quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Biodiversidade Açoriana





BIODIVERSIDADE NOS AÇORES


O conceito de Biodiversidade inclui a variabilidade entre os organismos vivos, incluindo os ecossistemas, e ainda a diversidade dentro de cada espécie, bem como a diversidade genética e alélica. Em julho de 2008, estavam classificados nos Açores 23 SIC (sítios de importância comunitária) e 15 ZPE (zonas de proteção especial). A Crista Média-Atlântica (CMA) atravessa o arquipélago entre as ilhas do Grupo Central e do Grupo Ocidental. As ilhas Graciosa, das Flores e do Corvo foram classificadas pela UNESCO como Reserva da Biosfera.



Biodiversidade terrestre

No arquipélago ocorrem cerca de 227 espécies de aves, 33 das quais nidificam anualmente nas ilhas, sendo um terço aves endémicas. Das espécies de avifauna mais importantes se destaca o priolo (Pyrrhula murina), uma ave terrestre rara, endémica dos Açores em perigo de extinção, cujo habitat se confina à Floresta Laurissilva existente no nordeste da Ilha de São Miguel. Esta espécie foi muito abundante no século XX, chegando a ser uma praga para a fruticultura.


O painho-das-tempestades-de-monteiro (Oceanodroma monteiroi) é uma ave marinha endémica presente no Ilhéu da Praia e no Ilhéu de Baixo, na Ilha Graciosa. Assume particular importância o cagarro (Calonectris diomedea borealis), em que 65% da população mundial se reproduz nos Açores e o garajau-rosado (Sterna Dougallii), em que cerca de 59% da população europeia escolhe as ilhas para nidificar.

A águia-de-asa-redonda (Buteo buteo ssp. rothschildi) é única ave rapina presente em todo o arquipélago, com excepção das ilhas do Grupo Ocidental. É vulgarmente chamada de milhafre dos Açores. Em rigor, não é um milhafre (Milvus migrans) ou um açor (Accipiter gentilis). Na Ilha Terceira, é chamada de "Queimado".

O morcego-dos-açores (Nyctalus azoreum) é o único mamífero terrestre endémico dos Açores.


Espéceis infestantes

As espécies invasoras provocam grandes danos nos ecossistemas e meios urbanos e são já a segunda maior causa de extinção de espécies a nível mundial a seguir à perda de habitat.

Estão presentes três espécies de roedores - vulgarmente designados de ratos: ratazana preta ou rato de quinta (Rattus rattus), ratazana castanha ou rato de esgoto (Rattus norvegicus) e murganho ou rato doméstico (Mus musculus). A sua presença causa importantes prejuizos na produtividade agricola e pecuária e são uma ameçaça à avifauna. Estima-se que mas de 50% dos ratos das ilhas de São Miguel e Terceira são portadores da batéria Leptospirose. Esta infeção, por vezes fatal, afeta os profissionais do setor agro-pecuário.

O escaravelho japonês (Popillia japonica Newman) é um inseto introduzido acidentalmente na Ilha Terceira a partir dos EUA, muito provavelmente através da Base das Lajes. Foi identificado pela primeira vez em 1970. O inseto foi detetado na Ilha de Faial em 1996, na altura confinado apenas ao Monte da Guia, mas rapidamente se alastrou na ilha. Foi detetado nas ilhas de São Miguel (numa área restrita) em 2003, do Pico em 2006 e das Flores (no cais das Lajes das Flores) de 2007.


Atualmente, são conhecidas três espécies de térmitas nos Açores: a térmita de madeira húmida (Kalotermes flavicollis), a térmita de madeira seca (Cryptotermes brevis) e a térmita subterrânea (Reticulitermes grassei). A térmita de madeira seca constitui atualmente a praga urbana mais preocupante nos Açores, com impatos económicos e patrimoniais. Na cidade da Horta, poderá encontrar térmitas subterrâneas. As térmitas devoram todos os tipos de madeira, mas as menos afetadas são as madeiras mais duras. Têm suscitado uma preocupação considerável junto dos cidadãos e da comunidade científica. A sua deteção oficial só se deu em 2002, quando a praga já ocupava extensas áreas das cidades de Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Horta. Prevê-se que nas próximas décadas, elas possam invadir outras ilhas do arquipélago. Foi encontrado um percevejo californiano (Belonochilus numenius Say) na zona do Monte Brasil, na Ilha Terceira. Em alguns casos reportados, se pode transformar numa praga. Aconselham uma elevada atenção à existência desta espécie em árvores ornamentais usadas em parques e em zonas urbanas das cidades.


