma de Prevenção Primária da Toxicodependência (1991-1993).

Actualmente Assistente da Cáritas da Ilha Terceira e do Conselho Central Das Conferências Vicentinas da Ilha Terceira.

Fundador dos Escuteiros da Sé, em 1972-73. Medalha de Bronze do CNE.


1996 - Francisco Dolores
com prefácio do Pe. Caetano Tomás


Publicou "Na Brecha" em 1996. Duas Menções Honrosas em Conto.

Pregou dois Retiros internacionais em Lurdes.

Colaborou inicialmente na Enciclopédia Açoriana (Medicina Botânica).


2015 - Francisco Dolores
com prefácio de Aurélio Franco da Fonseca


2014-04-19 - Sobrescrito editado pelo NFAH


Foi elevado à dignidade de Cónego a 11 de fevereiro de 2015, passando desde essa data a integrar o Cabido da Sé de Angra e a fazer parte do Colégio de Consultores do Bispo Diocesano.

In: Santuário de Nossa Senhora da Conceição (Angra do Heroísmo)
        
Medalha comemorativa
2014 - Homenagem de um grupo de amigos

Cónego Francisco Dolores distinguido como capelão da
Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

“Entendo esta distinção como uma forma de reconhecer a minha história pessoal de vida, com a forma como vivo a minha piedade pessoal e, sobretudo com a minha devoção e entrega a Nossa Senhora” disse emocionado o Cónego Francisco Dolores em declarações ao Sítio Igreja Açores.


“Ainda por cima, no ano em que se comemora o centenário das Aparições é para mim uma honra receber este reconhecimento”, precisou.

“Historicamente sempre me mantive fiel aos princípios de Portugal e a minha devoção a Nossa Senhora da Conceição acompanhou-me ao longo da vida, desde tenra idade. Lembro-me da minha avó nunca falhar uma festa da imaculada Conceição na ilha de Santa Maria e de nos levar com ela. Há uma devoção muito especial a Nossa Senhora na minha família”, prosseguiu o sacerdote que não esconde, por outro lado, que esta “honra não vem acrescentar nada à minha fé, nem diminuir, mas sinto- me  gratificado na minha devoção para com a mãe do Céu e rainha de Portugal que me protege num momento em que estou a restaurar as minhas forças para continuar a trabalhar e a servir o povo e a igreja”.




A Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi criada no Rio de Janeiro, em 1818, por D. João VI de Portugal, “representando solene testemunho de reconhecimento pela libertação do nosso país de um gravíssimo risco e constituindo, nas palavras de sua majestade fidelíssima D. João VI, memória da devoção a Nossa Senhora da Conceição, invocada por "Padroeira do Reino” refere o documento que cria esta ordem.





Esta sexta-feira, pelas 20h30, a Lar Doce Livro – livraria, café & posta-restante recebe e estimula a homenagem de amigos e admiradores ao Pe. Francisco Dolores, por ocasião dos seus 50 anos de ordenação (19 de Abril de 1974).

Porque a literatura é das suas personagens e as personagens das pessoas que as compõem. O que é ainda mais evidente num padre popular, com experiência de endireita, laivos de druida, imagem de filantropo e um sentido de humor pelo menos subversivo.



O lançamento do livro “NA BRECHA II”, da autoria do Pe. Francisco Dolores Medeiros, que teve lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho.




A obra, editada pela Turiscon Editora, foi apresentada pelo Pe. José Júlio Rocha e reúne 100 pequenos textos, em formato fac-similado, originalmente publicados no jornal “A União” nos anos de 1981 e 1982, abordando temas do quotidiano e das vivências humanas.
Segundo o autor, “há sempre uma brecha, ou uma abertura, por onde podemos vislumbrar novas perspectivas de vida, mesmo quando parece ter caído tudo à nossa volta e não existir uma saída”. O sismo de 1 de janeiro de 1980, que marcou profundamente os Açores, representou “o fim de um mundo” para milhares de pessoas, exigindo a reconstrução quase total das suas vidas e realidades.
“NA BRECHA II” surge, assim, como o reinício de uma crónica quase diária de um estado de espírito, refletindo a experiência de quem viveu esse período de descoberta e reconstrução, convidando o leitor a novas perspectivas de leitura e de vida, para além das ilhas, dos continentes e dos oceanos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Dia de Amigos nos Açores

