sábado, 21 de março de 2026

Maria de Lurdes Freitas (Poetisa)




Eng.ª Fátima Amorim, Presidente da CMAH
A poetisa Maria de Lurdes Freitas

Dr. Vítor Rui Dores, Autor do Prefácio e apresentador do livro
Eng.ª Fátima Amorim, Presidente da CMAH
Maria de Lurdes Freitas, a autora


Dr. Vítor Rui Dores
Apresentador do livro e autor do prefácio.





David Freitas
Lendo o poema "Princesa do Mar"


José Duarte Soares
Lendo o poema "Danças da Vida"




António Armindo Couto
Lendo o poema " Angra, Cidade Antiga"

Ana Ormonde
Lendo o poema "Confidências"

Ana Maria Oliveira
Lendo o poema "Saudade"

Carla Félix
Lendo o poema "Apelo"


Atuação de Joel Moura

 O Vídeo => A Alma dos Poetas




Atuação de Evandro Menezes








Oferta da partitura da música para o poema

 "Cravos de Abril (50 anos)"

Música: Evandro Meneses
Intérprete: Sónia Pereira




Clicar no vídeo e ligar o som.











Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo







A autora 
Agradecimento


Ontem (26-11-2025) foi o dia em que o meu novo livro - Outro Canto - viu a luz do dia. Partiu e deixou de ser meu, agora é de quem o quiser ler.

O lançamento aconteceu no salão nobre dos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo e foi presidido pela ilustre presidente da edilidade Engª Fátima Amorim. A apresentação, a todos os títulos brilhante, esteve a cargo do Dr Victor Rui Dores. Leu-se poesia e dois emocionantes momentos musicais embelezaram o acontecimento.

A todos os que me deram a honra de partilhar comigo estes momentos, a minha gratidão


A poetisa recebe das mãos do filho Arnaldo e da nora Sónia
este lindo livro recheado de flores.



Reportagem da VITEC AZORES

Clicar no link: OUTRO CANTO












Maria de Lurdes de Mendonça Ramos de Freitas

nasceu em Fevereiro de 1950, na localidade da Fazenda, concelho de Santa Cruz das Flores. Reside na ilha Terceira desde 1983.

Iniciou a sua vida profissional aos 19 anos e desempenhou diversos cargos de chefia administrativos na administração pública. Aposentada desde 2005, passou a dedicar-se ao coleccionismo e à escrita. Autora de imensos poemas, escritos ao longo da vida.



PREFÁCIO



Os poetas têm razões que a razão desconhece.
Profanadores de todos os saberes, eles sabem que as palavras se corrompem no comércio quotidiano das gentes. Por isso recuperam, transfiguram e subvertem essas palavras. Porque sabem que a poesia não explica, implica; o poema não afirma, sugere. O significado da imagem poética remete-nos sempre para um esfíngico segredo e para uma forte ambiguidade. Nesta perspectiva, a poesia será sempre uma tentativa de compreender o incompreensível.


Bilhete Postal Máximo
Ao leitor é lançado um desafio: o de descortinar o lado de lá da neblina do verso. Isto é, ele terá de ser capaz de decifrar e descodificar o(s) sentido(s) do poema, para que assim aconteça a fruição do texto. Ao poeta cumpre o ofício de lapidar a palavra exacta e essencial, e nela encontrar os ritmos e as pulsações, os silêncios e as sonoridades. Sendo um (incansável) trabalhador da palavra, ele não deixará nunca de observar e dissecar a sua vida (a sua alma) – como Vernet  agarrado ao mastro do navio para estudar a tempestade…
Selo comemorativo
Florentina de há muito radicada na ilha Terceira, Lurdes Freitas é uma “andarilha” contemplativa e impressionista que, qual outro Vernet, empreende neste livro de estreia poética, De basalto e mar (2019), uma viagem interior numa espécie de inquérito ao subconsciente. E, “alma divagante”, colhendo impressões do que vê, sente e pensa, ela procura na viagem não o destino, mas a sua própria natureza. Isto é: a viagem como forma de procura e de descoberta, sendo a errância a busca do sonho e da felicidade possível.
Livro de sonhos e memórias, de olhares e impressões, de entimentos, emoções e estados de alma, estamos perante uma poética da intimidade, da expressão lírica, com versos certeiros e harmoniosos, de boa ressonância musical.