A proliferação de espécies vegetais invasoras, mais do que a utilização dos solos, é a maior ameaça atual à biodiversidade nos Açores. No que respeita à flora exótica, é de salientar que a hortênsia (Hydrangea macrophylla) assume na Ilha das Flores um papel de invasora de relevo, ao contrário das restantes ilhas onde a dispersão desta espécie se encontra mais ou menos controlada, sendo a conteira ou roca-da-velha (Hedychium gardnerarum Sheppard) e o incenso (Pittosporum umdulatum) que assume o papel de invasoras mais importantes, ocupando já grandes áreas nas ilhas mais populosas do arquipélago, com especial destaque para Ilha de São Miguel. Nos últimos anos, há uma preocupação crescente com uma nova invasora evadida dos quintais e jardins, o gigante (Gunnera tinctoria) originária do Brasil. Esta está a expandir rapidamente na Ilha de São Miguel.

Estas espécies causam grandes dificuldades às plantas endémicas, devido ao seu grande desenvolvimento e competitividade. A perda de floresta endémica compromete também as espécies animais que dela dependem.

Em 2002, no porto da Horta, Ilha do Faial, foi descoberta a alga infestante caulerpa webbiana.

No litoral, a floresta laurissilva é composta principalmente por espécies como o Pau-branco (Picconia azorica) e a Faia-da-terra (Myrica faya). Após a faixa litoral, encontramos uma laurissilva termófila cujos representantes, para além do Pau-branco e Faia-da-terra, são ainda o Louro-das-ilhas (Laurus azorica), a Ginja-do-mato (Prunus azorica), o Folhado (Viburnum tinus ssp. subcordatum) e o Sanguinho (Frangula azorica). Por último, encontramos uma laurissilva de altitude a qual, para além do Louro-das-ilhas, é caraterizada pela presença do Azevinho (Ilex perado ssp. azorica). As espécies endémicas são aquelas que ocorrem apenas no arquipélago devido a processos de especiação - Neo-endemismos - ou extinção de populações noutros locais onde também ocorriam - Paleo-endemismos.

O primeiro caracol endémico foi encontrado nos Açores em 1845. Lagartixa (Lacerta dugesii)

Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica)

São fauna cinegética açoriana: coelho (Oryctolagus cunniculus), codorniz (Coturnix coturnix conturbans Hartert), galinhola (Scolopax rusticola), narceja (Gallinago gallinago), perdiz-vermelha (Alectoris rufa), patos, Pombo-das-rochas (Columba livia atlantis).

Biodiversidade marinha



Além das reservas da biosfera, o arquipélago dos Açores possui áreas classificadas e reconhecidas internacionalmente por razões ambientais e cientificas com o estatuto de Rede Natura 2000, Património Natural da Humanidade, Áreas RAMSAR e Áreas Marinhas Protegidas ao abrigo da Convenção OSPAR, e outras de âmbito nacional e internacional.

Grande variedade de espécies, quer de algas, corais de profundidade, invertebrados e peixes.
peixes pelágicos e/ou demersais


O mar dos Açores apresentam uma grande diversidade de espécies de cetáceos (ao todo 23 espécies), cuja frequência varia sazonalmente. Devido à ausência de plataforma continental é possível ver espécies pelágicas (), que em outras regiões não se aproximam tanto da costa. Durante os meses de Verão, as ilhas são uma região privilegiada para a sua observação e investigação cientifica.