 


O Dia de Amigos nos Açores:

 A Celebração da Amizade




O Dia de Amigos, celebrado numa quinta-feira, é uma das tradições mais emblemáticas dos Açores. Este dia, exclusivamente dedicado aos homens, marca o início das festividades carnavalescas e reflete o espírito comunitário e descontraído que caracteriza a cultura açoriana.

Uma Tradição de Convívio e Alegria

O Dia de Amigos é uma oportunidade para reforçar os laços de amizade masculina. Grupos de amigos, colegas de trabalho e familiares masculinos juntam-se para momentos de confraternização que podem variar entre almoços, jantares ou simples encontros em cafés e tascas locais.




Além do convívio à mesa, o humor e as brincadeiras são elementos indispensáveis. Não é raro que os grupos organizem pequenas partidas ou trocas de presentes humorísticos, refletindo o carácter descontraído e alegre deste dia.

Testamentos Humorísticos e Sátira Social

Uma das tradições mais interessantes do Dia de Amigos nos Açores é a leitura de “testamentos” humorísticos. Estes textos, escritos de forma satírica, são uma forma de brincar com as características ou histórias pessoais dos participantes, sempre num tom leve e divertido. Os testamentos têm como objetivo provocar risadas e criar um ambiente de camaradagem, reforçando os laços entre amigos.

O Contexto Cultural Açoriano




Nos Açores, onde o Carnaval é vivido de forma intensa e cheia de simbolismo, o Dia de Amigos ganha um destaque especial. Em ilhas como a Terceira, onde os bailinhos e danças de Carnaval têm um peso significativo, este dia funciona também como um aquecimento para as festividades que se aproximam.

As celebrações estão profundamente enraizadas na cultura local e são transmitidas de geração em geração, preservando a identidade açoriana. O Dia de Amigos é, portanto, mais do que um momento de convívio: é uma expressão de pertença e de valorização das relações interpessoais, um reflexo do espírito acolhedor e solidário das gentes das ilhas.


Um Convite à Celebração

Para quem visita os Açores durante o Carnaval, participar no Dia de Amigos é uma oportunidade única de vivenciar esta tradição de perto. Entre boa comida, risadas e a calorosa hospitalidade açoriana, este dia é uma janela para a autenticidade e para o profundo valor dado às amizades na cultura local.



Assim, o Dia de Amigos não é apenas um marco no calendário festivo açoriano, mas também um testemunho da alegria de viver que define a essência do arquipélago.

In: Publicado no Jornal dos Açores 9 (06-02-2025)





quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Ferreira Drummond (1796-1858)






FRANCISCO FERREIRA DRUMMOND


Igreja Matriz de São Sebastião





Brasão de Armas
da família Drummond
Francisco Ferreira Drummond nasceu na vila de S. Sebastião (Terceira), a 21 de Janeiro de 1796, tendo sido baptizado, na respectiva Matriz, a 27 desse mesmo mês.

Era filho de Tomé Ferreira Drumond, lavrador abastado, e Rita de Cássia, ambos residentes na Vila de S. Sebastião, em cuja Matriz foram também baptizados.


A família Drumond estava, então, intimamente ligada ao magistério primário e à governança da Vila de S. Sebastião, tendo a presidência da Câmara sido ocupada por seu pai (em 1821). O seu irmão, o capitão de ordenanças José Ferreira Drumond, dominou a vida política local durante várias décadas.