Todas as ilustrações são do artista
Helder Tavares
          De resto, a poesia tem, na sua origem, uma vocação cantante. Foi assim com os Gregos. Foi assim com a poesia trovadoresca. E, nesta matéria, carradas de razão tem Paul Eluard: “A poesia é a linguagem que canta”.

Numa escrita insulada e telúrica, De basalto e mar é atravessado por três grandes linhas de força: a ilha (enquanto terra-mater insular), a solidão e o amor.

Espaço imagético e afectivo, a ilha, geradora de mitos, mistérios e fascínios, está sempre presente nos versos desta autora, que estabelece com a ilha uma identidade, uma identificação e uma comunhão. E, através do acto de nomeação, ela dá verdade e simbolismo poético à ilha: “mar”, “maré cheia”, “vazante”, “espuma”, “basalto”, “lava”, “cais”, “praia”, “búzios”, “conchas”, “nuvens”, “gaivota”, “garajau”, “ganhoa”… Todos estes elementos não estão aqui a servir de mero décor – funcionam como uma celebração poética da vida.

Carimbo comemorativo
Para além desta captação sensorial da ilha, há também um sopro de solidão, silêncio e saudade que atravessam as páginas deste livro. À solidão está associada o amor perante o qual o eu poético é um ser solitário. Buscando o inatingível e aspirando ao impossível estado de alma, a poeta idealiza o amor como um sentimento absoluto; depara, porém, com um amor perdido, sempre interiorizado e pressentido…
“À deriva” e a contas com a usura do tempo (cf. o poema “Eternidade”), o sujeito da enunciação fala-nos de uma inquietação metafísica e existencialista, de que é exemplo o poema “Dúvida” e que assim começa: “Hoje dei por mim a pensar/ se existo, como supunha,/ se estou no fim, no início,/ ou no meio de coisa nenhuma” (pág…..). Por outro lado, estamos perante um jogo de máscaras e espelhos em que se questiona o enigma, o mistério e as contradições da existência humana. (Cf. “Circo de fogo”, excelente poema).

De basalto e mar remete-nos para a consciência do próprio acto poético (cf. o poema “Ideal”) em que “Outono” rima com “abandono”, numa poética que dialoga com outros autores (Fernando Pessoa, António Aleixo, Vitorino Nemésio) e se confronta e defronta com as quotidianas vicissitudes do mundo – renúncia às verdades ilusórias, denúncia dos males que nos rodeiam (Cf. o “Poema a uma baleia que comia plástico”).
Bilhete Postal


São versos bem carpinteirados, forjados à luz do real e da fantasia, do vivido e do sentido. Gostei incondicionalmente desta poesia despojada, espontânea e emotiva, iluminada e fascinante, de grande serenidade, sem artifícios e sem desvios, com enorme poder de irradiação e encantamento. Apreciei, como acima referi, a incidência no elemento vocal e sonoro desta linguagem poética (sobretudo a musicalidade das sílabas tónicas). Acima de tudo encontrei, neste livro, o lado silencioso de Lurdes Freitas, que escreve com os cinco sentidos e com os olhos da memória.

Temos Poeta!



Victor Rui Dores




Bilhete Postal comemorativo

Rubricado por:

Dr. Victor Rui Dores - Que prefaciou e foi o apresentador
Sr. José Gaspar de Lima - Vice-presidente da CM de Angra do Heroísmo
Sr. Alcino Meneses - Presidente da Direcção da AHBV de Angra do Heroísmo
Sra. Maria de Lurdes Freitas - autora do livro
António Armindo Couto - Presidente da Direcção do NFAH

















02-02-2020 
(Sessão de Autógrafos)























quarta-feira, 18 de março de 2026

Duque da Terceira (1792-1860)




 *** DUQUE DA TERCEIRA ***

~ António José Severim de Noronha ~

A 18 de março de 1792, nascia o 1º Duque da Terceira, símbolo da luta liberal contra o Absolutismo e comandante dos liberais. Foi o grande responsável pela preparação das tropas na Terceira e pelo desembarque no continente português. Foi nomeado Capitão-General dos Açores por carta régia em abril de 1829, por D. Maria II, ainda exilada, para defender o único baluarte liberal no país. Não sendo terceirense, acabou por abraçar o povo local, que se rendeu aos seus ideais e apoiou-o na luta pela Liberdade.
D. António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha nasceu em Lisboa e com apenas dois anos de idade perdeu o pai, sucedendo-lhe, então, como Conde de Vila Flor. A Europa absolutista caía e os ideais franceses de Liberdade, Igualdade e Fraternidade ecoavam por todo o lado. Assim, o futuro Duque da Terceira cresceu em plena difusão dos ideais liberais e participou nas Guerras napoleónicas, tendo sido agraciado pelo seu empenho e bravura.



