quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Maria de Lurdes Freitas (Poetisa)




Eng.ª Fátima Amorim, Presidente da CMAH
A poetisa Maria de Lurdes Freitas

Dr. Vítor Rui Dores, Autor do Prefácio e apresentador do livro
Eng.ª Fátima Amorim, Presidente da CMAH
Maria de Lurdes Freitas, a autora


Dr. Vítor Rui Dores
Apresentador do livro e autor do prefácio.





David Freitas
Lendo o poema "Princesa do Mar"


José Duarte Soares
Lendo o poema "Danças da Vida"




António Armindo Couto
Lendo o poema " Angra, Cidade Antiga"

Ana Ormonde
Lendo o poema "Confidências"

Ana Maria Oliveira
Lendo o poema "Saudade"

Carla Félix
Lendo o poema "Apelo"


Atuação de Joel Moura

 O Vídeo => A Alma dos Poetas




Atuação de Evandro Menezes








Oferta da partitura da música para o poema

 "Cravos de Abril (50 anos)"

Música: Evandro Meneses
Intérprete: Sónia Pereira




Clicar no vídeo e ligar o som.











Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo







A autora 
Agradecimento


Ontem (26-11-2025) foi o dia em que o meu novo livro - Outro Canto - viu a luz do dia. Partiu e deixou de ser meu, agora é de quem o quiser ler.

O lançamento aconteceu no salão nobre dos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo e foi presidido pela ilustre presidente da edilidade Engª Fátima Amorim. A apresentação, a todos os títulos brilhante, esteve a cargo do Dr Victor Rui Dores. Leu-se poesia e dois emocionantes momentos musicais embelezaram o acontecimento.

A todos os que me deram a honra de partilhar comigo estes momentos, a minha gratidão


A poetisa recebe das mãos do filho Arnaldo e da nora Sónia
este lindo livro recheado de flores.
















Maria de Lurdes de Mendonça Ramos de Freitas

nasceu em Fevereiro de 1950, na localidade da Fazenda, concelho de Santa Cruz das Flores. Reside na ilha Terceira desde 1983.

Iniciou a sua vida profissional aos 19 anos e desempenhou diversos cargos de chefia administrativos na administração pública. Aposentada desde 2005, passou a dedicar-se ao coleccionismo e à escrita. Autora de imensos poemas, escritos ao longo da vida.



PREFÁCIO



Os poetas têm razões que a razão desconhece.
Profanadores de todos os saberes, eles sabem que as palavras se corrompem no comércio quotidiano das gentes. Por isso recuperam, transfiguram e subvertem essas palavras. Porque sabem que a poesia não explica, implica; o poema não afirma, sugere. O significado da imagem poética remete-nos sempre para um esfíngico segredo e para uma forte ambiguidade. Nesta perspectiva, a poesia será sempre uma tentativa de compreender o incompreensível.


Bilhete Postal Máximo
Ao leitor é lançado um desafio: o de descortinar o lado de lá da neblina do verso. Isto é, ele terá de ser capaz de decifrar e descodificar o(s) sentido(s) do poema, para que assim aconteça a fruição do texto. Ao poeta cumpre o ofício de lapidar a palavra exacta e essencial, e nela encontrar os ritmos e as pulsações, os silêncios e as sonoridades. Sendo um (incansável) trabalhador da palavra, ele não deixará nunca de observar e dissecar a sua vida (a sua alma) – como Vernet  agarrado ao mastro do navio para estudar a tempestade…
Selo comemorativo
Florentina de há muito radicada na ilha Terceira, Lurdes Freitas é uma “andarilha” contemplativa e impressionista que, qual outro Vernet, empreende neste livro de estreia poética, De basalto e mar (2019), uma viagem interior numa espécie de inquérito ao subconsciente. E, “alma divagante”, colhendo impressões do que vê, sente e pensa, ela procura na viagem não o destino, mas a sua própria natureza. Isto é: a viagem como forma de procura e de descoberta, sendo a errância a busca do sonho e da felicidade possível.
Livro de sonhos e memórias, de olhares e impressões, de entimentos, emoções e estados de alma, estamos perante uma poética da intimidade, da expressão lírica, com versos certeiros e harmoniosos, de boa ressonância musical.



Todas as ilustrações são do artista
Helder Tavares
          De resto, a poesia tem, na sua origem, uma vocação cantante. Foi assim com os Gregos. Foi assim com a poesia trovadoresca. E, nesta matéria, carradas de razão tem Paul Eluard: “A poesia é a linguagem que canta”.

Numa escrita insulada e telúrica, De basalto e mar é atravessado por três grandes linhas de força: a ilha (enquanto terra-mater insular), a solidão e o amor.