Ferreira Drumond desde a infância que revelou decidida vocação para as letras e para a música. Depois da instrução primária, estudou latim, lógica e retórica (disciplinas próprias do ensino da mocidade culta de então e as únicas disponíveis na sua vila natal). Muito estudioso, procurou constantemente aumentar a sua instrução literária e artística, o que lhe foi facilitado pelo meio familiar em que viveu.







Com apenas 15 anos, foi nomeado para o cargo de organista da Matriz da Praia.
Cedo aderiu à causa liberal, tendo sido eleito pelo novo sistema constitucional, em 1822, secretário da Câmara Municipal de S. Sebastião. Tal eleição valeu-lhe grandes dissabores, tendo, para escapar às perseguições dos absolutistas, fugido da Terceira, durante a noite, numa embarcação que o levou à ilha de Santa Maria, de onde passou a Ponta Delgada, dali partindo, com passagem pela Madeira, para Lisboa.

Depois de um ano de exílio voltou à Terceira, tendo participado activamente em todo o desenrolar da guerra civil nesta ilha, que depois tão bem descreveu nos seus Anais da Ilha Terceira.

Desempenhou, ainda em S. Sebastião, os cargos de escrivão dos órfãos, secretário da Administração do Concelho, e tabelião. Em 1836 foi eleito Presidente da referida Câmara, tendo desempenhado essas funções até 1839. Nesse ano foi eleito Procurador à Junta Geral.

Exerceu também, durante vários anos, o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia.

Distinguiu-se na luta contra a extinção do concelho de S. Sebastião, extinção que, em boa parte graças à sua actividade, apenas se consumou em 1 de Abril de 1870, apesar de decretada em 24 de Outubro de 1855.

Algumas das mais importantes obras da antiga Câmara de S. Sebastião foram iniciativa sua, nomeadamente a captação das nascentes do Cabrito e o seu aproveitamento para moagem, naquela época a maior obra hidráulica da Terceira e uma das maiores dos Açores.

Monumento no Rossio
Vila de São Sebastião




Faleceu em 11 de Setembro 1858, contando 63 anos incompletos de idade, na casa que tinha aforado da Santa Casa da Misericórdia, na Travessa da Misericórdia, onde hoje está a lápide comemorativa. 

Francisco Ferreira Drumond foi homenageado em 1951 com um pequeno monumento localizado no Rossio, Vila de S. Sebastião.

O seu trabalho histórico ocupa um lugar cimeiro na historiografia açoriana, sendo a base de boa parte das obras sobre a história dos Açores, em particular sobre a história da ilha Terceira.











Obras publicadas





Memória Histórica da Capitania da Praia da VitóriaEditado pela Câmara Municipal da Praia da Vitória em 1846, Praia da Vitória. A obra foi reeditada inserta na colectânea Memória Histórica do Horrível Terramoto de 15.VI.1841 que Assolou a Vila da Praia da Vitória, edição e da Câmara Municipal da Praia da Vitória, 1983.


Anais da Ilha Terceiraobra escrita segundo o critério cronológico típico dos Anais, cobrindo o período desde a descoberta e povoamento da ilha até 1850. Foi oferecida à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que a editou em 4 volumes, contendo 510 de documentos. O volume I foi publicado em 1850; o vol. II em 1856; o III em 1859; e o IV, póstumo, em 1864. Reeditado, em fac-símile da edição original, pela Secretaria Regional da Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1981.

Apontamentos Topográficos, Políticos, Civis e Eclesiásticos, para a História das Nove Ilhas dos Açores - obra inacabada deixada em manuscrito. Após um conturbado percurso, a obra foi editada em 1990 pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo.









A ascendência de Drummond
Visite em: Drummond



quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

USK TERCEIRA (ENCONTRO ATLÂNTICO)

 


O movimento Urban Sketching nasceu da paixão de amadores e profissionais por registar o mundo, um desenho de cada vez. Com milhares de membros e centenas de grupos espalhados pelos cinco continentes, esta comunidade global celebra a diversidade de estilos, a criatividade espontânea e a partilha de olhares únicos sobre ambientes urbanos e rurais.

