quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Angra Cidade Património

 
 
 


ANGRA DO HEROÍSMO
PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Selo postal comemorativo






Ainda Angra do Heroísmo tinha pedras caídas pelas ruas e pó no ar, na sequência do sismo de 1 de Janeiro de 1980, quando o Instituto Histórico da Ilha Terceira decidiu promover o propósito de inscrever a cidade na então reduzida lista de pouco mais oito dezenas de monumentos e sítios classificados pela UNESCO como Património da Humanidade.


Carimbo comemorativo
O Dr .Álvaro Monjardino tomou a seu cargo a tarefa de convencer o ICOMOS (International Council on Monuments and Sites) que Angra do Heroísmo deveria ser classificada como Património Mundial por estar associada a um acontecimento relevante da história universal: a exploração marítima dos séculos XV e XVI que permitiu estabelecer laços entre as diferentes civilizações da terra.

Flâmula comemorativa


O processo relativo às diligências que culminaram com classificação de Angra do Heroísmo começou em 1981, quando foram desenvolvidos os primeiros contactos junto da UNESCO e em Lisboa. A decisão favorável foi tomada a 7 de Dezembro de 1983 pelo Comité do Património Mundial na reunião realizada Florença (Itália).


Numa conferência no âmbito das comemorações do 25º aniversário da classificação de Angra do Heroísmo pela UNESCO, realizada a 13 de Março no Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Álvaro Monjardino recordou as diversas etapas que estiveram na origem da atribuição do título de Património Mundial.

“A inclusão de zona central de Angra na lista do Património Mundial acabou efectivamente recomendada pelo ICOMOS “no quadro de uma proposta global sobre as explorações marítimas dos séculos XV e XVI”, com expressa menção das escalas no retorno das Índias orientais e ocidentais, da Provedoria das Armadas, da escolha do terreno em função de um porto que ia servir para isso mesmo, de uma malha urbana desenhada em função desse porto e, facto admitido como único, da meteorologia condicionante, além de um sistema defensivo inexpugnável”, referiu.


Durante a conferência, o Dr. Álvaro Monjardino lembrou que “ao longo dos seus mais de quinhentos anos de existência como povoação deixou-lhe marcas físicas que, tendo muito a ver com a História da ilha e do arquipélago, têm a ver também com a História portuguesa, a ibérica e a universal”.


Nesse sentido, recordou que o século XV corresponde à era dos Descobrimentos e à criação do núcleo urbano, o século seguinte a crescimento de uma cidade que assume a sua importância portuária intercontinental.


O século XVII ficou marcado pela ocupação espanhola e, posteriormente, pela Restauração, enquanto no século seguinte é mercado pela decadência da importância da cidade e no século XIX pela era Liberal e a resistência ao absolutismo. Durante o século XX Angra já tinha perdido a influência que foi tendo ao longo de mais de quatrocentos anos.

“Ficaram ressentimentos, prosápias antigas, hábitos de lazer e um marasmo que apenas o movimento de ideias havido na década de 60 conseguiu sacudir. Tal sacudidela contudo não se reflectiu de forma positiva no património construído. Pelo contrário. Quiçá com a única excepção do solar restaurado dos Bettencourts-de-Trás-da-Sé, essa época deixou sobretudo provas de insensibilidade perante a herança cultural que esse património representava.




Eliminaram-se notáveis edifícios seiscentistas, continuaram a desfigurar-se as fortalezas de São Sebastião e do Monte Brasil, desactivou-se a plurissecular Ribeira dos Moinhos e alteraram-se fachadas harmoniosas e castiças em nome de um progresso mal entendido, ao querer-se mesquinhamente uma cidade nova dentro de uma cidade velha e que valia como e por isso mesmo”.


Segundo o Dr. Álvaro Monjardino, foi o terramoto de 1980 que veio por um travão a descaracterização do património arquitectónico de Angra do Heroísmo.

“Por um lado, o mundo culto descobriu esta cidade esquecida, marco da expansão europeia, apesar de tudo ainda preservada pela sua própria decadência. Por outro, começou localmente a consciencializar-se o valor intrínseco, em termos culturais e até em possível qualidade de vida, deste testemunho do passado”, frisou.
 
A nível regional e por via legislativa foram tomadas medidas para que a cidade pudesse ser reconstruída, tendo como referência a sua herança cultural e histórica.


Esta capital histórica da Ilha Terceira é considerada Património Mundial pela UNESCO, sendo uma das três capitais regionais dos Açores, juntamente com a Horta e Ponta Delgada.

Esta ilha portuária e antigo forte do século XVI foram de importância estratégica para mercadores e comerciantes portugueses e espanhóis, ao longo dos séculos, que usavam o porto abrigado da ilha como ponto de paragem entre África, Europa e as Índias Ocidentais e Américas.

O explorador Vasco da Gama enterrou, aqui, o seu irmão, em 1499, após a sua longa viagem até à Índia. No século XVII, o porto recebeu galeões espanhóis carregados de tesouros do Novo Mundo.

O seu rápido crescimento como centro de comércio marítimo mereceu-lhe a designação de primeira cidade dos Açores, na década de 1530, enquanto o Papa Paulo III nomeou Angra como uma diocese com jurisdição religiosa sobre o resto do arquipélago.

Angra viria a desempenhar funções importantes na história de Portugal durante a Crise de Sucessão de 1580, ao não aceitar a suserania de Filipe de Espanha e apoiando o candidato alternativo ao trono português, António I, que estabeleceu, aqui, governo em exílio durante dois anos entre 1580 e 1582.

Mais tarde, quando a monarquia portuguesa foi restaurada, na Restauração de 1640, a cidade expulsou os ocupantes espanhóis que haviam tomado controlo do Forte de São Benedito do Monte Brasil e, devido aos seus esforços, viu-lhe ser atribuído o título de Sempre Leal Cidade pelo Rei D. João IV, em 1641.

Posteriormente, outro rei português, Afonso VI, refugiou-se no forte desde 1669 até 1684, após ser deposto pelo seu irmão, o Rei D. Pedro II.

É interessante salientar que Angra viu-lhe ser dado o sufixo Heroísmo pela Rainha portuguesa Maria II, no século XIX, como reconhecimento do seu papel nas disputas parlamentares Liberais que decorreram no início do século XIX, a seguir à Guerra Peninsular. Durante tal período, a cidade tornou-se o centro do apoio Liberal e, por isso, foi apelidada de Capital Constitucional do Reino durante a Guerra Civil de 1828-1834.

A cidade serviu, também, como refugio para a rainha exilada entre 1830 e 1833 e para o escritor, orador e político João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, durante a Guerra Peninsular.















Sobrescrito e selo comemorativo
do 30º aniversário de Angra do Heroísmo
PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Sobrescrito e selo comemorativo dos 480 anos da
Elevação de ANGRA a Cidade