Durante os anos seguintes, desempenhou vários cargos, sendo nomeado Par do Reino, aquando da promulgação da Carta Constitucional de 1826 e depois Governador das Armas da Província do Alentejo, tendo logo de reprimir algumas insurreições militares que se levantaram a favor do Absolutismo. Começava a sua luta pelo Liberalismo. No Alentejo, Vila Flor comandou o exército, repelindo os absolutistas em várias zonas do país. As vitórias valeram-lhe o título de Marquês de Vila Flor e a nomeação para governador das armas do Porto. Com a chegada de D. Miguel a Portugal, o Absolutismo ganhou força e Vila Flor foi demitido, saindo de Portugal. Era a época do seu exílio em Inglaterra. Portugal sucumbia ao Miguelismo.


A Ilha Terceira que se tinha tornado o último baluarte do Liberalismo, passou a atrair Vila Flor, que pretendia continuar a sua luta. O Duque de Saldanha, próximo de Vila Flor, partiu para a Ilha e este depois juntou-se a Saldanha. O Duque de Palmela, outro liberal, nomeou-o Capitão-General dos Açores. Vila Flor conseguiu escapar aos britânicos e instalar-se na Terceira. A sua primeira ação foi terminar com as discórdias e divisões locais, aproximando-os para a defesa da causa liberal. A seguir, organizou-se a resistência aos ataques de D. Miguel. Mouzinho da Silveira era nomeado secretário militar, assim como o barão de Monte Pedral, chefe do estado-maior. Eram homens capazes.


Na atual Rua Direita, junto à Praça Velha, foi fixada a residência de Vila Flor. Este começou a reorganizar as tropas.



A 11 de agosto de 1829, na famosa Batalha da Praia, os Miguelistas tentaram invadir a Ilha, Vila Flor conseguiu organizar uma boa defesa, restaurando a linha de fortes da Terceira. Começava um novo ciclo de vitórias, que fariam de Vila Flor um comandante de prestígio. Os meses seguintes foram de criação constitucional, tentando definir-se a política para o futuro.



Foi criada a Regência de Angra, que orientou os destinos dos liberais até à chegada de D. Pedro à Terceira. Angra era a capital da Monarquia Constitucional.




A Regência emitiu várias proclamações e 65 decretos, sobretudo pelas mãos de Mouzinho da Silveira, que depois de 1834, tornar-se-iam nacionais.


Em abril de 1831, a Regência avançou para as restantes ilhas. Era preciso difundir o Liberalismo e trazer o restante arquipélago para a causa liberal, antes de se passar para o continente. Vila Flor esteve ao comando das conquistas, pondo fim às resistências. Com o apoio de D. Pedro IV, que depois de abdicar do trono português e posteriormente do brasileiro, tornou-se Duque de Bragança, chegando à Terceira a 3 de março de 1832. Vila Flor ultimou o desembarque no continente, tendo comandado os “Bravos do Mindelo”. O Liberalismo começava a afirmar-se.



Em nome de todo o seu empenho para a causa liberal, Vila Flor foi elevado, a 8 de novembro de 1832, a Duque da Terceira, ligando-se o seu futuro ao da Ilha que bem o acolhera e que tivera ao seu lado. O 1º Duque da Terceira participou nos principais momentos da Guerra Civil, liderando as tropas que libertaram Lisboa em 24 de julho de 1833, estando também ao lado de D. Pedro aquando da abdicação do trono por D. Miguel. D. Maria II era novamente rainha e o Liberalismo triunfara.



O papel de Vila Flor, depois de 1834, passou pela política, liderando vários governos, além de ter sido agraciado com inúmeras distinções honoríficas e condecorações. Morreu em 1860, sem descendência, mas com uma vida recheada de feitos. E, em nome de todo o seu empenho, foi inaugurada uma estátua em sua homenagem, junto a uma praça que recebeu seu nome, a 24 de julho de 1877, exatos 44 anos depois da libertação de Lisboa do jugo absolutista.