O Espaço Talassa comprovou a existência de 4 espécies de cetáceos nos Açores, que não estavam incluídas na lista de espécies oficiais. São a Baleia de Bryde (Balaenoptera edeni), a Baleia piloto de barbatanas compridas (Globicephala melaena), a Baleia de bico de Blainville (Mesoplodon densirostris) e o Golfinho de Fraser (Lagenodelphis hosei). No dia 5 de janeiro de 2009, é observada uma Baleia-franca boreal (Eubalaena glacialis). Este é o primeiro registo confirmado nos Açores desde 1888, ano em que o último exemplar desta espécie foi capturado. Durante 121 anos decorridos entre estas duas ocorrências, existem apenas três observações não confirmadas da espécie, todas elas na primeira metade do século XX.

Estão registadas 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. O tubarão-baleia (Rhincodon typus) foi avistado ao largo da Ilha de Santa Maria. Vive habitualmente em oceanos quentes e de clima tropical, é a maior das espécies de tubarão e o maior peixe conhecido. Nos Açores, é também conhecido como Pintado, em virtude do seu dorso estar repleto de pequenas manchas esbranquiçadas.


De entre as espéceis marinhas costeiras consideradas perigosas, temos a caravela-portuguesa (Physalia physalis) e peixe-aranha (Echiichthys vipera).

Investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores (UAç) identificaram e capturaram três exemplares do abadejo-cometa (Benthocometes robustus) que, até agora, não estava referenciada no arquipélago. A sua presença nunca tinha sido confirmada nos mares dos Açores, embora alguns estudos efetuados em 1993 e 1997 tivessem assinalado como duvidosa a sua presença.

Registaram-se 34 espécies de tubarões confirmadas nos mares dos Açores. A diversidade entre estas espécies é extrema, variando desde o pequeno Tubarão-anão até ao Tubarão-baleia. De um modo geral, podemos dividir os tubarões dos Açores em dois grandes grupos: espécies pelágicas e de profundidade.


Grande-tubarão-branco (Carcharodon carcharias) Tubarão-mako ou Rinquim (Isurus oxyrhinchus) Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvieri) Tubarão-touro (Carcharhinus leucas) Tubarão-de-pontas-brancas-oceânico (Carcharhinus longimanus) Tubarão-azul ou Tintureira (Prionace glauca)


Outras espécies das ilhas que mesmo não sendo endémicas estão presentes de forma constante: águia de asa-redonda (Buteo buteo rothschildi), garajau-comum (Sterna hirundo), tentilhão (Fringilla coelebs moreletti).

Ao nível das espécies foi realçada a ocorrência da toninha-brava (Tursiops truncatus) e da tartaruga-careta (Caretta caretta).

Floresta Laurissilva


Desde o ínicio do povoamento das ilhas, os Açores sofreram uma grande desforestação. A presença da Floresta Laurissilva é atualmente residual, se encontrando em manchas isoladas em todas as ilhas, sendo as maiores e mais significativas na Ilha do Pico (no Planalto Central e reserva florestal do Caveiro), na Ilha Terceira (na Serra de Santa Bárbara) e no nordeste da Ilha de São Miguel.

O ecossistema florestal com árvores de grande porte maioritariamente lauráceas - loureiro das ilhas (Laurus azorica), o vinhático e o barbusano - um autêntica relíquia viva com origem na Era Terciária.

É enorme importância nos ecossistemas oceânicos os montes submarinos (64 de grandes dimensões e 398 de menores dimensões) e as fontes hidrotermais de grande profundidade - atualmente cinco.

Os Açores têm apenas 31,8% do seu território florestado, isto é, 74,7 mil hectares. De acordo com os últimos dados das Estatísticas Agrícolas 2010, do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é um valor que está abaixo da média nacional (que é de 38,7%) e da Madeira (que atinge os 42,4%). Segundo INE, a região têm apenas 10,9% do território tem floresta natural, enquanto que na Madeira isso representa 20,15% do território. Segundo o Inventário Florestal da Região, realizado em 2007 pela Direção Regional dos Recursos Florestais (DRRF), com recurso a sistemas de informação geográfica (SIG), dá 71,5 mil hectares de área florestada. Isso que reduz a área para 30% do total. E onde o INE refere 25,4 mil hectares de floresta natural, o IFR dá 22,9 mil, reduzindo-a para 9,9%.
A Ilha do Corvo é a ilha com menor espaço florestado - apenas 2,89% - enquanto que a ilha das Flores é a que tem maior espaço florestado (49,3%). Em relação à floresta natural, é de novo o Corvo com o menor espaço (apenas 0,8%), enquanto que São Jorge é que tem a maior mancha de floresta natural (17,24%).

