quinta-feira, 11 de maio de 2017

Manuel Maldonado (1644-1711)


MANUEL LUÍS MALDONADO




Portão de Armas

Foi condestável, capelão e encarregado do hospital militar da Fortaleza de São João Baptista da Ilha Terceira, nos Açores. É autor da obra "Fenix Angrence", uma das obras de referência da historiografia em História dos Açores.

Forte de São João Batista em 1595



Nasceu um ano após a rendição da guarnição Espanhola na chamada Guerra do Castelo (27 de Março de 1641 - 4 de Março de 1642), na freguesia da , filho de Amaro Luís, condestável da Fortaleza de São João Baptista, e de sua esposa, Isabel Gonçalves.











D. Afonso VI


Desde jovem se interessou por temas de história, já que ele próprio afirma que, em 1669, com apenas 24 anos de idade, quando da chegada à Terceira de Afonso VI de Portugal, desterrado para a Fortaleza do Monte Brasil, estava "(…) apto com todas as diligências necessárias para o sacerdócio, e já no entretenimento das averiguações antigas a título de curioso, sem que nestas totalmente me fossem de impedimento as ciências, ou estudos, de Moral e Especulativo em que lidava com pouco fruto." (Fenix Angrence)

O seu pai faleceu a 27 de Fevereiro de 1670, sendo Manuel Luís Maldonado nomeado para o cargo de Condestável da Artilharia da Fortaleza de São João Baptista, que o pai ocupava, na data de 1 de Março de 1670.


Igreja São João Batista
A 2 de Setembro de 1674 tomou ordens de Epístola, a 8 do mesmo mês de Evangelho, e a 9 de Missa, sendo nomeado, a 23 de Novembro desse ano, capelão-menor da Fortaleza de São João Baptista, altura em que frequentava o nono ano das Escolas Gerais do Colégio da Companhia de Jesus em Angra. Pregou o seu primeiro sermão a 15 de Setembro de 1680.







Hospital Militar da Boa Nova

Por patente de 25 de Julho de 1689, foi nomeado capelão-mor da Fortaleza e administrador do Hospital Militar da Boa Nova, que lhe ficava anexo.






Ao falecer, Manuel Luís Maldonado deixou como legado a um sobrinho o manuscrito da "Fenix Angrence", fruto da sua vida de investigação histórica e uma das fontes essenciais para o estudo da história açoriana.


Ermida da Boa Nova



 Encontra-se sepultado na Ermida da Boa Nova em Angra do Heroísmo.






Fenix Angrence 

é uma obra do padre Manuel Luís Maldonado, que embora verse sobre a genealogia e a história dos Açores em linhas gerais, dedica grande parte da sua atenção à ilha Terceira.

A obra foi escrita entre 1683 e 1711, uma vez que os últimos capítulo encontram-se incompletos, presumivelmente pela morte do autor.
  • Livro Primeiro - Do Século de Quatrocentos, subdividido em alentos, cada um correspondendo a uma década, iniciando-se em 1450;
  • Livro Segundo - Do Século de Mil e Quinhentos, subdividido em alentos, cada um correspondendo a uma ou mais décadas;
  • Livro Terceiro - Do Século de Seiscentos, subdividido em alentos, cada um correspondendo a uma década, terminando na Dezena de 1690.
Além de uma extensa descrição genealógica, que relaciona as principais famílias das ilhas, a obra, na sua parte histórica divide-se em três partes:

A obra termina por um Epítome das Ilhas dos Açores, incompleto. Acompanha a narrativa um largo acervo de transcrições de documentos, muitos hoje perdidos, que vão consubstanciando e integrando o texto do autor.

Após a morte do autor, o manuscrito, apenas assinado com um anagrama, foi legado a um sobrinho, tendo permanecido esquecido durante muito tempo, não havendo notícia segura da sua trajetória.

As primeiras referências impressas a ele surgem ao final do século XVIII, sendo o nome "Maldonado" confundido com "Machado", referido apenas como um genealogista, como em António Caetano de Sousa ("Aparato Genealógico da Casa Real Portuguesa") e Diogo Barbosa Machado ("Biblioteca Lusitana Histórica, Crítica e Cronológica").

É a Francisco Ferreira Drummond ("Anais da Ilha Terceira") que se deve a primeira referência mais aprofundada ao texto da Fenix Angrence, o que contribuiu em muito para o posterior interesse pela obra.

O manuscrito permaneceu inédito até 1989, quando Helder Fernando Parreira de Sousa Lima o transcreveu e o anotou, sendo depois publicado em três volumes, pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira, com o apoio do Governo dos Açores.