O Duque da Terceira foi um importante comandante e homem do Liberalismo, sendo uma das mais importantes figuras daquele tempo. É um dos heróis das Lutas Liberais e manteve sempre uma forte ligação com a Terceira, onde desenvolveu boas relações e soube manter o apoio em torno da sua figura.


O Duque da Terceira foi um importante comandante e homem do Liberalismo, sendo uma das mais importantes figuras daquele tempo. É um dos heróis das Lutas Liberais e manteve sempre uma forte ligação com a Terceira, onde desenvolveu boas relações e soube manter o apoio em torno da sua figura.



A imagem do Duque da Terceira perdeu-se. Poucos são os terceirenses que conhecem as façanhas deste grande português, que desempenhou um papel relevante na Ilha e na manutenção e difusão dos ideais liberais. Devia haver uma maior homenagem ao 1º Duque da Terceira.

Devemos incentivar a imagem de homens que lutaram pelos seus ideais e que, mesmo em momentos de crise, não se deixaram abater e que fizeram muito pela história da Terceira e de Portugal.

Fonte: Francisco Miguel Nogueira



*** MEMÓRIA INCENTIVA ***

Comandante das tropas de Lisboa em 1827.

Apoia a revolta contra D. Miguel e participa na belfastada em 1828.

Parte do Havre em 5 de Junho de 1829 e chega à ilha da Terceira no dia 22 de Junho.

Faz parte da regência coletiva estabelecida em Angra por D. Pedro em 15 de Junho de 1829.

A 11 de Agosto de 1829 lidera a Batalha da Praia na ilha Terceira.

A partir de 1832, agraciado com o título de duque da Terceira.

Comanda as tropas pedristas que ocupam Lisboa em 24 de Julho de 1833.

Ministro da guerra no governo de Palmela entre 24 de Setembro de 1834 e 20 de Março de 1835, onde é substituído pelo conde de Vila Real.

Presidente do governo e ministro da guerra de 19 de Abril a 10 de Setembro de 1836.

Membro da Associação Eleitoral do Centro que concorreu às eleições de 1838.

Presidente do conselho de 9 de Fevereiro de 1842 a 20 de Maio de 1846, acumulando sempre a pasta da guerra.

Ministro da guerra e da marinha no governo de Palmela, entre 20 e 26 de Maio de 1846.

Presidente do conselho de 26 de Abril a 1 de Maio de 1851.

Presidente do conselho de 16 de Março de 1859 a 26 de Abril de 1860.

Faleceu em 26 de Abril de 1860.


A 8 de abril de 1864 era lançada à água a corveta mista "Duque de Terceira".

A SUA CONSTRUÇÃO FOI ORDENADA, EM PRINCÍPIOS DE 1863, PELO MINISTRO DA MARINHA, JOSÉ DA SILVA MENDES LEAL, JUNTAMENTE COM A DA CORVETA DUQUE DE PALMELA (1864-1913). CONSTRUÍDA EM MADEIRA, TECA E CARVALHO COM FORRO DE COBRE, NO ARSENAL DA MARINHA, EM LISBOA, FOI LANÇADA À ÁGUA EM 8 DE ABRIL DE 1864. ERA SEMELHANTE ÀS CORVETAS SÁ DA BANDEIRA (1862-1884) E INFANTE D. JOÃO (1863-1878), QUE TINHAM SIDO ANTERIORMENTE LANÇADAS À ÁGUA E TAMBÉM CONSTRUÍDAS NO ARSENAL DO ALFEITE.

Entre 1866 e 1867 partiu para Inglaterra a fim de receber algumas alterações. Em 1872 largou para a Estação Naval de Angola, e em 1879 seguiu em socorro da Guiné. Visitou a América do Sul e tomou parte na campanha dos namarrais em 1897 e na Gaza, em Moçambique. Regressou a Lisboa no ano seguinte, e a partir daí apenas efetuou viagens de instrução.

Em 29 de Março de 1906 passou ao estado de desarmamento e em maio ainda foi mandada servir de depósito de praças do Corpo de Marinheiros. Foi vendida em 16 de maio de 1911, em Lisboa, por ser considerada inútil. 


Fonte: CCM - Comissão Cultural da Marinha