Espaço imagético e afectivo, a ilha, geradora de mitos, mistérios e fascínios, está sempre presente nos versos desta autora, que estabelece com a ilha uma identidade, uma identificação e uma comunhão. E, através do acto de nomeação, ela dá verdade e simbolismo poético à ilha: “mar”, “maré cheia”, “vazante”, “espuma”, “basalto”, “lava”, “cais”, “praia”, “búzios”, “conchas”, “nuvens”, “gaivota”, “garajau”, “ganhoa”… Todos estes elementos não estão aqui a servir de mero décor – funcionam como uma celebração poética da vida.

Carimbo comemorativo
Para além desta captação sensorial da ilha, há também um sopro de solidão, silêncio e saudade que atravessam as páginas deste livro. À solidão está associada o amor perante o qual o eu poético é um ser solitário. Buscando o inatingível e aspirando ao impossível estado de alma, a poeta idealiza o amor como um sentimento absoluto; depara, porém, com um amor perdido, sempre interiorizado e pressentido…
“À deriva” e a contas com a usura do tempo (cf. o poema “Eternidade”), o sujeito da enunciação fala-nos de uma inquietação metafísica e existencialista, de que é exemplo o poema “Dúvida” e que assim começa: “Hoje dei por mim a pensar/ se existo, como supunha,/ se estou no fim, no início,/ ou no meio de coisa nenhuma” (pág…..). Por outro lado, estamos perante um jogo de máscaras e espelhos em que se questiona o enigma, o mistério e as contradições da existência humana. (Cf. “Circo de fogo”, excelente poema).

De basalto e mar remete-nos para a consciência do próprio acto poético (cf. o poema “Ideal”) em que “Outono” rima com “abandono”, numa poética que dialoga com outros autores (Fernando Pessoa, António Aleixo, Vitorino Nemésio) e se confronta e defronta com as quotidianas vicissitudes do mundo – renúncia às verdades ilusórias, denúncia dos males que nos rodeiam (Cf. o “Poema a uma baleia que comia plástico”).
Bilhete Postal


São versos bem carpinteirados, forjados à luz do real e da fantasia, do vivido e do sentido. Gostei incondicionalmente desta poesia despojada, espontânea e emotiva, iluminada e fascinante, de grande serenidade, sem artifícios e sem desvios, com enorme poder de irradiação e encantamento. Apreciei, como acima referi, a incidência no elemento vocal e sonoro desta linguagem poética (sobretudo a musicalidade das sílabas tónicas). Acima de tudo encontrei, neste livro, o lado silencioso de Lurdes Freitas, que escreve com os cinco sentidos e com os olhos da memória.

Temos Poeta!



Victor Rui Dores




Bilhete Postal comemorativo

Rubricado por:

Dr. Victor Rui Dores - Que prefaciou e foi o apresentador
Sr. José Gaspar de Lima - Vice-presidente da CM de Angra do Heroísmo
Sr. Alcino Meneses - Presidente da Direcção da AHBV de Angra do Heroísmo
Sra. Maria de Lurdes Freitas - autora do livro
António Armindo Couto - Presidente da Direcção do NFAH

















02-02-2020 
(Sessão de Autógrafos)























terça-feira, 18 de novembro de 2025

Igreja de São Salvador (Sé de Angra)

 
 
 
A Sé de Angra
 
Diocese de Angra, uma diocese atlântica

A Diocese de Angra, que abrange uma superfície total de 2243km2, dispersa por nove ilhas, foi criada pelo papa Paulo III através da bula Aequum reputamus, de 5 de Novembro de 1534. A diocese abrange todo o arquipélago dos Açores e tem a sua sede na cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

A 10 de Janeiro de 1568, já no reinado do Cardeal D. Henrique, é que a Coroa tomou a decisão de mandar construir a nova Sé às suas expensas. A opção foi no sentido de se construir um novo templo no mesmo sítio do já existente, mas alargando muitíssimo o espaço, que acabou por ocupar todo um quarteirão no centro da cidade, delimitado pelas rua da Sé, Carreira dos Cavalos, da Rosa e do Salinas.

As paróquias dos Açores, como de todas as ilhas e terras de Além-mar, começaram por estar sujeitas à jurisdição da Ordem de Cristo, exercida pelo Vigário nullius de Tomar.


Os primeiros povoadores católicos foram instruídos pelos franciscanos que chegaram em 1456 à ilha Terceira, onde construíram uma ermida e em 1470 erguem o Convento de São Francisco de Angra.



Sé Catedral de Angra do Heroísmo




Álvaro Martins Homem
Em 1461 dá-se a fundação da Ermida de São Salvador a mando de Álvaro Martins Homem, fundador da vila da Angra. Essa ermida esteve na origem da Sé Catedral de Angra do Heroísmo.