Em termos dos espaços florestais - o total florestado menos os espaços naturais, a espécie com maior predominância é o incenso, uma planta invasora sem utilidade comercial e que impede o desenvolvimento de outras plantas na sua proximidade. Muito utilizada antigamente como sebe viva no interior das quintas (com predominância para os laranjais), acabou por ser a mais significativa espécie florestal dos Açores. O incenso ocupa 49,25% da área florestada açoriana, o que é dramatico. Para se ter uma ideia, a criptoméria japónica, que é a segunda espécie mais importante e dá às ilhas o seu estilo florestal, ocupa apenas 25,5% da área florestada.


As situações mais graves ocorrem precisamente nas ilhas onde há mais área florestada – o que lhes retira boa parte da importância. Na Ilha dss Flores, 72,67% é incenso, e na Ilha do Pico, 78,4% é imenso. Na Ilha do Corvo, esse valor atinge os 79,5%. Na Ilha de São Miguel representa apenas 23,2% da sua área florestal – o que representa apenas 15% do total.




Hidrotermalismo de grande profundidade


Atualmente, são conhecidas cinco fontes hidrotermais de grande profundidade (Lucky Strike, descoberta em 1992, Menez Gwen, em 1994, Rainbow, em 1997, Saldanha, em 1998 e Ewan, em 2006), todas elas localizadas a sul do arquipélago açoriano, e a serem alvo de estudos científicos.

Duas das fontes hidrotermais – "Menez Gwen", com uma área de cerca de 10 mil hectares, e "Lucky Strike", com mais de 19 mil hectares – foram classificadas de Sítios de Interesse Comunitário (SIC) da região biogeográfica da Macaronésia, mercê do elevado interesse científico de que se revestem, designadamente na área do estudo da biodiversidade marinha de grande profundidade.

Localizados entre 140 e 180 milhas a sudoeste da Ilha do Faial, os dois campos hidrotermais encontram-se entre os 800 e os 1700 metros de profundidade, expelindo fluidos que chegam a ultrapassar os 330 graus Celsius de temperatura, o que não impede a proliferação, nas respetivas áreas, de inúmeras formas de vida.

A fonte hidrotermal "Rainbow", com uma área de cerca de 2 215 hectares, situa-se a uma profundidade de 2 300 metros e a 40 milhas para além do limite da Zona Económica Exclusiva (ZEE), embora dentro da área de alargamento da plataforma continental portuguesa (EMEPC). A 5 de agosto de 2007, a Comissão Internacional Oslo-Paris (OSPAR) aceitou a jurisdição de Portugal sobre a fonte hidrotermal Rainbow.


Maravilhas naturais dos Açores


  • Floresta Laurisilva da Serra da Tronqueira, Nordeste
  • Gruta do Carvão, Ponta Delgada
  • Lagoa do Vulcão do Fogo
  • Lagoa das Furnas e Parque Botânico Terra Nostra
  • Área Portegida das Sete Cidades - uma das 7 Maravilhas de Portugal (zona aquática não-marinha)
  • Caldeira Velha (MNR), Ribeira Grande
  • Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico - uma das 7 Maravilhas de Portugal (grandes relevos)
  • Gruta das Torres (MNR)
  • Fajã de Santo Cristo, Ilha de São Jorge
  • Centro Histórico de Angra do Heroísmo - Patrinónio Cultural da Humanidade
  • Algar do Carvão (MNR)
  • Paisagem Portegida do Monte Brasil, Angra do Heroísmo
  • Rocha dos Bordões (MNR), Ilha das Flores
  • Ilha das Flores - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha do Corvo - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Ilha Graciosa - Patrinónio Natural da Humanidade
  • Caldeira da Graciosa (MNR)
  • Furna do Enxofre (MNR)
  • Pedreira do Campo (MNR), Ilha de Santa Maria
  • Paisagem Portegida do Monte da Guia
  • Caldeira do Faial (RN)
  • Vulcão dos Capelinhos, Ilha do Faial

Blocos Filatélicos 





















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