O Atlântico, mais do que um oceano, é uma vasta via de encontro de culturas e histórias. Nas suas margens, povos e ideias cruzaram-se ao sabor das Grandes Navegações, deixando um património de trocas artísticas e culturais que ainda hoje nos inspira.

No centro desta epopeia, os Açores destacam-se como ponto de convergência entre a Europa, as Américas e a África. Em particular, a Ilha Terceira sobressai por ter sido uma passagem obrigatória dessas longas jornadas, o que lhe conferiu uma riqueza histórica e patrimonial singular, e que levou à constituição do seu próprio grupo de Urban Sketchers.

É nesta confluência de histórias, técnicas e perspetivas que o Encontro Atlântico de Urban Sketchers assume um papel emblemático: de 21 a 24 de agosto de 2025, artistas de diferentes origens e estilos reuniram-se para desenhar, aprender uns com os outros e criar memórias comuns. Este encontro simboliza a força de uma comunidade que ultrapassa fronteiras geográficas e linguísticas, unida pela paixão pelo desenho e, nesta ocasião, pelo Atlântico.

Texto de Rúben Quadros Ramos



Carimbo comemorativo do evento


Bilhete-postal Máximo
2025-08-24 - Encontro Atlântico USK
Desenho de Manuel Martins (USK-Terceira)


Selo personalizado comemorativo



Frente do bilhete-postal



A mesa foi composta por:
Sr. Manuel Meneses Martins, presidente da USK Terceira
Dr. Jorge Paulo Bruno, Diretor do Museu de Angra
Sr. Rui Castro, representante dos CTT em Angra do Heroísmo
António Armindo Couto, presidente do NFAH










MANUEL MENESES MARTINS

14 de fevereiro de 1953 - 14 de janeiro de 2026

NOTA DE PESAR

A Associação Urban Sketchers Ilha Terceira comunica, com profunda tristeza, o falecimento de Manuel Meneses Martins.
É com grande consternação que nos despedimos de um dos principais impulsionadores do movimento Urban Sketchers na Ilha Terceira, cuja dedicação e entusiasmo marcaram de forma duradoura a nossa associação. A Manuel devemos inúmeros momentos de partilha e alegria: encontros de desenho que se transformavam em verdadeiros momentos de aprendizagem, a generosidade com que partilhava o que sabia e a forma aberta e afável com que acolhia cada pessoa.
Hoje perdemos não só um amigo, mas também um exemplo de entrega à arte. O Manuel viveu a criação artística com paixão e autenticidade, explorando diferentes linguagens e estilos.
Fica a memória de um homem gentil, generoso e talentoso, que fez da arte um gesto de partilha e proximidade. A sua ausência deixa um vazio difícil de nomear, mas também uma herança de amizade, inspiração e humanidade que continuará a viver entre nós.





EVENTOS PASSADOS

(Parcerias USK-Terceira/NFAH)


Bilhete-postal Máximo
2018-07-02 - 1.º Encontro de Postcrossing nos Açores
Desenho de Emanuel Félix (USK-Terceira)




Inteiro Postal
2020-10-04 - 90 anos da Aviação nos Açores (O Açor)
Desenho de Manuel Meneses Martins (USK-Terceira)




Bilhete-postal

2020-11-04 - Lançamento do livro USK - Terceira
Por ocasião do "Outono Vivo" na Praia da Vitória
Desenho de Emanuel Félix (USK-Terceira)



Bilhete-postal
2021-07-25 - Batalha da Salga (440 anos)
Pintura do Manuel Meneses Martins (USK-Terceira)



Bilhete-postal
2022-03-01 - Centenário da AHBVAH
Desenho de Emanuel Félix (USK-Terceira)


Bilhete-postal
2023-06-09 - Geminação das Vilas de
Aljubarrota e São Sebastião
Desenho da Matriz da Vila de São Sebastião
de Emanuel Felix (USK-Terceira)


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Dia de Reis (6 de Janeiro)





*** DIA DE REIS E O NATAL NA UCRÂNIA ***

A 6 de Janeiro celebra-se o Dia de Reis e o Natal Ortodoxo.