D. João III
Após a descoberta das ilhas dos Açores e do seu subsequente povoamento, o governo eclesiástico do arquipélago passou por três fases distintas.
A primeira fase vai desde o descobrimento-povoamento até à criação da diocese do Funchal.


Os Açores, como se sabe, foram doados pelo Rei português ao Infante Dom Henrique, na qualidade de Mestre ou Governador da Ordem de Cristo, concentrando nas mãos do Donatário o poder temporal e o espiritual.

O poder temporal era exercido, primordialmente, pelos Capitães do Donatário, os quais foram colocados à frente das diversas Capitanias em que foram divididas as Ilhas. E o espiritual, embora revestindo a forma de poder delegado, era exercido pelo Dom Prior de Tomar, que era Freire da dita Ordem de Cristo.

Entretanto, como as descobertas portuguesas tinham atingido grandes áreas geográficas era necessário a criação de novas Dioceses ultramarinas dado que se tornava impraticável que a jurisdição canónica permanecesse exclusivamente nas mãos da Ordem de Cristo. Neste sentido, o rei de Portugal D. João III (1521-1557) enviou o seu sobrinho Dom Martinho de Portugal como embaixador junto da Santa Sé e com a finalidade de obter a criação de diversos bispados ou dioceses nas terras descobertas.

Uma das primeiras dioceses a serem erectas foi a do Funchal, na ilha da Madeira, por Bula do Papa Leão X (1513-1521) datada de 12 de Junho de 1514, ficando sob a jurisdição da nova diocese todas as Ilhas atlânticas, a costa de África, a Índia, bem como todas as descobertas portuguesas, tornando-a a maior de todas as Dioceses que alguma vez existiram no mundo.



Desta forma entramos na segunda fase da jurisdição canónica dos Açores, dado que esta passa para a alçada da nova Diocese do Funchal. São conhecidos diversos documentos que atestam o exercício desta jurisdição, como seja o facto de o primeiro Bispo do Funchal ter mandado, no ano de 1517, como Visitador aos Açores o Bispo Duniense Dom Duarte, o qual procedeu á sagração de duas Igrejas Matrizes.

Em 1523, o mesmo Bispo nomeia como novo Visitador para os Açores o Padre João Pacheco, e em 1525 o Cabido da Sé do Funchal, então Sede Vacante, nomeia um Ouvidor do eclesiástico para a ilha de São Miguel.

Finalmente, a terceira fase da jurisdição canónica dos Açores e que perdura até ao presente, começa com a fundação da Diocese de Angra.






Medalha comemorativa dos 450 anos da criação da Diocese de Angra
1534 - 3 de Novembro - 1984
 
Depois de algumas confusões geográficas sobre a cidade, ilha e igreja onde devia ficar erecta a Sé da nova Diocese, por Bula do Papa Paulo III (1534-1549), intitulada Aequum Reputamus, e dada em Roma a 3 de Novembro de 1534, foi finalmente criada a Diocese de Angra, desmembrada da já então Arquidiocese do Funchal e passando a sua sufragânea, até 1550, com sede na Igreja do Santíssimo Salvador da cidade de Angra, na ilha Terceira. A sua jurisdição estendia-se às nove ilhas do arquipélago. A partir dessa data ficou sob a jurisdição da arquidiocese de Lisboa (desde 1716 designada por Patriarcado Metropolitano de Lisboa), até hoje.




O Papa Paulo III, pela Bula Gratiae divinae proemium, datada do mesmo dia da criação da Diocese, confirma a nomeação do primeiro Bispo de Angra na pessoa de Dom Agostinho Ribeiro (1534-1540).

Em 1862, isto é, 328 anos após a fundação da Diocese, foi fundado o Seminário Episcopal de Angra.

A inauguração solene realizou-se a 9 de novembro, no antigo Convento de São Francisco. Foi somente em 1864 que o seminário recebeu alunos internos. Até então os clérigos açorianos recebiam formação em seminários, em Portugal continental, universidades nacionais e estrangeiras, e ainda nos conventos existentes nos Açores, e mais tarde, nos colégios que os Jesuítas fundaram em Angra, Ponta Delgada e Horta. Em Ponta Delgada, foi inaugurado o Seminário Menor do Santo Cristo em 12 de outubro de 1966.








A 11 de maio de 1991, o Papa João Paulo II visitou os Açores. Foram feitas celebrações religiosas nas cidades de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo.

Desde a sua fundação, a Diocese de Angra já teve 38 bispos, sendo apenas dois naturais dos Açores.