O NFAH edita o seu primeiro bilhete-postal de 2023 onde consta, no anverso, um poema de Maria de Lurdes Freitas, e uma aguarela, no verso, de Virgílio Toste, alertando para a realidade presente, registando a nossa solidariedade com o povo ucraniano.

É estampilhado com o selo, edição especial, dos Correios de Portugal que, segundo consta, já se encontra esgotado, e obliterado com a marca do dia de Angra do Heroísmo.



6 de Janeiro a Igreja celebra a adoração dos Reis Magos, conhecida como Epifania. Popularmente a ocasião é aproveitada para cantar os Reis, por ranchos que vão de porta em porta, desejar um bom ano. A tradição resiste na ilha Terceira.

A tradição do cantar os Reis ou Janeiras, perde-se no escuro dos tempos. Nos Açores há referências escritas e seguras a esta tradição popular para o séc. XVIII, no caso da ilha Terceira.





Como muitas tradições semelhantes, esta quase se perdeu com os ventos do 25 de Abril de 1974, mas aos poucos foi sendo recuperada. E hoje, na Terceira, depois de alguns grupos de danças e cantares tradicionais terem feito pesquisa, é possível ouvir as modas que compunham a actuação dos ranchos de Reis. Esse trabalho resultou numa reprodução quase fiel das toadas que se ouviam na primeira metade do séc. XX.

José da Lata (José Martins Pereira) proeminente cantador e tocador popular da primeira metade do séc. XX. A ele se deve o incremento das danças e cantares tradicionais da Terceira.

José da Lata (na foto) e Manuel Valentim, acompanhados com alguns músicos da Terra Chã, faziam cumprir esta tradição, visitando famílias amigas por todas as freguesias. Outros ranchos se faziam também ouvir ao redor da ilha.

Rancho de "Reises" do grupo de folclore MODAS DA NOSSA TERRA, da ilha Terceira. Uma das raras representações dos ranchos de antigamente, obedecendo em tudo à tradição, desde as vestes até às modas que eram interpretadas.

Hoje, a tradição só não é o que era, como descambou, misturando em desfiles organizados por câmaras municipais, os verdadeiros (poucos) ranchos de Reis, com grupos de igreja que vêm à rua, no mesmo dia, entoar cânticos de louvor à virgem e ao Menino Jesus, fora do contexto dos ranchos tradicionais. 




Por muito boa que fosse a intenção das Câmaras Municipais na promoção da tradição (e a da Praia da Vitória, por exemplo, a um tempo, foi louvável), a verdade é que os desfiles de ranchos transmitem uma imagem errada da mesma. Estes ranchos (os verdadeiros) cantam à porta da moradia e não são objecto de desfile. Talvez que as câmaras pudessem virar a página promovendo a recuperação da tradição genuína e incentivar os grupos a actuarem em cenário natural, de porta em porta. Seria uma valorização assinalável desta bonita manifestação.



Os ranchos de Reis eram compostos só por homens, trajando roupa costumeira e cobertos do frio com um xaile negro e chapéu. Na mão, levavam um bordão. Uns cantavam e outros tocavam. Um deles levava a candeia que alumiava nas ruas e canádas escuras, por onde o rancho passava. Em muitos casos, um cão precedia o grupo e dava o primeiro sinal de chegada. As modas eram sempre as mesmas e saudavam os donos da moradia, desejando um bom ano, pedindo licença para entrar, dançando no meio da casa e despedindo-se com a promessa de voltar no ano seguinte.


As velhas e características toadas eram magistralmente interpretadas a três vozes, sendo uma delas muita aguda, exigindo uma potente garganta. A esta o povo chamava a” voz de tripa”. No meio da casa havia iguarias e bebidas também tradicionais, para retemperar as forças e encorajar o rancho a partir para outra visita. Para o povo era uma honra receber os Reis.



Finalmente, uma referência para a preservação da tradição no sul do Brasil, para onde foi replicada pela grande vaga de emigração dos Açores para Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Hoje persistem naquelas paragens os “terno de Reis”, com a mesma composição, versos e toadas levadas há 250 anos! Por aqui se vê a antiguidade de uma das mais genuínas tradições populares da Terceira e dos Açores.

Texto de Victor Alves in FB









A HISTÓRIA DOS REIS MAGOS










Quem foram os Reis Magos?

A história dos reis magos é narrada na Bíblia, no Evangelho de S.Mateus. A descrição presente na Bíblia não apresenta detalhes sobre eles, refere a sua origem como sendo o Oriente. Não é possível confirmar que tenham existido.

Os reis viram uma estrela, a estrela de Belém e foram guiados até ao local onde se encontrava Jesus. Ao encontrarem Jesus ofereceram-lhe três presentes: ouro, mirra e incenso.
Mas estamos mesmo a falar de reis?

A Bíblia não os designa como reis . Utilizam-se os termos “magos”, “sábios”, “homens que estudavam estrelas". O termo “magos” poderia ser uma referência a homens estudiosos, a astrónomos.
Na tradição cristã designam-se os magos como reis. Os historiadores não sabem explicar como tal aconteceu e nem o momento específico, mas acredita-se que a utilização de “reis” para referir-se aos magos terá acontecido entre o final da Antiguidade Clássica e o início da Idade Média.



Qual a origem dos magos?

A Bíblia refere que os magos vinham do Oriente, um documento escrito por um Doutor da Igreja de meados do século VII, São Beda, o Venerável, menciona os locais de origem dos magos. Estes locais são: Ur, na terra dos Caldeus, para o caso de Melchior (também conhecido como Belchior); regiões próximas do Mar Cáspio para Gaspar, e proximidades do Golfo Pérsico para Baltasar. Segundo esse relato, os magos são originários da Babilónia, Pérsia e Arábia, mas, certezas não existem. Para São Beda, assim como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles, os magos representavam três raças humanas, em idades diferentes.


Os magos eram mesmo três?

Também não se sabe. Foram oferecidos três presentes a Jesus e a tal facto associou-se a ideia de 3 magos. Existem estudos realizados em documentos antigos que sugerem a existência de outros magos, no entanto tal não pode ser confirmado. Existem relatos que referiam que os magos eram doze, assim como os apóstolos, outros sugerem que eles eram quatro.


Os restos mortais dos reis magos estão em Colónia?

Quem visita a catedral de Colónia, na Alemanha,é informado de que ali repousam os restos dos reis magos. De acordo com uma lenda medieval, teria ocorrido um reencontro dos magos mais de 50 anos depois do primeiro Natal, na Turquia, onde viriam a falecer. Posteriormente os seus corpos foram levados para Milão, onde permaneceram até o século XII, quando o imperador germânico Frederico Barba - Roxa levou os restos mortais para Colónia.



E qual o significado dos presentes oferecidos?

A Bíblia refere que os magos levaram ouro, incenso e mirra quando visitaram Jesus Cristo. Todos estes presentes têm um simbolismo: o primeiro, evidentemente, corresponde a um rei; o incenso é usado no sacrifício a Deus; a mirra, embalsama os corpos dos mortos. Ao oferecer ouro a Jesus, os magos estavam a mostrar que o consideravam “rei dos judeus”. O incenso simboliza a seiva da vida e os aromas com que os crentes costumavam orar. Quanto à,mirra é uma erva, produzida por uma árvore com espinhos africana. Era usada para curar feridas e também na prática do embalsamamento no Egito. Quando Jesus foi crucificado, a mirra terá sido usada para embalsamar o seu corpo.



Fonte: Blogue Estórias da História