Por ordem cronológica fica o nome dos prelados e o tempo de duração dos seus episcopados:

1.D. Agostinho Ribeiro (1534-1540)
2.D. Rodrigo Pinheiro (1540-1552)
3.D. Frei Jorge de Santiago, O.P. (1552-1561)
4.D. Manuel de Almada (1564-1567)
5.D. Nuno Álvares Pereira (1568-1570)
6.D. Gaspar de Faria (1571-1576)
7.D. Pedro de Castilho (1578-1583)
8.D. Manuel de Gouveia (1584-1596)
9.D. Jerónimo Teixeira Cabral (1600-1612)
10.D. Agostinho Ribeiro (1614-1621)
11.D. Pedro da Costa (1623-1625)
12.D. João Pimenta de Abreu (1626-1632)
13.D. Frei António da Ressurreição, O.P. (1635-1637)
14.D. Frei Lourenço de Castro, O.P. (1671-1678)
15.D. Frei João dos Prazeres, O.F.M. (1683-1685)
16.D. Frei Clemente Vieira, O.A.D. (1688-1692)
17.D. António Vieira Leitão (1694-1714)
18.D. João de Brito e Vasconcelos (1718)
19.D. Manuel Álvares da Costa (1721-1733)
20.D. Frei Valério do Sacramento, O.F.M. Cap. (1738-1757)
21.D. António Caetano da Rocha (1758-1772)
22.D. Frei João Marcelino dos Santos Homem Aparício (1774-1782)
23.D. Frei José da Avé-Maria Leite da Costa e Silva (1783-1799)
24.D. José Pegado de Azevedo (1802-1812)
25.D. Frei Alexandre da Sagrada Família, O.F.M. (1816-1818)
26.D. Frei Manuel Nicolau de Almeida, O.C.D. (1820-1825)
27.D. Frei Estêvão de Jesus Maria, O.F.M. (1827-1870)
28.D. João Maria Pereira de Amaral e Pimentel (1872-1889)
29.D. Francisco Maria do Prado Lacerda (1889-1891)
30.D. Francisco José Ribeiro de Vieira e Brito (1892-1902)
31.D. José Manuel de Carvalho (1902-1904)
32.D. José Correia Cardoso Monteiro (1905-1910)
33.D. Manuel Damasceno da Costa (1915-1922)
34.D. António Augusto de Castro Meireles (1924-1928)
35.D. Guilherme Augusto Inácio de Cunha Guimarães (1928-1957)
36.D. Manuel Afonso de Carvalho (1957-1978)
37.D. Aurélio Granada Escudeiro (1979-1996)
38.D. António de Sousa Braga (1996-2016)
39.D. João Lavrador, desde 2016 (bispo Coadjutor nomeado- setembro de 2015)
40.D. Armando Esteves Domingues (nomeado pelo Papa Francisco a 4 de novembro de 2022)













A Diocese de Angra tem um conjunto de órgãos que a constituem e que presta assessoria ao prelado diocesano, estando neste momento em análise o novo estatuto da Cúria.

A Cúria Diocesana é o conjunto de organismos e pessoas que prestam ajuda ao bispo no governo da diocese, principalmente na direção e ação pastoral, na administração e no exercício do poder judicial. Fazem parte da Cúria Diocesana entre outros o Vigário-geral da Diocese, o Vigário Episcopal, o Conselho Presbiteral, Colégio dos Consultores, o Conselho Económico, o Cabido da Sé Catedral, o Conselho Pastoral, o Tribunal Eclesiástico, e ainda, o clero diocesano, os religiosos e os leigos, quer individualmente quer integrados em serviços ou grupos instituídos. Todas as pessoas que exercem funções na Cúria Diocesana, são nomeadas pelo Bispo Diocesano.


 
 

A Diocese está organizada em 16 ouvidorias, 8 delas em São Miguel. Possui, ainda, cinco Santuários Diocesanos- Senhor Santo Cristo dos Milagres (Ponta Delgada), Nossa Senhora da Conceição(Angra do Heroísmo), Senhor Santo Cristo da Caldeira (São Jorge), Senhor Bom Jesus do Pico (Pico) e Nossa Senhora dos Milagres da Serreta (Angra do Heroísmo).











Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo,
inaugurado a 9 de novembro de 1862, no velho Convento de São Francisco.



Igreja N. Sra. da Conceição em Angra do Heroísmo,
 foi elevada a Santuário Mariano em 1987, pelo Bispo D. Aurélio Granada Escudeiro.


Igreja de N. Sra. dos Milagres da Serreta foi elevada a Santuário Diocesano a 7 de maio de 2006,
 pelo Bispo D. António Sousa Braga.




Texto (parcial) de: Carmo Rodeia

(Fontes: Instituto Histórico da Ilha Terceira, Enciclopédia Açoriana)